Em meio a prédios e torres, um outro jeito de morar ganha espaço na Grande Goiânia
Busca por mais espaço e áreas verdes impulsiona avanço do modelo

Enquanto prédios e torres seguem disputando espaço no céu das cidades, outro tipo de moradia cresce de forma mais silenciosa, mas constante, em Goiânia. Os condomínios horizontais fechados vêm ganhando terreno como alternativa para quem busca viver longe da verticalização intensa e, ao mesmo tempo, manter proximidade com áreas urbanas estruturadas.
Na Região Metropolitana da capital, esse movimento acompanha mudanças no comportamento de famílias e investidores, que passaram a olhar com mais atenção para imóveis que oferecem mais espaço, áreas verdes e sensação de bairro planejado. O avanço do modelo não acontece por acaso e segue uma tendência observada também em outras regiões do país.
Em um cenário de maior cautela nas decisões de consumo, os condomínios horizontais vêm se consolidando como uma opção cada vez mais presente para moradia e investimento. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam que, no acumulado de janeiro a setembro de 2024, os lançamentos de unidades residenciais cresceram 17,3%, enquanto as vendas avançaram 19,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo a maior procura por imóveis residenciais no país.
Em Goiás, esse comportamento se traduz na valorização dos condomínios horizontais, impulsionada pela busca por segurança, áreas verdes, privacidade e qualidade de vida. Um levantamento do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO), divulgado em dezembro de 2024, aponta que a demanda por esse tipo de empreendimento no entorno de Goiânia tem crescido nos últimos anos, reforçando uma mudança no perfil do consumidor, intensificada no período pós-pandemia.
Para a BrDU Urbanismo, que atua há 15 anos no desenvolvimento de empreendimentos horizontais, o setor vive um novo ciclo de crescimento. Segundo o CEO da empresa, Antenor Reis, as prioridades do comprador ficaram mais claras nos últimos anos. “O condomínio fechado se consolidou como um modelo de vida. O consumidor passou a priorizar áreas verdes, privacidade, estruturas completas de convivência e uma relação mais direta com o território onde vive”, afirma.
Análises do Sindicato das Imobiliárias e Condomínios do Estado de Goiás (Secovi-GO) indicam que os condomínios horizontais devem seguir como um dos principais vetores de expansão do mercado imobiliário goiano nos próximos anos. O movimento é impulsionado pela busca do consumidor e pela oferta de projetos mais completos em lazer e urbanismo, especialmente em áreas de crescimento planejado.
Segundo o Secovi Goiás, os condomínios horizontais têm desempenhado papel decisivo na transformação urbana da capital desde o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. A expansão começou pelo eixo da GO-020, que se consolidou como um dos principais vetores de crescimento urbano de Goiânia, e depois se espalhou para regiões como o Mendanha e, mais recentemente, a saída pela GO-080. “Hoje, praticamente todas as saídas de Goiânia têm loteamentos fechados e bairros planejados”, destaca o presidente do Secovi Goiás, Antônio Carlos Costa.
Dados do IBGE mostram que o número de domicílios localizados em condomínios horizontais no Brasil ultrapassou 1,7 milhão em 2022, representando um crescimento de 76% em relação a 2010. Em Goiânia, a expansão foi ainda mais expressiva, com alta de 124% no mesmo período, colocando a capital entre as cidades com maior avanço desse modelo habitacional no país.
Para o sócio da BrDU Urbanismo, Gabriel Fortes, essa mudança está diretamente ligada ao novo olhar sobre qualidade de vida. “Segurança, silêncio, áreas verdes, convivência qualificada e autonomia voltaram ao centro da decisão, acompanhados do desejo crescente por uma casa definitiva que ofereça estabilidade e qualidade de vida familiar”, afirma. Segundo ele, famílias de classe média e alta e investidores passaram a buscar mais espaço, quintal, contato com a natureza e lazer completo.
De acordo com a Associação dos Desenvolvedores Urbanos do Estado de Goiás (ADU-GO), a região Norte de Goiânia concentra hoje as maiores expectativas de expansão para os próximos 15 a 20 anos, com potencial para receber até 30 novos condomínios fechados de forma ordenada. Obras como a duplicação da GO-402, as conexões com a GO-080 e a construção da Via Parque, que ligará a GO-080 à BR-153, ampliam a mobilidade e reforçam a atratividade do eixo.
“O Flamboyant foi essencial para consolidar a região leste. Agora, o Passeio das Águas cumpre função semelhante na região norte, impulsionando novos bairros planejados e condomínios horizontais”, observa Antônio Carlos Costa.

Villagio Toscana, o primeiro empreendimento lançado, localizado às margens da GO-080, na saída para Nerópolis. – Foto: Divulgação
Já Senador Canedo se consolida como um dos principais cases do mercado horizontal brasileiro. Segundo o estudo Panorama do Mercado Imobiliário Horizontal, elaborado pela ADU-GO em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, o município concentrou 43,7% das vendas da região no segundo trimestre de 2025, com 1.228 lotes comercializados. No acumulado de 12 meses, foram 4.466 lotes vendidos, com VGV de R$ 1,3 bilhão, liderando de forma isolada o segmento.
O desempenho é atribuído à combinação entre localização estratégica, gestão municipal moderna e ambiente regulatório favorável. Para o vice-presidente da ADU-GO, Bruno Altino, esses fatores ajudam a explicar a força do município no mercado horizontal.
A BrDU observa ainda que o perfil do comprador está mais criterioso. Hoje, o consumidor compara regiões, avalia mobilidade, infraestrutura urbana e áreas verdes antes de tomar uma decisão. “O consumidor de 2026 chega mais informado e mais exigente. Não se trata apenas de adquirir um lote, mas de investir em qualidade de vida e estabilidade patrimonial”, conclui Gabriel Fortes.
