Novo dorama da Netflix que virou fenômeno global divide público com narrativa ousada que mistura feitiçaria, golpe de Estado e troca de corpos

Fernanda Cappellesso
Por Fernanda Cappellesso
Novo dorama da Netflix que virou fenômeno global divide público com narrativa ousada que mistura feitiçaria, golpe de Estado e troca de corpos

A série “Alquimia das Almas” estreou na Netflix em 2022 e rapidamente conquistou destaque entre os doramas mais assistidos da plataforma. Com dois arcos principais — divididos em duas temporadas — a produção sul-coreana ambienta-se em Daeho, um reino fictício onde magia proibida, linhagens nobres e trocas de almas definem o destino de seus personagens.

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Produzida pelo canal sul-coreano tvN, em parceria com o Studio Dragon, a série foi criada pelas irmãs Hong Jung-eun e Hong Mi-ran, roteiristas consagradas no universo dos K-dramas. A história se apoia em elementos tradicionais da fantasia oriental, como feitiçaria, reencarnação e hierarquias sociais, para desenvolver um enredo repleto de intrigas políticas e dilemas existenciais.

Enredo: troca de almas e a luta por identidade

Na trama, uma poderosa feiticeira chamada Naksu é morta após ser perseguida por forças do governo. Usando uma técnica proibida, ela transfere sua alma para o corpo de uma mulher cega chamada Mu-deok. Esse corpo, no entanto, pertence à criada de uma das famílias mais influentes do reino. Presa em uma identidade frágil e desprovida de poderes, Naksu precisa encontrar meios de recuperar sua força e sua missão original: destruir os responsáveis pela queda de seu clã.

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Mu-deok passa a treinar Jang Uk, herdeiro de uma poderosa família que teve seus poderes bloqueados ao nascer. Entre mentorias, conflitos e descobertas, os dois formam um elo que desafia tanto as estruturas sociais de Daeho quanto as leis mágicas que regem o reino.

Elenco e construção dramática

O elenco principal conta com Lee Jae-wook no papel de Jang Uk, Go Youn-jung como Naksu (segunda parte) e Jung So-min como a primeira encarnação de Mu-deok. A troca da atriz entre as temporadas é explicada dentro da lógica da própria narrativa e foi uma das decisões mais comentadas entre os fãs.

A atuação contida, os diálogos introspectivos e a ambientação visual — marcada por palácios, rios sagrados e florestas enevoadas — são elementos que aproximam “Alquimia das Almas” de outras grandes produções da Coreia do Sul, como “Kingdom” e “Pousando no Amor”. A trilha sonora também cumpre papel fundamental na construção do drama emocional e da tensão política.

Recepção e popularidade global

A série alcançou o Top 10 em diversos países, incluindo Brasil, Filipinas, Indonésia e Emirados Árabes Unidos. No IMDb, mantém média superior a 8 pontos, com milhares de avaliações favoráveis.

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Segundo dados da própria Netflix, “Alquimia das Almas” ficou entre os títulos mais assistidos da categoria “Séries não faladas em inglês” durante seu lançamento, especialmente entre o público jovem de 18 a 34 anos. A adesão internacional reforça o crescente interesse global pelas produções coreanas, impulsionado por fenômenos como “Round 6” e “O Rei Eterno”.

Cenário político e crítica social embutida na fantasia

Apesar de ser ambientada em um universo fictício, a série carrega camadas críticas sobre o uso de poder, o papel da aristocracia e a marginalização de figuras consideradas perigosas pelo Estado. O conceito de “Alquimia das Almas”, que dá nome à série, refere-se à transferência de almas entre corpos — prática proibida e temida —, e simboliza temas como apropriação de identidade, invisibilidade e opressão institucional.

A série dialoga com uma tradição cultural asiática de histórias que misturam misticismo com crítica social, como observado em clássicos da literatura chinesa e coreana. Ao explorar a impossibilidade de existir plenamente em um corpo que não é reconhecido pela elite dominante, a narrativa reforça a discussão sobre lugar social, ancestralidade e liberdade de escolha.

Entre magia e humanidade, uma série sobre o que nos define

“Alquimia das Almas” se destaca por sua ambição temática e por explorar, dentro de um cenário místico e sofisticado, questões universais como pertencimento, memória e o direito à própria identidade. Ao combinar fantasia, romance e política, a série reafirma a força da dramaturgia sul-coreana e seu potencial de dialogar com audiências globais, mesmo quando se apoia em lógicas culturais específicas.

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