Disney deve voltar a produzir filmes animados em 2D
Já tem algum tempo que a Disney fala em voltar a produzir filmes animados em 2D, mas parece que agora isso está mais próximo de acontecer

Despois do lançamento de Wish: O Poder dos Desejos, de 2024, a Disney voltou a falar sobre a possibilidade de investir em animação tradicional — aquela feita à mão, quadro a quadro, em 2D. Diretores e veteranos afirmam que a empresa está, sim, considerando voltar ao formato que consagrou clássicos como Branca de Neve e Cinderela — embora ainda faltem detalhes sobre o que virá a seguir.
Em entrevista à imprensa especializada, o co-diretor do filme, Chris Buck, afirmou que a ideia de produzir animações inteiramente em 2D está “absolutamente” em consideração, pois o personagem Star nos testes iniciais foi desenhado à mão. Ele destacou que os curtas Paperman, Feast e Far From the Tree foram laboratórios visuais que ajudaram a construir o estilo adotado em Wish.
O animador veterano Eric Goldberg — conhecido por trabalhos em Aladdin, Hércules e A Princesa e o Sapo — reforçou essa postura, observando que o estúdio está “reconhecendo parte desse legado” e formando uma nova geração com capacidade técnica para produzir animação desenhada à mão.

A Princesa e o Sapo foi uma das últimas animações 2D da Disney
Estrutura em formação e foco narrativo
Jennifer Lee, presidente do Walt Disney Animation Studios, e o produtor Peter Del Vecho afirmaram que a animação 2D ainda é parte da identidade da companhia, e que seu uso será definido pelo diretor do projeto e pelo que a história exigir. Lee observou que a produção de Wish contou com colaboração entre equipes de 2D e 3D, sob o pretexto de aprimorar silhuetas e linguagem visual no CGI.
A formação de uma equipe especificamente de 2D, com apoio de veteranos como os co-diretores Ron Clements e John Musker, mostrou que há laboratório criativo no estúdio, mesmo sem sinal de longas em produção. Essa logística não impõe pressa nem cronograma fechado — o foco está em construir uma base técnica e criativa sólida.
Viabilidade econômica, oferta e proliferação de projetos
Analistas apontam que, apesar do custo inicial em treinamento, a animação à mão pode ser mais econômica que o CGI, considerando os altos gastos com modelagem e softwares avançados. O orçamento padrão para um longa 2D varia entre US$ 5 mil e US$ 25 mil por minuto, comparado a US$ 15 mil–US$ 50 mil por minuto de um projeto em CGI. Ainda assim, há desafios para recriar essa estrutura, pois muitos animadores tradicionais migraram para o digital ao longo da década passada.
O estúdio tem mostrado que a equipe de animação tradicional pode ser novamente reunida — ainda que em formato de curtas ou séries — como foi em Once Upon a Studio (2023), que reuniu talentos especializados para criar uma homenagem especial ao centenário da Disney.
Especialistas em economia criativa investigam ainda se essa estratégia pode oferecer identidade visual diferenciada, separando a Disney de competidores como Pixar e DreamWorks. Entretanto, para ter retorno financeiro, o público deve responder bem a produções no estilo tradicional, e nem sempre isso se confirma facilmente.
Projetos em andamento e expectativas
Até o momento, não há anúncios oficiais de títulos em desenvolvimento ou cronogramas de lançamento. No entanto, a série Tiana (relacionada a A Princesa e o Sapo) segue trajetória incerta. Fontes indicam que ela seria produzida em 2D, mas foi retirada das prioridades para Disney+ em prol de lançamentos teatrais, sem confirmação de continuidade.
Enquanto isso, curtas como Paperman serviram como testes criativos, um modelo que agora começa a ser replicado em escala maior. A Walt Disney Animation foca na produção para o cinema, com o retorno de conteúdo 2D possivelmente preservado para formatos menores — sem planos confirmados para longas‑metragens 100% mão desenhada.

