Abadá: na moda da folia, costume antigo ganha novo significado
Mudança de comportamento e novas escolhas estéticas ajudam a explicar por que essa peça ganhou outro papel nas festas pré-carnaval

O carnaval fora de época conquistou espaço próprio no calendário cultural brasileiro e, em Goiânia, já ultrapassa a ideia de simples extensão da folia tradicional. Além de movimentar eventos, turismo e economia criativa, esses encontros também vêm transformando a relação dos foliões com a moda — especialmente com o abadá, que deixou de ser apenas um item de acesso para se tornar peça de expressão pessoal.
Cada vez mais, quem participa dos bloquinhos e festas pré-carnavalescas busca fugir do visual padronizado. O resultado aparece em cortes assimétricos, novas modelagens, aplicações pontuais e releituras que transformam completamente a camiseta original. O abadá passa a carregar identidade, estilo e intenção estética, ainda que pensado para poucas horas de uso.
Essa mudança de comportamento se reflete diretamente na procura por serviços de customização. Em Goiânia, o Clube de Costura acompanha de perto esse movimento ao atender foliões interessados em personalizar suas peças para o carnaval fora de época. “A procura por personalização de roupas e acessórios cresce de forma consistente em Goiás. Com a chegada dos bloquinhos pré-carnaval, vemos isso ainda mais latente”, explica Rogélia Pinheiro, gerente do Clube de Costura.
Do funcional ao autoral
Criado originalmente como um item funcional, o abadá tinha a função básica de identificar o folião e permitir o acesso aos eventos. Com o passar dos anos, no entanto, ele passou a ser reinterpretado. Ajustes de comprimento, recortes laterais, decotes, amarrações, assimetrias e a inclusão de novos tecidos transformaram a peça em algo mais próximo do vestuário cotidiano — ainda que com espírito festivo.
No Clube de Costura, as intervenções variam conforme o desejo do cliente e o tempo disponível. Há desde customizações mais simples, baseadas em cortes diretos, até propostas mais elaboradas, que envolvem costura estruturada, modelagem diferenciada e aplicação de elementos como franjas, pedrarias e tecidos adicionais. Os valores partem de R$ 40 e variam de acordo com a complexidade do serviço.
Moda sob demanda
Segundo Rogélia Pinheiro, o processo de customização funciona de forma semelhante a um ateliê de moda sob demanda. “Cada abadá é tratado como um projeto específico, condicionado ao tempo disponível, ao material trazido pelo cliente e à viabilidade técnica da ideia apresentada”, afirma.
A gerente destaca ainda que a expectativa é de crescimento contínuo. A projeção é que a busca pelo serviço aumente cerca de 25% em 2026, acompanhando a expansão dos eventos fora de época e a consolidação da personalização como parte da experiência carnavalesca.
Um ponto considerado essencial no atendimento é o planejamento prévio. A orientação é que o cliente chegue com referências claras do que deseja. “Pesquisar imagens de carnavais anteriores, consultar perfis no Instagram e salvar ideias facilita o processo e otimiza o tempo de execução”, reforça Rogélia.
Isso porque a customização envolve uma grande diversidade de possibilidades visuais, cores e texturas. Em casos que exigem adereços muito específicos, como pedrarias ou tecidos diferenciados, é necessário que o próprio cliente leve os materiais, já que não é possível manter em estoque todas as variações disponíveis no mercado.
