Consórcios para imóveis e veículos crescem 32% e atingem R$ 500 bilhões no Brasil

Modalidade volta a ganhar espaço no país em meio ao cenário de juros altos e crédito mais restrito

Thiago Alonso
Por Thiago Alonso
Consórcios para imóveis e veículos crescem 32% e atingem R$ 500 bilhões no Brasil
Carteira com dinheiro. - Foto: Ilustração/Canva

Os consórcios tem voltado ao centro das decisões financeiras de quem busca comprar um imóvel, trocar de carro ou até investir em projetos pessoais sem depender dos juros altos praticados pelo mercado. Em um cenário de taxa Selic elevada e crédito mais caro nos bancos, a modalidade aparece como alternativa de planejamento de médio e longo prazo.

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De acordo com dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o setor alcançou números recordes em 2025, com mais de R$ 500 bilhões em créditos comercializados, o que representa crescimento de 32,1% em relação ao ano anterior. O volume de participantes ativos também chamou atenção e chegou a 12,76 milhões de brasileiros.

Para o especialista em consórcios Eurípedes Silveira Neto, o movimento está diretamente ligado ao comportamento econômico atual. Ele atua como licenciado das unidades Ademicon Ricardo Paranhos e Jardim Goiás, e explica que o cenário tem mudado a forma como o brasileiro planeja compras de maior valor.

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“Com os juros elevados, muitas pessoas passaram a enxergar o consórcio como uma alternativa mais estratégica para planejar aquisições de médio e longo prazo. É uma modalidade que exige organização financeira, mas pode trazer vantagens importantes para quem não tem urgência imediata”, afirma.

O setor imobiliário foi um dos principais motores desse crescimento. Segundo a ABAC, as vendas de cotas de imóveis avançaram mais de 36% em 2025, impulsionadas por quem busca fugir do financiamento tradicional e da alta dos juros.

Já o segmento de veículos segue como o líder em volume de adesões no país, mantendo o consórcio como uma das formas mais populares de aquisição entre os brasileiros.

Além da compra direta de bens, o consórcio também vem sendo utilizado como ferramenta de investimento e planejamento patrimonial. Segundo Eurípedes, a modalidade já ultrapassou a lógica de consumo imediato.

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“Muitos clientes utilizam a carta de crédito como ferramenta de planejamento. Hoje há quem busque o consórcio para construir, reformar, investir em imóveis ou até capitalizar projetos pessoais e empresariais”, explica.

Os valores das parcelas variam de acordo com o tipo de crédito e o prazo do grupo. Em um consórcio de imóvel de R$ 300 mil, por exemplo, as parcelas podem ficar entre R$ 1,5 mil e R$ 2,5 mil mensais. Já para veículos com carta de crédito de R$ 80 mil, as prestações costumam partir de cerca de R$ 900 por mês.

Atenção antes de aderir ao consórcio

Especialistas também reforçam a necessidade de atenção antes da adesão. É importante avaliar taxa de administração, prazo do grupo, regras de reajuste e a média de contemplação por sorteio ou lance. Diferente do financiamento, o consórcio não garante a entrega imediata do bem, o que exige disciplina financeira e organização do orçamento.

Com a expectativa de manutenção dos juros em patamar elevado ao longo de 2026, a tendência é de continuidade no crescimento do setor. A própria ABAC projeta expansão de até 11% no próximo ano, com destaque novamente para imóveis e veículos como principais motores da demanda.

O consórcio, que já foi visto apenas como alternativa de compra parcelada, hoje se consolida como uma ferramenta de planejamento financeiro cada vez mais presente na vida de milhões de brasileiros.

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