10 filmes sobre a escolha do Papa e os bastidores do conclave

Fernanda Cappellesso
Por Fernanda Cappellesso
10 filmes sobre a escolha do Papa e os bastidores do conclave
O conclave, um dos momentos mais enigmáticos da Igreja Católica, já inspirou grandes filmes sobre poder, fé e política.

Nos corredores do Vaticano, o burburinho cresce. O Papa Francisco, que há anos enfrenta problemas de saúde, recentemente sofreu um agravamento de sua pneumonia, reacendendo especulações sobre uma possível renúncia ou mesmo um novo conclave. Se o líder da Igreja Católica decidir abdicar do cargo ou vier a falecer, o mundo voltará seus olhos para um dos processos mais enigmáticos e cheios de simbolismo da Igreja: a escolha de um novo Papa.

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Ao longo dos séculos, o conclave foi palco de manobras políticas, disputas de poder e momentos de profunda espiritualidade. E o cinema, como espelho da realidade, não poderia deixar de explorar esse fascinante evento. Desde narrativas ficcionais a filmes baseados em fatos reais, a eleição papal já foi abordada em diversas produções, que analisam não apenas o processo de sucessão, mas também os dilemas éticos e espirituais dos envolvidos.

A seguir, apresentamos dez filmes que mergulham nos bastidores do papado e do conclave, cada um com sua abordagem particular sobre o tema, acompanhados de sua recepção crítica e onde podem ser assistidos.

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1. Conclave (2024)

🎬 Direção: Edward Berger
🎭 Elenco: Ralph Fiennes, John Lithgow, Stanley Tucci
🏆 Indicações ao Oscar: 8 indicações, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator (Ralph Fiennes)
📺 Onde assistir: Em cartaz nos cinemas

Lançado recentemente, Conclave é um thriller político dirigido por Edward Berger (Nada de Novo no Front), que mergulha nas complexidades do processo de sucessão papal. O filme se passa inteiramente dentro dos muros do Vaticano, onde os cardeais mais influentes da Igreja Católica se reúnem para escolher um novo pontífice após a morte inesperada do Papa.

O protagonista, o cardeal Thomas Lawrence (Ralph Fiennes), é um dos membros da cúpula e assume um papel fundamental no conclave. À medida que o processo avança, ele se depara com uma rede de intrigas e conspirações, revelando segredos que podem não apenas alterar o rumo da eleição, mas também abalar os pilares da Igreja. O filme constrói um retrato tenso e envolvente do conclave, destacando o embate entre tradição e modernidade dentro da instituição religiosa.

A crítica recebeu o filme de forma majoritariamente positiva, elogiando a direção meticulosa de Berger, que consegue transformar os corredores do Vaticano em um cenário repleto de suspense e claustrofobia. O uso de uma paleta de cores frias e uma cinematografia meticulosa criam uma atmosfera austera, intensificando a sensação de confinamento e mistério. O roteiro, baseado no livro homônimo de Robert Harris, equilibra com maestria o drama político e a profundidade psicológica dos personagens, conferindo ao filme um tom de realismo e autenticidade.

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O público também respondeu positivamente, destacando a atuação de Ralph Fiennes como um dos pontos altos do filme. Seu desempenho transmite a tensão e o peso das decisões tomadas nos bastidores do conclave, ao mesmo tempo em que explora a dualidade entre fé e ambição dentro da Igreja. A narrativa envolvente, cheia de reviravoltas, mantém os espectadores intrigados do início ao fim.

Com um elenco de peso e um enredo instigante, Conclave se firma como uma das melhores representações cinematográficas do processo de escolha de um Papa. O filme atualmente está em cartaz nos cinemas e, em breve, deve chegar às plataformas de streaming, com previsão de lançamento no Prime Video e Apple TV.

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2. Dois Papas (2019)

🎬 Direção: Fernando Meirelles
🎭 Elenco: Anthony Hopkins, Jonathan Pryce
🏆 Indicações ao Oscar: Melhor Ator (Jonathan Pryce), Melhor Ator Coadjuvante (Anthony Hopkins), Melhor Roteiro Adaptado
📺 Onde assistir: Netflix

Inspirado em eventos reais, Dois Papas é um drama biográfico dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel) e roteirizado por Anthony McCarten (A Teoria de Tudo). O filme dramatiza os encontros entre o Papa Bento XVI (Anthony Hopkins) e o então cardeal Jorge Mario Bergoglio (Jonathan Pryce), futuro Papa Francisco, nos anos que antecederam a renúncia histórica do pontífice alemão em 2013.

