Bloco afro retorna ao Carnaval de Goiânia com cortejo de tambores

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
Bloco afro retorna ao Carnaval de Goiânia com cortejo de tambores
Fotos: Mayara Varalho

Em meio ao ritmo acelerado da folia, Goiânia abre espaço para um Carnaval que também convida à reflexão, à memória e à ancestralidade afro. Nos dias 17 e 21 de fevereiro, o bloco Orum Aiyê Quilombo Cultural retorna às ruas da capital com o cortejo Tambores do Orum, levando ao público o enredo “Palmares: por uma nação negra brasileira”.

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Logo de início, o som dos tambores anuncia que não se trata apenas de festa. Trata-se de um ritual urbano, coletivo e profundamente simbólico. Ao longo do percurso, música autoral, dança afro-brasileira, figurinos inspirados em diferentes culturas africanas e uma narrativa cênica potente transformam as ruas em palco vivo de história e resistência.

Evento celebra cultura afro-brasileira com desfile e pós-Carnaval. Fotos: Mayara Varalho

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Além disso, o cortejo conta com apoio do Governo de Goiás, por meio do Programa Folia Goiás, operacionalizado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e pela Secretaria da Retomada, em parceria com a Goiás Turismo. Sendo assim, o projeto também reforça políticas públicas voltadas à valorização da cultura negra e da ocupação cultural dos espaços públicos.

Leia também: Centro de Goiânia vira ponto de encontro do samba durante o Carnaval

Palmares como símbolo, a rua como palco afro

Esta é a terceira vez que o Orum Aiyê desfila no Carnaval goianiense. No entanto, a cada edição, o grupo amplia seu diálogo com a cidade. O enredo escolhido resgata a trajetória do Quilombo dos Palmares, símbolo histórico da luta contra a escravidão e da organização social negra no Brasil colonial. Ou seja, a proposta vai além do entretenimento e se ancora na educação, na memória e na afirmação identitária.

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Cortejo afro transforma o Carnaval de Goiânia em ato de memória e resistência. Fotos: Mayara Varalho

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A direção-geral é assinada por Marcelo Marques e Raquel Rocha. A regência fica por conta de Noel Carvalho e Weiller Jahmaika. As coreografias levam a assinatura de Setchegnon Sokenou e Codjo Kpade, enquanto o figurino é criação de Raquel Rocha. Juntos, eles constroem o que o grupo define como uma verdadeira “ópera negra”, onde som, corpo e narrativa se entrelaçam.

Carnaval que também é encontro e celebração coletiva

Por fim, o cortejo reforça uma tendência cada vez mais presente no Carnaval brasileiro: a busca por experiências culturais que unem festa, consciência e pertencimento. Durante o trajeto, o público não apenas assiste. Ele participa. Caminha junto. Vibra junto. Aprende junto.

No dia 21, após o encerramento do cortejo, a programação segue com um pós-Carnaval na sede do Orum Aiyê Quilombo Cultural, ao som da DJ Iara Kavene, que apresenta um set especial de Black Music. Assim, a celebração se estende, mantendo viva a energia do encontro.

Carnaval de Goiânia ganha cortejo afro inspirado no Quilombo dos Palmares. Fotos: Mayara Varalho

Para quem busca um Carnaval diferente, mais conectado às raízes culturais brasileiras e à ocupação consciente da cidade, o Tambores do Orum se apresenta como uma experiência que vai além da folia tradicional.

SERVIÇO

Tambores do Orum – Orum Aiyê Quilombo Cultural

-Terça-feira – 17/02
– Horário: 16h
– Concentração: ao lado do Teatro Goiânia
– Percurso: até o Bosque dos Buritis

Mais infomações: http://instagram.com/orumaiyecultural

Sábado – 21/02
– Horário: 16h
– Concentração: Rua W-7, Residencial Morada do Ipê (ao lado do campo do Itatiaia)
– Percurso: até a sede do Orum Aiyê Quilombo Cultural – Residencial Nossa Morada
– After: DJ Iara Kavene (Black Music)

Entrada gratuita

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