Estudo revela que ficar sentado em silêncio por algumas horas pode estimular a memória; entenda
Momentos de calma total ajudam na reorganização mental e na redução do estresse, segundo cientistas norte-americanos

Sabe aquele momento em que tudo está calmo, sem barulho, sem agitação e você está apenas… ali, sentado em silêncio? Pois é, isso pode estar fazendo bem à sua memória. E não, não é conversa de internet ou dica de autoajuda.
Um estudo feito por cientistas da Universidade Duke, nos Estados Unidos, trouxe uma descoberta curiosa: ficar sentado em silêncio por algumas horas pode ajudar o cérebro a criar novas conexões ligadas à memória.
Vamos imaginar o seguinte: você se senta em um lugar tranquilo, sem celular, sem TV, sem música. Apenas você e o silêncio. Pode parecer entediante à primeira vista, mas é aí que o cérebro começa a trabalhar de forma diferente.
O estudo feito na Universidade Duke mostrou que ficar sentado em silêncio por algumas horas todos os dias provocou uma mudança importante no cérebro dos camundongos usados no experimento.
Eles testaram vários sons, como música clássica e barulhos de filhotes. Mas só o silêncio total fez com que surgissem novas células no hipocampo, que é a parte do cérebro ligada à memória.
Isso mesmo. O silêncio, e não os sons, foi o que realmente ajudou na criação de novas células cerebrais. Esse tipo de estímulo silencioso fez com que o cérebro tivesse mais chances de se reorganizar, principalmente nas áreas ligadas ao aprendizado. Isso não quer dizer que é preciso viver em silêncio, mas que reservar momentos para ficar sentado em silêncio pode ter um efeito positivo.
A tal “rede de modo padrão” e o silêncio
Existe uma parte do cérebro que os cientistas chamam de “rede de modo padrão”. O nome pode parecer técnico, mas a ideia por trás disso é bem simples. Essa rede funciona quando você está em um momento mais introspectivo, ou seja, quando não está distraído com estímulos externos.
Quando uma pessoa está apenas sentada, sem barulho, sem conversas, sem celular, essa rede entra em ação. Ficar sentado em silêncio ajuda a ativar esse sistema cerebral. E o que isso tem a ver com a memória? Tudo.
Nesse estado mais tranquilo, o cérebro consegue se organizar melhor. E como os níveis de estresse também costumam cair, o cortisol (que é o hormônio do estresse) também diminui. Esse ambiente interno mais calmo facilita a integração das novas células cerebrais às redes que cuidam do aprendizado e da memória.
Ou seja, ao ficar sentado em silêncio, você está dando ao cérebro um “respiro” necessário. Esse tempo de pausa pode ajudar a mente a se preparar melhor para lembrar, aprender e até pensar com mais clareza depois.

Como aplicar isso no dia a dia?
Você pode estar se perguntando: “E como eu posso fazer isso se minha rotina é agitada?”. A boa notícia é que não é preciso mudar a vida toda. Começar com pouco tempo já pode fazer diferença. Reservar momentos do seu dia apenas para ficar sentado em silêncio pode ser um hábito simples, mas que colabora com o seu bem-estar mental.
Não é necessário criar um ritual complicado. Pode ser um cantinho tranquilo da sua casa, um banco embaixo de uma árvore ou até um espaço silencioso no trabalho, se for possível. O mais importante é que seja um tempo sem distrações. Sem celular, sem música de fundo, sem tentar resolver algo enquanto está ali.
O ideal, segundo o estudo, seria algo como duas horas por dia. Mas cada um pode adaptar conforme sua rotina. Se não for possível esse tempo todo de uma vez, dividir em períodos menores também pode funcionar. O importante é permitir que sua mente tenha esse tempo livre, onde ela pode se reorganizar sem interferências externas.
Ficar sentado em silêncio pode parecer algo simples demais para trazer algum benefício real. Mas, como a pesquisa mostrou, é justamente essa simplicidade que pode gerar um efeito significativo no funcionamento do cérebro.