O filme se aprofunda nas diferenças ideológicas e filosóficas entre os dois homens que, apesar de pertencerem à mesma instituição, possuem visões de mundo completamente opostas. Bento XVI é retratado como um intelectual conservador, defensor da doutrina tradicional da Igreja e de um catolicismo rígido, enquanto Bergoglio encarna um espírito reformista, mais próximo das questões sociais e aberto a mudanças estruturais dentro da instituição.

A narrativa não se limita a expor esses contrastes, mas também busca humanizar os protagonistas, explorando suas dúvidas, angústias e os desafios internos que enfrentam. Em um dos momentos mais impactantes do filme, Bento XVI admite sua própria fragilidade e sua incapacidade de continuar liderando a Igreja, algo raro em um personagem normalmente representado de maneira distante e imutável. Da mesma forma, Bergoglio se vê confrontado por seu passado, principalmente por sua atuação durante a ditadura militar argentina, em um dilema moral que o assombra.

Visualmente, Dois Papas combina grandiosidade e intimidade. A recriação dos ambientes do Vaticano é impressionante, transportando o espectador para os bastidores da Igreja com uma fotografia sofisticada e enquadramentos que enfatizam o peso simbólico das decisões tomadas dentro daqueles muros. As cenas de conversas entre Bento XVI e Bergoglio são filmadas de maneira a criar uma tensão sutil, quase como um jogo de xadrez ideológico, onde cada diálogo tem um peso emocional profundo.

A recepção crítica foi extremamente positiva, com destaque para as atuações de Hopkins e Pryce, cuja química em cena foi amplamente elogiada. Hopkins constrói um Bento XVI introspectivo e melancólico, ao passo que Pryce traz um Bergoglio carismático e espirituoso, equilibrando leveza e profundidade. A direção de Meirelles foi aclamada por sua abordagem acessível e cativante, conseguindo transformar um debate teológico em um drama envolvente.

O filme recebeu três indicações ao Oscar: Melhor Ator (Jonathan Pryce), Melhor Ator Coadjuvante (Anthony Hopkins) e Melhor Roteiro Adaptado. Além disso, foi amplamente reconhecido em premiações internacionais, incluindo o BAFTA e o Globo de Ouro.

O público também respondeu positivamente, elogiando a forma como Dois Papas conseguiu humanizar duas figuras normalmente vistas como inatingíveis. Muitos espectadores destacaram a sensibilidade com que o roteiro aborda temas como perdão, arrependimento e legado. A trilha sonora, que mistura composições clássicas com músicas populares (como “Dancing Queen”, do ABBA, em uma cena memorável), também foi um dos aspectos mais comentados e apreciados.

Disponível na Netflix, Dois Papas é um filme essencial para quem deseja entender não apenas a relação entre Bento XVI e Francisco, mas também os desafios que a Igreja Católica enfrenta no século XXI.

3. Habemus Papam (2011)

🎬 Direção: Nanni Moretti
🎭 Elenco: Michel Piccoli, Nanni Moretti
🏆 Festival de Cannes: Seleção oficial
📺 Onde assistir: Apple TV, Google Play

Dirigido pelo italiano Nanni Moretti, Habemus Papam (2011) é uma comédia dramática que adota uma abordagem inusitada para retratar os bastidores do Vaticano e o peso da liderança papal. O filme parte de uma premissa original e surpreendente: o novo Papa, recém-eleito pelos cardeais, sofre uma grave crise de ansiedade e se recusa a assumir o cargo, mergulhando em um impasse psicológico que paralisa toda a Igreja.

O protagonista, o cardeal Melville (interpretado magistralmente por Michel Piccoli), nunca foi um dos favoritos ao trono de São Pedro, mas acaba sendo escolhido em meio ao conclave. No entanto, assim que é anunciado ao mundo, ele entra em pânico e não consegue aparecer na sacada da Basílica de São Pedro para proferir a tradicional bênção “Urbi et Orbi”. O Vaticano, então, convoca um psicanalista (vivido pelo próprio Nanni Moretti) para ajudá-lo a superar seu medo.

O que se desenrola a partir desse momento é uma mistura de humor e melancolia, enquanto Melville tenta entender o peso de sua responsabilidade e encontra refúgio em um inesperado exílio pelas ruas de Roma, onde busca redescobrir sua própria identidade e humanidade. Paralelamente, os cardeais, isolados dentro do Vaticano, tentam ganhar tempo enquanto aguardam uma solução para a crise.

