Crazy Week no Paraguai: guia prático para comprar melhor e evitar filas e prejuízos

A Crazy Week começa nesta quinta-feira (7) em Ciudad del Este e deve intensificar um cenário já conhecido na fronteira: movimento, trânsito na Ponte da Amizade e lojas cheias desde as primeiras horas do dia. Com descontos que podem chegar a 70%, o evento deve atrair milhares de brasileiros, mas quem já atravessou a fronteira nessa época sabe que o maior desafio não é encontrar promoção, é conseguir fazer tudo sem perder tempo ou dinheiro no caminho.
Para ajudar quem pretende aproveitar a principal temporada de compras do ano no Paraguai, o Curta Mais Foz preparou um guia prático com dicas sobre horários, travessia da ponte, formas de pagamento, cuidados nas compras e regras da Receita Federal para evitar dor de cabeça na volta para casa.
Que horário ir?
Durante a Crazy Week, quem chega cedo, antes das 7h, ainda encontra uma travessia mais fluida e lojas menos cheias. Mas isso muda rápido. Ainda pela manhã, a fila pode passar de três quilômetros e o tempo de travessia superar facilmente uma hora. A partir daí, o tempo dentro do carro passa a disputar com o tempo de compra.
No retorno, o problema se repete. O início da tarde concentra o maior volume de pessoas voltando ao Brasil ao mesmo tempo, o que transforma poucos quilômetros em longos períodos de espera. Essa fila pode se estender até o início da noite. E o tempo de espera na volta pode ser ainda maior que na ida, porque a polícia paraguaia costuma regular o trânsito, o que acaba parando tudo por alguns momentos.
Como atravessar a ponte sem perder tempo

Foto: Dnit
A decisão de como cruzar a fronteira impacta diretamente o seu dia. Ir de carro oferece conforto, mas coloca você dentro da fila da Ponte da Amizade. Por isso, uma estratégia comum é deixar o carro na região da Vila Portes e atravessar a pé. A região conta com estacionamentos pagos, seguros e confiáveis.
A caminhada leva cerca de quinze minutos, com fluxo constante, e na maioria dos dias acaba sendo mais rápida do que enfrentar o trânsito. Mototáxis e vans também aparecem como alternativas para ganhar tempo na travessia. O custo não chega a ser barato, mas também não é alto a ponto de não compensar quando o trânsito está travado.
Nem toda promoção é o que parece
Embora a Crazy Week tenha lojas participantes com descontos reais, o evento não funciona de forma padronizada. Nem todos os estabelecimentos fazem parte oficialmente da ação, e muitos aproveitam o movimento para criar promoções próprias.

Foto: prefeitura de Ciudad Del Este
As lojas participantes podem ser consultadas no site oficial do evento, organizado pela Câmara de Comércio de Ciudad del Este. Veja aqui.
Isso significa que o básico continua valendo: comparar preços ainda é essencial. A diferença entre uma boa compra e uma compra impulsiva costuma estar nos detalhes e, principalmente, na pressa.
No Paraguai, o cuidado com o local da compra faz diferença. Ainda existem práticas de venda de produtos falsificados, como perfumes, bebidas e eletrônicos, apresentados como originais. Saber onde comprar é essencial. Em caso de dúvida ou sensação de fraude, é possível procurar as autoridades paraguaias. Os contatos estão no final da reportagem.
Pagamento exige plano B
A forma de pagamento também pode impactar a experiência. O dólar segue sendo a moeda mais usada no Paraguai, mas o real é amplamente aceito. Cartões de crédito funcionam normalmente, mas entram na regra de compra internacional, com cobrança de IOF e variação cambial.
O Pix já aparece como alternativa em várias lojas, mas com uma ressalva importante: em momentos de maior movimento, o sinal de internet pode oscilar. Depender de uma única forma de pagamento aumenta o risco de atrasos ou imprevistos.
Uma estratégia simples é levar uma quantidade em dinheiro para compras rápidas ou quando você já sabe exatamente o que vai comprar. Também ajuda em situações básicas, como comprar água ou um lanche, evitando depender totalmente da conexão.
As regras da Receita Federal
Quem atravessa a fronteira por via terrestre tem direito a uma cota de até 500 dólares em compras. Esse limite é controlado na volta ao Brasil e está vinculado ao CPF. Ultrapassar o valor pode gerar cobrança de imposto e, em alguns casos, retenção de mercadoria.
Outro erro comum é não guardar as notas fiscais. Em fiscalizações, elas podem ser exigidas para comprovar o valor das compras. Mesmo dentro da cota, compras que possam caracterizar finalidade de revenda, como vários itens iguais, também podem ser apreendidas.
O guia completo da Receita Federal você encontra clicando aqui.
O que pode virar problema na volta
Na tentativa de economizar, muita gente acaba assumindo riscos desnecessários. Produtos falsificados, eletrônicos sem procedência e itens com restrição de entrada no Brasil podem gerar prejuízo maior do que qualquer desconto.
Existem categorias específicas de produtos proibidos ou que exigem autorização, como alguns medicamentos, cosméticos irregulares e determinados eletrônicos. Entre os itens que parecem inofensivos, mas podem causar problema, estão os cigarros eletrônicos, cuja entrada no Brasil é proibida.
Ignorar essas regras é um dos caminhos mais rápidos para transformar uma compra em dor de cabeça.
Detalhes que mais desgastam o dia
Além das compras, a logística pesa mais do que parece. Alimentação, tempo em pé, deslocamento entre lojas e o volume de sacolas fazem diferença ao longo do dia. Em períodos de grande movimento, até encontrar um lugar para sentar ou fazer uma pausa pode levar tempo.

Foto: prefeitura de Ciudad Del Este
O centro comercial de Ciudad del Este tem boas opções de alimentação. Os grandes shoppings oferecem variedade e mais conforto, sendo uma boa alternativa para recarregar a energia antes de continuar. Já a comida de rua existe, mas o ideal é consumir apenas em locais indicados por alguém de confiança.
Vale a pena ir?
A Crazy Week movimenta centenas de milhares de visitantes e concentra algumas das melhores oportunidades de compra do ano na região. A economia costuma compensar. Muitas lojas fazem promoções, sorteios e eventos internos para atrair o público. Em alguns casos, há filas e controle de entrada para garantir a experiência de quem está dentro.
Não é comum os produtos esgotarem, mas pode acontecer. Por isso, algumas pessoas optam por ir mais de um dia: pesquisam preços em um primeiro momento e voltam depois apenas para comprar.
No fim, o resultado depende menos do desconto e mais da estratégia. Quem escolhe bem o horário, planeja a travessia e evita decisões por impulso costuma aproveitar melhor. Quem vai sem preparo, geralmente enfrenta filas longas, compras mal feitas e um dia mais cansativo do que o esperado.
Dicas da Polícia Civil para a sua segurança
Segurança e contatos úteis
Consulado do Brasil: +595 973 562530
Polícia turística: +595 981 732409
Defesa do consumidor: +595 973 592792
Polícia Militar: 190
Polícia Civil: 197
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