Quase ninguém percebe, mas Goiânia foi desenhada com inspiração na França

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
Quase ninguém percebe, mas Goiânia foi desenhada com inspiração na França
Vista Aérea da Praça Cívica. 196-. ColonVist. Goiânia – GO. Acervo MIS|GO.

Quem caminha pelo Centro de Goiânia talvez não perceba. No entanto, cada avenida larga, cada eixo que converge para a Praça Cívica, carrega uma história que atravessa continentes. E, mais do que isso, revela uma inspiração que pouca gente conhece.

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Ao completar mais de nove décadas de história, a capital goiana guarda em seu traçado urbano uma influência direta do urbanismo europeu. Desde o início, Goiânia não surgiu de forma espontânea. Pelo contrário. Foi planejada. E pensada para o futuro.

Praça Cívica. 196-. Hélio de Oliveira. Goiânia – GO. Acervo MIS|GO.

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Um projeto que nasceu com olhar internacional

A cidade começou a ser desenhada na década de 1930. À frente do projeto estava o urbanista Atílio Corrêa Lima. Formado em Paris, ele trouxe referências claras do urbanismo francês. Ou seja, Goiânia nasceu inspirada em modelos europeus, especialmente no conceito de cidades radiocêntricas.

Atílio Corrêa Lima. Foto: Arquivo Pessoal

Esse tipo de planejamento organiza o espaço a partir de um ponto central. No caso da capital, a Praça Cívica. A partir dali, avenidas importantes se espalham de forma estratégica. Entre elas, Goiás, Araguaia e Tocantins. Sendo assim, o desenho urbano facilita circulação, organização e expansão.

Posteriormente, o engenheiro Armando Augusto de Godoy deu continuidade ao projeto. Ele manteve a essência original. Além disso, contribuiu para consolidar a proposta de uma cidade moderna e funcional.

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Entre mitos e realidade

Com o passar dos anos, surgiram interpretações curiosas sobre o formato da cidade. Uma das mais conhecidas sugere uma inspiração religiosa no traçado urbano. No entanto, estudos técnicos não confirmam essa hipótese.

Goiânia

Chegada do Presidente Getúlio Vargas ao Palácio das Esmeraldas. 5 de agosto de 1940. Autor não Identificado. Goiânia – GO. Acervo MIS|GO.

Pesquisas indicam que o desenho segue, de fato, princípios clássicos do urbanismo europeu. Ou seja, a lógica está na geometria, na funcionalidade e na estética. Não há evidências de simbolismos religiosos na concepção original.

Uma cidade pensada para crescer

Outro ponto que chama atenção é a visão de futuro presente no projeto. As avenidas largas, por exemplo, não foram pensadas apenas para a época. Elas já consideravam o crescimento da cidade.

Além disso, o planejamento buscou integrar mobilidade, organização e qualidade de vida. Portanto, Goiânia se destaca como uma das poucas cidades brasileiras concebidas de forma planejada desde o início.

Nas áreas residenciais, estilos arquitetônicos diversos ganharam espaço. Elementos ecléticos e neocoloniais ajudaram a construir a identidade visual da cidade. Com o tempo, esse conjunto passou a ser reconhecido nacionalmente.

Vista Aérea da Praça Cívica. 196-. ColonVist. Goiânia – GO. Acervo MIS|GO.

Patrimônio que segue vivo

Em 2002, parte desse patrimônio foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O reconhecimento reforça a importância histórica e cultural do projeto urbanístico.

Hoje, mesmo com o avanço urbano e as transformações contemporâneas, Goiânia preserva elementos essenciais do plano original. E, a cada esquina, revela um pouco dessa história.

Por fim, olhar para a cidade com atenção é também redescobrir suas origens. E perceber que, no coração do Brasil, existe um pedaço da Europa desenhado em ruas, praças e avenidas.

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