Temas e Significados

Diferente da maioria dos filmes que abordam o Vaticano de maneira solene ou conspiratória, Habemus Papam segue um caminho filosófico e introspectivo. O filme questiona a infalibilidade papal, a solidão do poder e o impacto psicológico de ser escolhido para uma posição que exige perfeição. Ao retratar um Papa em dúvida, Moretti desmonta a aura de divindade que cerca essa figura, expondo sua humanidade e fragilidade.

A relação entre religião e psicanálise também é um ponto central da trama. O psicanalista, um ateu racional, tenta entender o que se passa na mente de um homem que deveria estar no comando da maior instituição religiosa do mundo, mas que está completamente perdido. O contraste entre a lógica da terapia e o mistério da fé rende momentos de humor refinado e ironia inteligente.

Recepção da Crítica e do Público

A recepção crítica de Habemus Papam foi extremamente positiva, principalmente na Europa, onde o filme concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2011. Michel Piccoli foi amplamente elogiado por sua interpretação sensível e complexa, conseguindo transmitir toda a angústia e vulnerabilidade do personagem sem recorrer a exageros dramáticos.

O público se dividiu: alguns consideraram o filme uma crítica sutil ao Vaticano, vendo nele um comentário sobre a burocracia e a rigidez da instituição. Outros apreciaram o humor melancólico e a reflexão sobre as responsabilidades que vêm com o poder. Na Itália, a recepção foi mista, com setores mais conservadores da Igreja interpretando a obra como uma sátira desrespeitosa, enquanto outros a viram como uma homenagem delicada ao dilema humano da fé.

Legado e Disponibilidade

Com o tempo, Habemus Papam se consolidou como uma das obras mais singulares sobre o tema do papado, oferecendo uma visão alternativa ao retrato geralmente austero do Vaticano no cinema. O filme é um estudo sobre a crise de identidade, o medo da grandeza e a impossibilidade de corresponder às expectativas divinas e humanas.

Para quem deseja assistir, Habemus Papam está disponível para aluguel e compra em Apple TV, Google Play e YouTube.

4. As Sandálias do Pescador (1968)

🎬 Direção: Michael Anderson
🎭 Elenco: Anthony Quinn, Laurence Olivier
🏆 Indicações ao Oscar: Melhor Trilha Sonora
📺 Onde assistir: Google Play, YouTube

Baseado no best-seller de Morris West, As Sandálias do Pescador (1968) é um dos filmes mais ambiciosos já feitos sobre o papado, misturando elementos políticos, religiosos e filosóficos em um drama grandioso e visionário. Dirigido por Michael Anderson (A Volta ao Mundo em 80 Dias), o longa explora o impacto global da Igreja Católica em um mundo dividido entre duas superpotências, em plena Guerra Fria.

A história segue Kiril Lakota (Anthony Quinn), um arcebispo ucraniano que passou 20 anos preso em um campo de trabalhos forçados na Sibéria sob o regime soviético. Quando inesperadamente é libertado pelo líder da União Soviética, Lakota viaja a Roma e, após a morte do Papa, é escolhido como seu sucessor, assumindo o trono de São Pedro com o nome de Papa Kiril I.

O que se desenrola a partir daí é um drama político-religioso revolucionário para sua época: o novo Papa precisa mediar uma crise internacional devastadora, enquanto enfrenta pressões tanto dentro da Igreja quanto da comunidade global. Lakota se vê em uma posição inesperada de poder, forçado a equilibrar diplomacia, fé e moralidade para evitar uma guerra nuclear iminente entre os EUA e a URSS.


Um Papa Atípico e a Igreja na Política Global

Diferente das narrativas tradicionais sobre o Vaticano, As Sandálias do Pescador traz um Papa outsider, um homem humilde que nunca imaginou estar no comando da Igreja, muito menos em um momento tão crítico. Lakota não só luta com sua própria inadequação, mas também desafia as normas estabelecidas, adotando uma visão mais próxima dos pobres e marginalizados, contrastando com a estrutura rígida do clero.

O filme reflete sobre o papel da Igreja como mediadora em conflitos globais, mostrando o Vaticano não apenas como um centro espiritual, mas também como uma força política ativa. Ao final, Lakota toma uma decisão radical que desafia as convenções tradicionais do papado, ecoando discussões que só viriam a se tornar mais frequentes na Igreja décadas depois.

