Inteligência Artificial no ensino do Direito: aliada ou vilã?

Reitora do Centro Universitário UniProcessus, Claudine Fernandes, destaca os impactos da tecnologia na formação de futuros profissionais da área jurídica

Nathalia Vajas
Por Redação Curta Mais
Inteligência Artificial no ensino do Direito: aliada ou vilã?

O avanço da inteligência artificial no ambiente acadêmico tem provocado debates sobre os limites do uso da tecnologia na formação de estudantes de Direito. Ferramentas como ChatGPT, plataformas de automação jurídica e sistemas de pesquisa baseados em IA passaram a fazer parte da rotina universitária, levantando discussões sobre ética, aprendizado e desenvolvimento do pensamento crítico.

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A discussão ganhou ainda mais força nos últimos meses com o aumento da utilização dessas ferramentas por estudantes em trabalhos, pesquisas e atividades acadêmicas. Ao mesmo tempo em que a tecnologia facilita o acesso à informação e otimiza processos, especialistas alertam para a necessidade de preservar o pensamento crítico e a autonomia intelectual dos alunos.

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Levantamento realizado pelo Jusbrasil, em parceria com a Trybe e o ITS Rio, apontou que 77% dos profissionais do Direito utilizam inteligência artificial generativa ao menos uma vez por semana na rotina de trabalho, demonstrando como a tecnologia já faz parte do setor jurídico.

 

 

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No ensino jurídico, o debate se intensifica diante das características da própria profissão, que exige interpretação, argumentação, análise crítica e responsabilidade ética. Com isso, universidades e instituições de ensino têm buscado discutir como incorporar a inteligência artificial de forma responsável no ambiente acadêmico.

 

Para a reitora do Centro Universitário UniProcessus, Claudine Fernandes, a tecnologia deve ser utilizada como ferramenta de apoio, sem substituir a formação humana e crítica dos estudantes.

 

“A inteligência artificial pode auxiliar na organização de conteúdos, nas pesquisas e até na produtividade acadêmica, mas ela não substitui a capacidade de interpretação jurídica, argumentação e construção do raciocínio crítico, que são fundamentais no Direito”, afirma.

 

Além da sala de aula, o impacto da IA já pode ser percebido no mercado jurídico. Escritórios de advocacia, departamentos jurídicos e órgãos públicos têm investido em ferramentas tecnológicas para automatizar tarefas, agilizar análises e otimizar processos.

 

Esse movimento também influencia diretamente a formação universitária. Instituições de ensino superior passaram a discutir novas metodologias e estratégias para preparar estudantes para um cenário profissional cada vez mais digital e tecnológico.

 

Segundo a reitora, o principal desafio das universidades é equilibrar inovação tecnológica e desenvolvimento intelectual.

 

“O papel da universidade é ensinar o aluno a utilizar a tecnologia de maneira ética, consciente e estratégica. O estudante precisa entender que a inteligência artificial deve complementar o aprendizado, e não substituir o esforço intelectual e o desenvolvimento do pensamento crítico”, destaca.

 

A especialista também chama atenção para os riscos do uso excessivo dessas ferramentas sem acompanhamento adequado.

 

“Quando utilizada sem limites ou sem orientação, a tecnologia pode comprometer a autonomia do estudante e prejudicar habilidades importantes para a formação profissional, como escrita, argumentação e capacidade analítica”, ressalta.

 

Para Claudine Fernandes, a tendência é que a inteligência artificial esteja cada vez mais presente no ensino e no mercado jurídico, exigindo adaptação constante de estudantes e instituições.

 

“A tecnologia continuará fazendo parte da realidade acadêmica e profissional. O diferencial estará na capacidade humana de interpretar, analisar e tomar decisões com responsabilidade e senso crítico”, conclui.

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