Asteroide com força de 22 bombas atômicas pode colidir com a Terra; entenda os riscos

Descobertas recentes ampliaram o conhecimento sobre um dos corpos celestes mais monitorados do Sistema Solar

Thiago Alonso
Por Thiago Alonso
Asteroide com força de 22 bombas atômicas pode colidir com a Terra; entenda os riscos
Asteroide pode colidir com a Terra. - Foto: Ilustração/Canva

O asteroide Bennu voltou a chamar a atenção da comunidade científica por apresentar uma pequena possibilidade de atingir a Terra em 24 de setembro de 2182. Embora o risco seja considerado muito baixo, o objeto segue sob monitoramento constante da NASA, já que uma colisão poderia provocar impactos ambientais e climáticos em escala global.

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As estimativas mais recentes da agência espacial americana apontam que a chance de Bennu atingir o planeta nessa data é de aproximadamente 1 em 2.700, o equivalente a cerca de 0,037%. Quando são consideradas todas as aproximações previstas entre 2178 e 2290, a probabilidade acumulada sobe para cerca de 1 em 1.750. Mesmo assim, os especialistas reforçam que não há motivo para preocupação imediata.

Descoberto em 1999, Bennu é um asteroide carbonáceo com cerca de 500 metros de diâmetro, tamanho semelhante ao de cinco campos de futebol enfileirados. Ele percorre uma órbita que cruza a região próxima da Terra a cada 436 dias, motivo pelo qual integra a lista de objetos potencialmente perigosos monitorados pelas agências espaciais. Sua composição rica em carbono, minerais hidratados e compostos orgânicos também desperta interesse científico por guardar vestígios da formação do Sistema Solar, há aproximadamente 4,5 bilhões de anos.

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Boa parte dessas informações foi obtida graças à missão OSIRIS-REx, da NASA. A sonda permaneceu mais de dois anos estudando Bennu, coletou amostras de sua superfície em 2020 e trouxe esse material para a Terra em 2023. A missão permitiu medir com precisão seu tamanho, massa, composição, rotação e até pequenos efeitos que alteram lentamente sua órbita ao longo dos séculos.

O principal motivo para os cientistas acompanharem Bennu está relacionado a uma aproximação prevista para o ano 2135. Nesse encontro com a Terra, a gravidade do planeta poderá modificar discretamente sua trajetória. Se o asteroide atravessar uma estreita região do espaço conhecida como “keyhole gravitacional”, sua órbita poderá ser alterada de forma que resulte em uma colisão décadas depois, justamente em 2182. Essa janela espacial possui apenas alguns quilômetros de largura, o que ajuda a explicar por que a probabilidade de impacto continua extremamente pequena.

Caso o cenário mais pessimista se concretize, os efeitos não ficariam restritos ao local da colisão. Estudos indicam que Bennu liberaria uma energia equivalente à explosão de cerca de 22 bombas atômicas, projetando milhões de toneladas de poeira, rochas e aerossóis para a atmosfera.

Esse material reduziria a quantidade de luz solar que chega à superfície terrestre e poderia provocar um fenômeno conhecido como “inverno de impacto”. Modelos climáticos sugerem que a temperatura média global poderia cair em até 4°C, alterando o clima por vários anos.

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Com menos luz solar disponível, a fotossíntese seria prejudicada, reduzindo o crescimento das plantas e comprometendo a produção agrícola em diversas partes do mundo. Os pesquisadores também avaliam que mudanças no regime de chuvas poderiam afetar rios, florestas, oceanos e cadeias alimentares, aumentando os desafios para a produção de alimentos.

Outro efeito estudado envolve a camada de ozônio. Simulações apontam que ela poderia sofrer uma redução de até 32%, elevando a incidência de radiação ultravioleta na superfície terrestre. Esse cenário teria consequências para a saúde humana, além de impactos sobre plantas, animais e ecossistemas.

Apesar dessas projeções, os especialistas destacam que Bennu não representa uma ameaça comparável ao asteroide responsável pela extinção dos dinossauros há cerca de 66 milhões de anos. Enquanto aquele objeto tinha aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro, Bennu mede apenas cerca de 500 metros. Ou seja, uma eventual colisão não provocaria uma extinção em massa, mas poderia causar importantes alterações ambientais e climáticas em escala global.

O monitoramento constante também permitiu avanços importantes na chamada defesa planetária. Em 2022, a missão DART, da NASA, conseguiu alterar pela primeira vez a órbita de um asteroide ao colidir propositalmente com o pequeno Dimorphos. O teste mostrou que, caso um objeto realmente perigoso seja identificado com bastante antecedência, já existe tecnologia capaz de modificar sua trajetória.

Por enquanto, nenhuma missão para desviar Bennu está sendo considerada necessária. Os cientistas afirmam que o risco permanece muito baixo e que novas observações poderão refinar ainda mais os cálculos sobre sua órbita nas próximas décadas. O caso, porém, reforça a importância de manter vigilância permanente sobre os milhares de asteroides que cruzam a vizinhança da Terra e de continuar investindo em tecnologias capazes de prevenir futuras ameaças espaciais.

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