Outro aspecto fascinante do filme é seu retrato dos cardeais e do conclave, explorando as disputas internas e os jogos de poder entre diferentes facções da Igreja. O filme antecipa questões que se tornariam cada vez mais relevantes na escolha dos Papas modernos, como o embate entre conservadores e progressistas e o impacto do papado no cenário geopolítico mundial.

Recepção Crítica e Impacto Cultural

Na época de seu lançamento, As Sandálias do Pescador foi amplamente elogiado por sua narrativa visionária, que abordava temas que pareciam distantes em 1968, mas que se tornariam cada vez mais reais. A crítica destacou a abordagem humanista e reflexiva do filme, além da impressionante atuação de Anthony Quinn, que trouxe profundidade e carisma ao personagem de Kiril Lakota. Sua interpretação de um Papa humanitário e progressistaressoou fortemente com o público, especialmente à luz das reformas implementadas pelo Concílio Vaticano II na década de 1960.

O filme também foi um marco na forma como Hollywood retratava o Vaticano e o conclave papal. Até então, a maioria das produções sobre a Igreja Católica tratava o papado como uma instituição distante e inatingível. As Sandálias do Pescador foi uma das primeiras obras a humanizar a figura do Papa, mostrando suas dúvidas, desafios e dilemas morais.

A produção foi indicada ao Oscar de Melhor Trilha Sonora pelo trabalho do lendário compositor Alex North, cuja música ajudou a reforçar a grandiosidade e a atmosfera solene do filme. Apesar de não ter vencido prêmios principais, o longa se tornou um clássico cult e continua sendo uma referência quando se fala em filmes sobre o papado.

Legado e Atual Relevância

Mesmo após mais de 50 anos de seu lançamento, As Sandálias do Pescador mantém sua relevância atemporal. A discussão sobre o papel da Igreja em crises globais, a necessidade de renovação dentro da instituição e os dilemas éticos do papado continuam sendo temas atuais.

Além disso, a trajetória de Papa Francisco apresenta muitas semelhanças com a ficção: um Papa vindo de fora dos tradicionais círculos de poder, com um olhar mais voltado para os marginalizados e que desafia certas convenções históricas do Vaticano. Isso fez com que o filme ganhasse ainda mais força nas discussões modernas sobre o papado.

Para quem deseja assistir a um filme épico, reflexivo e com um olhar político sobre a Igreja Católica, As Sandálias do Pescador continua sendo uma das obras mais fascinantes já produzidas sobre o tema.

Onde Assistir

As Sandálias do Pescador está disponível para aluguel e compra no Google Play e YouTube.

5. O Cardeal (1963)

🎬 Direção: Otto Preminger
🎭 Elenco: Tom Tryon, John Huston
🏆 Indicações ao Oscar: 6 indicações (venceu Melhor Atriz Coadjuvante)
📺 Onde assistir: Amazon Prime Video

Dirigido pelo renomado cineasta Otto Preminger, O Cardeal (1963) é um drama épico que acompanha a trajetória de um jovem sacerdote que, ao longo de sua vida, enfrenta dilemas morais, sociais e políticos que testam sua fé e sua vocação religiosa. Diferente de outras produções sobre o Vaticano e a Igreja Católica, que geralmente se concentram em um único evento ou figura papal, este filme oferece um retrato abrangente das tensões internas da Igreja durante um dos períodos mais turbulentos do século XX.

A narrativa segue Stephen Fermoyle (Tom Tryon), um jovem e idealista padre americano de ascendência irlandesa, que, ao longo de duas décadas, passa por uma jornada de amadurecimento e confronta desafios que vão desde a ascensão do nazismo na Europa até a segregação racial nos Estados Unidos. Sua trajetória dentro da Igreja o leva a posições de crescente responsabilidade, até que, finalmente, ele se torna cardeal, um dos cargos mais influentes no Vaticano.

O grande mérito do filme está na forma como explora as pressões e contradições dentro da Igreja Católica, que precisa lidar com questões éticas e sociais que afetam diretamente seus fiéis. Ao invés de apresentar uma visão idealizada da instituição, O Cardeal não foge de temas polêmicos, trazendo à tona debates sobre:

  • Racismo e Segregação Racial: Fermoyle presencia a discriminação racial nos Estados Unidos e se vê dividido entre as doutrinas da Igreja e a necessidade de lutar por igualdade.
  • Aborto: Uma das sequências mais controversas do filme mostra Fermoyle enfrentando um conflito familiar ao precisar aconselhar sua própria irmã em relação a uma gravidez de risco.
  • Nazismo e a Perseguição aos Cristãos: O protagonista testemunha em primeira mão a crescente ameaça do regime nazista na Europa e precisa decidir qual o papel da Igreja diante desse cenário de horror.

