Ainda Estou Aqui estreia no Globoplay neste sábado após 21 semanas em cartaz nos cinemas

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, longa de Walter Salles migra para o streaming após bilheteria histórica e gera polêmica entre exibidores

Fernanda Cappellesso
Por Fernanda Cappellesso
Ainda Estou Aqui estreia no Globoplay neste sábado após 21 semanas em cartaz nos cinemas
Dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, “Ainda Estou Aqui” narra a história real de Eunice Paiva, viúva do ex-deputado Rubens Paiva, morto pela ditadura militar

O aguardado longa “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles e protagonizado por Fernanda Torres, estreia neste sábado, 6 de abril, na plataforma Globoplay, marcando o início de uma nova fase na trajetória de um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro contemporâneo. A obra encerra um ciclo de 21 semanas em cartaz nos cinemas e ultrapassou 5,8 milhões de ingressos vendidos, sendo o sétimo filme nacional mais assistido desde 2002.

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A chegada ao streaming acontece em um momento de consagração internacional. Em março, o filme conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional, feito inédito para o Brasil. A repercussão crítica e popular transformou o longa em símbolo de resistência política e memória histórica — temas que sustentam seu enredo e o diferenciam no cenário audiovisual.

Ainda Estou Aqui reconstrói uma história silenciada pela ditadura militar

Inspirado no livro autobiográfico do escritor e jornalista Marcelo Rubens Paiva, “Ainda Estou Aqui” narra a luta de Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres, para descobrir a verdade sobre o desaparecimento de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, preso, torturado e morto durante a ditadura militar no Brasil. A história real, muitas vezes omitida dos livros escolares e da memória oficial, ganha força nas mãos do diretor Walter Salles, que aposta na sobriedade e na força emocional para contar uma trajetória profundamente humana.

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O filme é também um retrato íntimo do Brasil pós-1964, ao abordar temas como luto político, violência de Estado, apagamento de memória e o papel das mulheres na luta por justiça. A performance de Fernanda Torres foi amplamente elogiada, considerada por críticos como uma das atuações mais fortes do cinema nacional na última década.

Ainda Estou Aqui vence o Oscar e reposiciona o cinema brasileiro no cenário global

A vitória na cerimônia do Oscar 2025 marcou um ponto de inflexão para o cinema brasileiro. “Ainda Estou Aqui” foi o primeiro filme nacional a conquistar a estatueta de Melhor Filme Internacional, recolocando o Brasil no mapa das grandes produções globais e gerando ampla cobertura da imprensa mundial.

Além da estatueta, o filme gerou debates importantes sobre a ditadura e seus efeitos duradouros na sociedade brasileira. A obra também foi destaque em festivais internacionais como Berlim, Toronto e Veneza, sempre com sessões lotadas e recepção calorosa da crítica.

Ainda Estou Aqui é retirado dos cinemas e gera reação no circuito exibidor

Apesar da consagração, a transição do longa para o streaming não foi livre de controvérsias. A decisão da distribuidora Sony Pictures de retirar o filme de cartaz nas salas brasileiras antes de sua estreia no Globoplay gerou desconforto entre donos de cinemas. A ordem foi comunicada por e-mail, de forma taxativa: mesmo com salas cheias e procura crescente após o Oscar, a exibição nas telonas deveria ser encerrada.

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A decisão surpreendeu exibidores independentes que apostavam na continuidade do filme em cartaz. Um deles, em São Paulo, chegou a citar o exemplo de Substância, com Demi Moore, que permaneceu em cartaz mesmo depois da estreia no streaming. A justificativa para a exclusividade do lançamento digital de “Ainda Estou Aqui” no Globoplay gerou mal-estar no circuito exibidor e levantou discussões sobre as janelas de exibição no Brasil.

Ainda Estou Aqui estreia no Globoplay com promessa de impacto nacional

A partir do sábado, 6 de abril, “Ainda Estou Aqui” estará disponível para os assinantes do Globoplay, com destaque na plataforma e campanha especial nas redes sociais. A expectativa é de que o filme atinja um novo público — sobretudo jovens que não tiveram acesso às salas de cinema — e gere um novo ciclo de debates sobre os temas abordados.

A plataforma da Globo também planeja incluir o longa em ações educativas, com apoio de professores, escolas e universidades que já vinham utilizando o filme como recurso pedagógico desde seu lançamento nas salas. A proposta é continuar a jornada de Eunice Paiva para além das telas: transformando memória em ação e arte em denúncia.

Ainda Estou Aqui reafirma o poder do cinema brasileiro como ferramenta de memória

Mais do que uma produção de sucesso, “Ainda Estou Aqui” representa uma vitória da memória histórica e da arte comprometida com a verdade. Em um país onde a ditadura ainda é relativizada por setores da sociedade, a obra de Walter Salles atua como contraponto simbólico e pedagógico, lembrando que os mortos do regime militar não podem ser esquecidos — e que suas histórias precisam ser contadas.

Com a estreia no Globoplay, o filme alcança uma nova dimensão de impacto. Ao deixar os cinemas e entrar nas casas, “Ainda Estou Aqui” expande sua missão: fazer do cinema um espaço de escuta, empatia e resistência.

 

 

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