Dias de 25 horas: entenda o fenômeno que pode mudar a duração do tempo na Terra

Cientistas analisam possível fim do modelo de 24 horas

Thiago Alonso
Por Thiago Alonso
Dias de 25 horas: entenda o fenômeno que pode mudar a duração do tempo na Terra
Relógio. - Foto: Canva

A ideia de ganhar uma hora a mais no dia pode até parecer tentadora, mas a realidade é bem diferente. A ciência confirma que os dias na Terra estão ficando mais longos, com pelo menos 25 horas, porém em um ritmo tão lento que nenhuma geração atual vai perceber qualquer mudança. Esse entendimento é baseado em medições feitas com relógios atômicos e em estudos conduzidos por instituições como o Observatório Nacional, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, além de organismos internacionais responsáveis pela medição oficial do tempo.

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Esse fenômeno acontece por causa da interação gravitacional com a Lua, que atua como um freio natural no movimento do planeta. Ao puxar constantemente os oceanos e gerar as marés, o satélite cria um atrito entre a água e o fundo do mar, reduzindo aos poucos a velocidade de rotação da Terra. Esse mecanismo é conhecido como força de maré e é descrito em estudos clássicos da astronomia e da geofísica, investigados desde o século XVIII.

Esse processo ocorre há bilhões de anos. Estima-se que o planeta tenha cerca de 4,5 bilhões de anos e, desde então, vem desacelerando. Há aproximadamente 600 milhões de anos, por exemplo, um dia durava cerca de 21 horas. Esses dados são obtidos por meio de análises geológicas, como estudos de fósseis e formações sedimentares, utilizados por pesquisadores para reconstruir a duração dos dias ao longo da história da Terra. Hoje, o tempo de rotação é de 23 horas, 56 minutos e 4 segundos, valor medido com base no chamado “dia sideral”, adotado pela astronomia.

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A tendência é que os dias continuem aumentando, mas de forma quase imperceptível. A média atual é de um acréscimo de cerca de 1,7 milissegundo por século, dado consolidado por instituições como o Serviço Internacional de Sistemas de Referência e Rotação da Terra, órgão responsável por monitorar a rotação do planeta e manter os padrões globais de tempo. Para se ter ideia da escala, seriam necessários mais de 39 mil anos para acumular apenas seis milissegundos de diferença.

Por isso, o tão falado “dia de 25 horas” não deve acontecer tão cedo. As estimativas indicam que essa mudança só seria atingida daqui a cerca de 200 milhões de anos, mantendo o ritmo atual de desaceleração. Esse tipo de projeção é feito com base em modelos físicos da interação gravitacional entre Terra e Lua, amplamente aceitos na comunidade científica.

Segundo o pesquisador Fernando Roig, do Observatório Nacional, esse comportamento é estudado há séculos e faz parte da evolução natural do planeta. A rotação da Terra nunca foi totalmente constante e continua sendo monitorada com precisão por meio de instrumentos modernos.

Apesar de parecer distante, esse fenômeno já tem impactos reais na tecnologia. Sistemas como o GPS e redes de comunicação dependem de medições extremamente precisas do tempo. Por isso, cientistas utilizam relógios atômicos e aplicam ajustes chamados de “segundos intercalares”, definidos com base em dados do IERS, para manter o tempo civil sincronizado com a rotação do planeta.

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Além da influência da Lua, outros fatores também podem alterar temporariamente a velocidade de rotação da Terra. Entre eles estão grandes terremotos, derretimento de geleiras, movimentação do núcleo do planeta, correntes oceânicas e até deslocamentos de massa na atmosfera. Esses fenômenos são monitorados por instituições como a NASA e centros internacionais de geociência.

Eventos recentes mostram como esse sistema é dinâmico. Entre 2020 e 2025, cientistas registraram períodos em que a Terra girou ligeiramente mais rápido, com dias um pouco mais curtos que o padrão. Esses dados vêm de redes globais de observação, como sistemas de geodesia espacial e medições de alta precisão usadas para monitorar a rotação do planeta.

A comprovação de que os dias estão ficando mais longos também vem da geologia. Pesquisadores analisam fósseis e estruturas naturais, como anéis de crescimento em corais, que funcionam como registros do tempo. Esses métodos são amplamente utilizados em estudos publicados em revistas científicas internacionais e ajudam a reconstruir a história da rotação da Terra ao longo de bilhões de anos.

O que torna esse tema tão curioso é perceber que algo que parece fixo na rotina humana, como a duração de um dia, na verdade muda ao longo do tempo. A relação entre a Terra e a Lua segue atuando silenciosamente, milissegundo por milissegundo, em um processo que só será percebido em escalas de milhões de anos.

Mesmo assim, o assunto continua despertando interesse. Afinal, ele revela que o tempo, do jeito que conhecemos hoje, também faz parte de uma história em constante transformação.

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