O filme também aborda a própria estrutura interna da Igreja, expondo a complexidade da hierarquia católica e o embate entre o desejo de renovação e a manutenção de tradições seculares. Fermoyle é constantemente testado, não apenas por eventos externos, mas também pelas regras rígidas da instituição, que muitas vezes entram em conflito com sua consciência e valores pessoais.

Coragem ao Enfrentar Temas Tabus

Na época de seu lançamento, O Cardeal foi amplamente elogiado por sua abordagem ousada e pela maneira como trouxe à tona questões delicadas dentro da Igreja, algo pouco comum para filmes da década de 1960. Preminger, conhecido por seu estilo provocador e por desafiar censuras, não hesitou em tocar em assuntos considerados tabus, tornando o filme uma obra densa e provocativa.

A crítica destacou a direção habilidosa de Otto Preminger, que conseguiu equilibrar os aspectos religiosos, históricos e pessoais da jornada de Fermoyle sem transformar o filme em uma peça panfletária. A atuação de Tom Tryon, embora discreta, foi eficiente ao retratar a evolução do personagem, passando de um jovem ingênuo a um líder eclesiástico experiente e politicamente consciente.

O lendário John Huston, que interpreta um dos superiores de Fermoyle, recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, enquanto a atriz Edith Evans venceu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por sua performance impactante.

Além das indicações ao Oscar, o filme também concorreu ao Globo de Ouro, sendo lembrado como uma das produções mais ambiciosas da época a retratar a Igreja Católica de forma realista e sem idealizações exageradas.

Reação do Público e Legado

O público da época teve uma reação mista ao filme. Enquanto muitos apreciaram a forma madura e corajosa como O Cardeal abordou os desafios enfrentados pela Igreja, setores mais conservadores consideraram a narrativa desnecessariamente crítica e política. Algumas exibições chegaram a ser boicotadas por grupos religiosos que acreditavam que o filme poderia manchar a imagem da Igreja Católica.

Com o passar dos anos, no entanto, a obra foi reavaliada e hoje é vista como uma das melhores produções cinematográficas a tratar de questões teológicas e morais com seriedade e profundidade. Sua relevância permanece intacta, especialmente porque muitos dos dilemas enfrentados pelo protagonista ainda ecoam na Igreja moderna, incluindo debates sobre direitos humanos, política e o papel do clero na sociedade.

A grandiosidade da produção, combinada com sua abordagem realista, torna O Cardeal um filme essencial para quem deseja compreender os desafios internos do Vaticano e a complexidade do papado no século XX.

Onde Assistir

Atualmente, O Cardeal está disponível para aluguel e compra no Amazon Prime Video.

6. A Papisa Joana (2009)

🎬 Direção: Sönke Wortmann
🎭 Elenco: Johanna Wokalek, David Wenham
📺 Onde assistir: Google Play

A Papisa Joana (2009), dirigido pelo cineasta alemão Sönke Wortmann, é um drama histórico inspirado em uma das lendas mais fascinantes e controversas da Idade Média: a história de uma mulher que teria se disfarçado de homem e alcançado o cargo mais alto da Igreja Católica, tornando-se Papa João VIII no século IX.

A narrativa se baseia no romance de Donna Woolfolk Cross, que expandiu a lenda medieval para transformá-la em um épico cheio de política, traição e desafios impostos pelo patriarcado. O filme mistura ficção e história, explorando não apenas o suposto papado feminino, mas também a sociedade medieval e os obstáculos enfrentados por mulheres que buscavam conhecimento e poder em uma época dominada por homens.

A História de Joana: Uma Mulher no Trono de São Pedro

A trama acompanha a trajetória de Joana (Johanna Wokalek), filha de um rigoroso padre que a impede de estudar por acreditar que mulheres não deveriam ter acesso ao conhecimento. No entanto, Joana demonstra desde a infância uma inteligência excepcional e uma sede insaciável por aprendizado, o que a leva a desafiar as normas de sua época.

