Jornalista foi fundamental para construção do Autódromo de Goiânia
Fernando Campos se tornou voz importante na popularização do esporte a motor na Capital

De acordo um levantamento feito pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), a cobertura jornalística é o principal influenciador da sociedade.
Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Nassar, ela é capaz de organizar ou desorganizar um setor inteiro da economia.
Os goianos viram isso acontecer ainda na década de 1970, a partir da influência do jornalista Fernando Campos sobre a construção do Autódromo de Goiânia.

Nos anos 70, com o sucesso de Emerson Fittipaldi e o crescimento econômico, novos autódromos surgiram pelo Brasil, incluindo Brasília e Goiânia. Imagens exibem detalhes da construção do Autódromo de Goiânia. Foto: Nobres do Grid.
Aos 84 anos, o jornalista olha para trás com orgulho e satisfação, ciente de que seu trabalho foi fundamental para o desenvolvimento do esporte a motor em Goiás e no Brasil.

Foto: Fernando Campos
Em reconhecimento à sua contribuição, a sala de imprensa do autódromo recebeu seu nome.
Conheça Fernando Campos
Nascido em maio de 1940 em Coimbra (Portugal), Fernando se mudou para o Brasil com a família em 1953, desembarcando primeiro em São Paulo. A mudança para Goiânia só veio oito anos depois.
Influenciado por sua mãe, iniciou sua carreira como jornalista, unindo profissão e paixão ao escrever textos e colunas sobre automobilismo. Publicadas no jornal O Popular, suas obras foram essenciais para a popularização do esporte a motor em Goiás.
Sua influência no meio automotivo aumentou de maneira significativa anos depois, com a fundação do programa de rádio e televisão Rodas&Motores.
“Houve um crescimento decisivo dos esportes a motor regionais. Embora não tanto como em Brasília, também tínhamos um esporte a motor bom naquela época, não apenas no automobilismo, mas também no motociclismo: éramos muito fortes na preparação e nas corridas de lambretas”, recorda o jornalista.
Sob os efeitos da construção de Brasília, a capital goiana passou por um profundo processo de reorganização urbana. A expansão dos loteamentos na cidade exigiu o desenvolvimento de novas áreas, visando impulsionar transformações econômicas.
O empresário goiano Lourival Louza, acreditava no potencial econômico da cidade. Pensando nisso, em 1950 doou parte de sua fazenda ao estado, possibilitando a criação do setor Jardim Goiás.
Com o crescimento tímido da cidade, efetuou a doação de áreas para construção de diferentes instituições e entidades filantrópicas, como o Autódromo Internacional de Goiânia.
“Com o esporte em franco desenvolvimento no Centro-Oeste, faria todo o sentido ter um autódromo em Goiânia”, aponta Fernando Campos.
Os preparativos para a construção do autódromo começaram no ano de 1972.

Imagem aérea do início da construção do Autódromo de Goiânia, em 1972. Foto: Fernando Campos/ Acervo Pessoal.
Inspiração e construção da praça esportiva em Goiânia
A ideia de um espaço exclusivo para o automobilismo na cidade foi impulsionada pelo governador Leonino Caiado. O projeto modernista do autódromo foi assinado pelo arquiteto Silas Varizo, com curadoria do automobilista Marcos Veiga Jardim, seguindo conselhos técnicos do bicampeão de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi.
Segundo Fernando Campos, um fator de grande importância que culminou a ideia de um autódromo na Capital foram os títulos de Emerson Fittipaldi na Fórmula 1, em 1972 e 1974.
“Todos queriam ser Emerson Fittipaldi. Foi a mola propulsora que fez multiplicar o desejo das cidades em ter autódromos. E foi por conta disso que ele foi convidado para inaugurar a pedra fundamental do Autódromo de Goiânia, no início de 1972”, conta Fernando.

Imagens exibem momento de lançamento da Pedra Fundamental para construção do Autódromo de Goiânia com Leonino Caiado e Emerson Fittipaldi em 1972. Foto: Fernando Campos
O piloto foi primordial para o planejamento de extensas áreas de escape, e para a instalação de cercas de aço a fim de dividir a pista do público.
Um catalisador de desenvolvimento urbano
Fernando Campos foi decisivo para a construção do autódromo, tanto pelo trabalho jornalístico quanto pelo envolvimento direto nas competições. Fundou a primeira equipe de cronometragem de Goiânia e, ao lado do advogado Luiz Fernando Rocha Lima, criou uma escola de kart responsável pela formação de centenas de pilotos.
A festa de inauguração do autódromo foi um sucesso. No dia 28 de julho de 1974, mais de 60 mil pessoas marcaram presença no festival das 12 Horas de Goiânia, em que Fernando atuou como diretor de prova.

Festival de inauguração do Autódromo de Goiânia. Foto: Fernando Campos
Primeiros campeonatos mundiais
Considerado um traçado de extrema segurança com 3,82 km de extensão, o espaço ganhou visibilidade internacional. Na década de 1980, sediou três Grandes Prêmios de Motociclismo. As corridas foram transmitidas para mais de 80 países.
Hoje, o Autódromo guarda 50 anos de história sendo sede de imponentes eventos como Stock Car Brasil Pro Series, Copa Truck, Fórmula 4 e Porsche Cup.
Jornalista e grande influenciador do automobilismo em Goiás, Fernando Campos celebra o legado que ajudou a construir.
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