Para escapar de um casamento forçado e das restrições impostas às mulheres, Joana se disfarça de homem e ingressa em um mosteiro beneditino, adotando o nome de Johannes Anglicus. Seu conhecimento e habilidades médicas rapidamente chamam a atenção da Igreja, e ela ascende na hierarquia eclesiástica, eventualmente chegando a Roma.

Lá, graças à sua sabedoria e destreza política, ela se torna conselheira do Papa e, com sua morte, é eleita sumo pontífice, assumindo o nome de Papa João VIII. No entanto, sua identidade secreta se torna cada vez mais difícil de esconder, especialmente quando ela engravida, levando a uma série de eventos dramáticos que culminam em um final trágico e controverso.

Ficção ou Realidade? O Debate Histórico

A lenda da Papisa Joana tem sido debatida há séculos. Os primeiros relatos sobre essa história surgiram por volta do século XIII, mas não há provas concretas de que ela realmente existiu. A Igreja Católica sempre negou veementemente a possibilidade de que uma mulher tenha ocupado o trono de São Pedro.

No entanto, alguns estudiosos argumentam que a lenda pode ter sido baseada em eventos reais, talvez uma história deturpada ao longo dos séculos, refletindo o papel limitado das mulheres na Igreja e na sociedade medieval. O filme aproveita essa ambiguidade para construir uma narrativa instigante e provocativa, levantando questões sobre o machismo estrutural da época e o poder das mulheres em um mundo que tentava silenciá-las.

Recepção Crítica e do Público

Ao ser lançado, A Papisa Joana gerou grande debate, especialmente em países de forte tradição católica. O Vaticano nunca se pronunciou oficialmente sobre o filme, mas alguns religiosos o consideraram ofensivo e historicamente irresponsável, enquanto outros o enxergaram como uma interessante reflexão sobre o papel da mulher na Igreja.

A crítica teve reações mistas. Enquanto alguns elogiaram a qualidade da produção, a fotografia detalhada e a atuação intensa de Johanna Wokalek, outros consideraram o filme excessivamente longo e dramático, com algumas liberdades artísticas que descaracterizariam o contexto medieval.

O público, no entanto, abraçou a história, e o filme se tornou um sucesso de bilheteria na Alemanha, onde arrecadou mais de US$ 27 milhões. A narrativa envolvente e a temática feminista atraíram muitos espectadores que, mesmo sem acreditar na veracidade dos eventos, ficaram fascinados pelo enredo.

Impacto e Discussões Modernas

Mesmo sendo uma história lendária, A Papisa Joana ressoa fortemente nos debates contemporâneos sobre o papel da mulher na Igreja Católica. Atualmente, há um movimento crescente dentro do catolicismo que questiona a exclusão das mulheres dos principais cargos religiosos e defende maior participação feminina dentro da hierarquia eclesiástica.

O filme, portanto, funciona como um espelho das discussões atuais, levando os espectadores a refletirem sobre até que ponto certas tradições são justificáveis e se a Igreja está realmente aberta a mudanças.

Independentemente da veracidade da lenda, A Papisa Joana continua sendo uma narrativa poderosa sobre resistência, coragem e o desejo de romper barreiras impostas pela sociedade.

Onde Assistir

A Papisa Joana está disponível para aluguel e compra no Google Play e YouTube.

7. Francisco, o Papa do Povo (2015)

🎬 Direção: Daniele Luchetti
🎭 Elenco: Rodrigo de la Serna
📺 Onde assistir: Netflix

O filme dramatiza a trajetória de Jorge Bergoglio, desde sua juventude na Argentina até sua eleição como Papa Francisco. Destaca sua formação jesuíta e seu papel na ditadura militar.

A crítica elogiou o retrato intimista, e o público se emocionou com a abordagem humanizada.

8. João Paulo II (2005)

🎬 Direção: John Kent Harrison
🎭 Elenco: Jon Voight, Cary Elwes
📺 Onde assistir: Apple TV

O filme biográfico João Paulo II (2005) retrata a extraordinária trajetória de Karol Wojtyła, o primeiro papa polonês da história e um dos pontífices mais influentes do século XX. Dirigido por John Kent Harrison, a produção é um drama épico que cobre desde a juventude de Wojtyła, passando por seu papel na resistência ao regime nazista, sua ascensão ao Vaticano e seu longo e impactante papado.

A minissérie, que foi dividida em dois episódios e posteriormente lançada como um longa-metragem, foi uma das primeiras grandes produções sobre a vida de João Paulo II após sua morte, em abril de 2005. O filme foi produzido com apoio do Vaticano, garantindo um alto nível de precisão histórica em sua reconstrução dos eventos mais marcantes da vida do pontífice.

A Jornada de Karol Wojtyła: De Operário a Líder da Igreja Católica

O filme começa na Polônia ocupada pelos nazistas, onde um jovem Karol Wojtyła (interpretado por Cary Elwes, na fase jovem) trabalha em uma pedreira para evitar ser deportado para os campos de concentração. Durante esse período, ele desenvolve sua vocação religiosa em meio à perseguição nazista contra a Igreja Católica, tornando-se seminarista e, posteriormente, padre.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Polônia cai sob o domínio do regime comunista soviético, impondo novos desafios à Igreja Católica, que se torna um alvo da repressão estatal. Wojtyła, já arcebispo de Cracóvia, enfrenta pressões, censura e ameaças, mas se mantém firme na defesa da liberdade religiosa e dos direitos humanos.

Em 1978, surpreendendo o mundo, ele é eleito Papa, assumindo o nome de João Paulo II, tornando-se o primeiro pontífice não italiano em mais de 400 anos. A partir desse momento, o filme se concentra em sua atuação como líder espiritual e político, enfatizando suas visitas internacionais, seu papel na queda do comunismo na Europa Oriental e sua luta por justiça social e direitos humanos.

Com a passagem dos anos, o longa também mostra os desafios que João Paulo II enfrentou em sua velhice, incluindo o atentado de 1981, cometido pelo extremista Mehmet Ali Ağca, e sua batalha contra o mal de Parkinson, que fragilizou sua saúde, mas nunca enfraqueceu sua fé e sua determinação.

A Performance de Jon Voight e o Impacto Emocional

Na fase adulta e idosa, João Paulo II é interpretado brilhantemente por Jon Voight, que entrega uma performance intensa e emocionante. Ele conseguiu capturar os maneirismos e a postura carismática do Papa, tornando-se um dos aspectos mais elogiados do filme.

Voight, que já era um ator consagrado, foi indicado ao Prêmio Emmy por sua atuação, sendo amplamente reconhecido por sua entrega ao papel. Seu desempenho ajudou a dar ao filme um tom autêntico e respeitoso, evitando exageros ou idealizações excessivas.

O próprio Papa Bento XVI assistiu à minissérie antes de seu lançamento oficial, e a produção recebeu aprovação do Vaticano, o que ajudou a fortalecer sua credibilidade histórica.

Recepção Crítica e do Público

A crítica especializada destacou:

  • A fidelidade histórica, especialmente nas cenas de guerra e na luta da Igreja contra o comunismo.
  • A atuação impecável de Jon Voight, que trouxe profundidade ao papel.
  • A qualidade da reconstituição de época, desde a Polônia ocupada até os eventos históricos do final do século XX.

O público católico e admiradores de João Paulo II receberam o filme de maneira extremamente positiva. Muitos espectadores destacaram o quanto a obra conseguiu transmitir a espiritualidade, a compaixão e o impacto global do Papa, que viajou para mais de 120 países, defendendo a paz e a dignidade humana.

Apesar das avaliações majoritariamente positivas, alguns críticos apontaram que o filme poderia ter explorado mais os dilemas internos do pontífice, evitando uma abordagem excessivamente reverente. No entanto, para muitos, a proposta da produção não era um retrato controverso, mas sim uma homenagem à memória de João Paulo II.

Legado e Influência de João Paulo II

O longa não apenas narra a história de um dos papas mais influentes da história moderna, mas também reflete sobre seu impacto na política mundial, na queda da União Soviética e na reaproximação entre religiões.

João Paulo II foi um dos pontífices mais amados do século XX, e sua liderança carismática ajudou a renovar a fé católica em um período de transformações sociais e políticas. O filme ressalta sua importância não apenas como líder religioso, mas como figura global, capaz de mobilizar multidões e influenciar eventos históricos.

Mesmo anos após seu falecimento, seu legado permanece vivo, e sua trajetória continua a inspirar milhões de fiéis ao redor do mundo.

Onde Assistir

João Paulo II (2005) está disponível para aluguel e compra na Apple TV.

9. The Young Pope (2016)

🎬 Criação: Paolo Sorrentino
🎭 Elenco: Jude Law, Diane Keaton
📺 Onde assistir: HBO Max

A série acompanha um fictício Papa norte-americano, Pio XIII, explorando seu comportamento controverso e sua visão autoritária da Igreja.

10. The New Pope (2020)

🎬 Criação: Paolo Sorrentino
🎭 Elenco: John Malkovich, Jude Law
📺 Onde assistir: HBO Max

The New Pope (2020) é a continuação direta da aclamada série The Young Pope (2016), ambas dirigidas pelo premiado cineasta italiano Paolo Sorrentino (A Grande Beleza, Juventude). A série dá continuidade à trama política e filosófica sobre o papado moderno, trazendo um olhar provocativo, estilizado e, por vezes, surrealista sobre os bastidores do Vaticano.

Se em The Young Pope acompanhamos a ascensão do controverso Papa Pio XIII (Jude Law), um jovem e carismático pontífice com ideias ultraconservadoras, The New Pope explora o impacto de sua inesperada ausência e a eleição de um novo líder para a Igreja Católica, interpretado por John Malkovich.

Trama: A Sucessão de um Papa e os Bastidores do Vaticano

A segunda temporada começa com Pio XIII (Jude Law) em coma, deixando um vácuo de poder dentro do Vaticano. Enquanto o mundo acompanha o destino do jovem papa com expectativa, os cardeais precisam tomar uma decisão urgente: eleger um novo pontífice.

A escolha recai sobre Sir John Brannox (John Malkovich), um aristocrata inglês com uma personalidade refinada, culto e enigmático, que assume o nome de Papa João Paulo III. No entanto, apesar de seu discurso moderado e conciliador, Brannox carrega um passado traumático e uma profunda insegurança, que o tornam vulnerável aos jogos de poder dentro da Cúria Romana.

Enquanto isso, no mundo exterior, Pio XIII permanece uma figura quase mítica, idolatrado por fiéis que acreditam em sua santidade e esperam um possível retorno milagroso. Esse culto crescente gera tensões políticas e religiosas, tornando a transição papal ainda mais complicada.

A série se aprofunda nos bastidores do poder no Vaticano, explorando as complexas relações entre a fé, a política e a corrupção dentro da Igreja Católica.

Temas e Abordagem Visual

Como na primeira temporada, The New Pope mantém a assinatura estilística de Paolo Sorrentino, marcada por uma estética exuberante, trilha sonora moderna e cenas oníricas que contrastam com a austeridade tradicional da Igreja.

A série levanta reflexões profundas sobre temas como:

  • O papel da Igreja no mundo moderno – Como conciliar tradição e renovação em um tempo de rápidas mudanças sociais?
  • A imagem do Papa como uma figura política e espiritual – Até que ponto um pontífice é um líder religioso ou apenas um símbolo de poder?
  • A crise de fé – Tanto Brannox quanto Pio XIII são retratados como homens atormentados por suas próprias crenças e dúvidas existenciais.
  • Os bastidores e conspirações do Vaticano – Os cardeais e altos membros da Igreja estão sempre envolvidos em jogos de influência e estratégias políticas.

Enquanto Pio XIII era retratado como um Papa imprevisível e radical, Brannox surge como seu oposto, um homem discreto, intelectual e aparentemente frágil, criando um interessante conflito entre duas visões opostas de liderança religiosa.

Recepção Crítica e do Público

A recepção de The New Pope foi majoritariamente positiva, com a crítica destacando:

A atuação brilhante de John Malkovich, que entrega um Papa melancólico e introspectivo, contrastando com a energia explosiva de Jude Law.
A estética impecável de Paolo Sorrentino, com cenários deslumbrantes, fotografia sofisticada e um uso marcante da trilha sonora.
O roteiro afiado, que mescla ironia, humor satírico e drama político de forma envolvente.

No entanto, alguns espectadores consideraram o ritmo mais lento e contemplativo em comparação com The Young Pope, além de questionarem o excesso de simbolismos e cenas surreais típicas do estilo de Sorrentino.

Apesar disso, a série manteve uma base fiel de fãs, consolidando-se como uma das produções mais ambiciosas e inteligentes sobre o Vaticano já feitas.

Legado e Impacto

Com The Young Pope e The New Pope, Paolo Sorrentino reinventou a maneira como o papado é retratado no audiovisual, fugindo do tom solene e tradicional para criar uma narrativa instigante, repleta de provocações filosóficas e estéticas.

Para quem busca uma visão moderna, artística e intrigante dos bastidores do Vaticano, The New Pope é uma experiência única e imperdível.

Onde Assistir

The New Pope está disponível na HBO Max.

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