A experiência que faz o goiano se lembrar de que viver também é contemplar
De praias intocadas a vilarejos medievais, a Sardenha se transforma no novo destino queridinho dos goianos que buscam luxo discreto, natureza preservada e experiências culturais profundas.

A Sardenha, segunda maior ilha da Itália, tem atraído uma nova leva de turistas brasileiros — em especial, viajantes de Goiás, que buscam mais do que ostentação em suas férias. A paisagem natural exuberante e a atmosfera de desaceleração da ilha têm transformado esse destino mediterrâneo em um dos favoritos do público goiano interessado em experiências autênticas e contemplativas.
Com suas praias de areia branca e mar azul-turquesa, penhascos calcários, cidades históricas e vinícolas familiares, a Sardenha apresenta-se como uma alternativa europeia ao turismo de massa. Mais do que visitar pontos turísticos, o que move o goiano é sentar à mesa, caminhar, comer bem e observar — com tempo.
Especialista explica o fenômeno: “A Sardenha entrega o que o goiano quer hoje”
Para o consultor em turismo internacional Fernando Chagas, que assessora operadoras no Centro-Oeste, há um padrão claro de comportamento entre os goianos que escolhem a ilha como destino:
“Eles já passaram por destinos badalados e agora querem algo mais íntimo, exclusivo, menos barulhento. A Sardenha entrega o que o goiano quer hoje: natureza, gastronomia artesanal, cultura viva e silêncio. É uma Europa diferente, menos óbvia.”
Chagas afirma que Goiânia se destaca entre as capitais brasileiras com maior número de pacotes personalizados para a Sardenha nos últimos dois anos. “É um público que lê, que estuda antes de viajar. E volta encantado”, completa.
Goiano encontra na Sardenha uma Europa rústica e refinada
Na Sardenha, o contraste é parte da experiência. Em um mesmo dia, o visitante pode caminhar entre ruínas da civilização nurágica, se banhar em enseadas como Cala Goloritzè — acessível apenas por trilha — e encerrar a noite em um restaurante familiar com pratos à base de bottarga (ovas curadas de tainha) e queijo pecorino.
A gastronomia é um ponto alto. Cada vila preserva sabores próprios, e o ritmo das refeições é lento, como no interior goiano. As cidades de Alghero, Bosa, Orgosolo e Villasimius são algumas das preferidas por quem deseja unir mar e autenticidade.
As praias mais procuradas pelos turistas de Goiás têm sido:
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Cala Mariolu: de difícil acesso, com controle de visitação e águas azul-neon;
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Spiaggia di Tuerredda: com mar caribenho e areia clara;
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Arquipélago de La Maddalena: ilhas preservadas, ideais para passeios de barco privado;
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Costa Esmeralda: ponto mais sofisticado da ilha, com hotéis de luxo e vilas de celebridades.
Goianos na Sardenha: viagens planejadas com propósito
O goiano que vai à Sardenha não está em busca de um carimbo no passaporte, mas de uma narrativa de vida. É comum que casais escolham a ilha para comemorar bodas ou que famílias programem a viagem para fugir do fluxo das férias escolares convencionais.
Algumas agências em Goiânia têm oferecido roteiros personalizados que incluem estadias em “agriturismos” (fazendas adaptadas para o turismo), aulas de culinária local e experiências como a colheita de azeitonas. Tudo voltado à vivência e não ao consumo.
Por que a Sardenha e não outro destino?
Enquanto regiões da Toscana, da Riviera Francesa ou das ilhas Baleares já estão saturadas por grandes fluxos turísticos e preços inflacionados, a Sardenha se mantém relativamente preservada, com uma política de contenção de turismo predatório.
Desde 2022, por exemplo, praias como Cala Mariolu e Cala dei Gabbiani têm limites diários de visitantes, que devem reservar horário de chegada pelo celular. Essa estratégia agrada ao goiano que valoriza a exclusividade sem perder o senso de responsabilidade ambiental.
Além disso, a conexão cultural com o estilo de vida mais simples, rural e familiar da Sardenha é um ponto de identificação forte com o interior de Goiás.
O que o goiano aprende na Sardenha?
A viagem à Sardenha costuma ser mais do que uma pausa: é uma reorganização de valores. Os turistas voltam falando do sabor do tomate colhido no quintal, da experiência de nadar em águas onde não se ouve um motor e de conversar com moradores que preservam o idioma sardo, um dialeto pré-romano ainda falado na região.
Para muitos goianos, a viagem transforma o modo de ver suas próprias raízes. “É como se eu enxergasse a Chapada dos Veadeiros com outros olhos depois de ver a Sardenha”, disse à reportagem a engenheira agrônoma Isabela Martins, de Anápolis.
A Sardenha como espelho e inspiração para Goiás
A ascensão da Sardenha no radar do goiano também gera impactos internos. O desejo de experiências mais lentas, conscientes e sustentáveis começa a ser percebido em destinos como Cavalcante, São Jorge e Mambaí, que estão apostando em roteiros menos massivos.
Assim, o que o goiano encontra na Sardenha pode inspirar a forma como ele redescobre seu próprio estado — com menos velocidade e mais significado.
O que visitar: o que os goianos estão vendo na Sardenha — e se apaixonando
A Sardenha, situada entre a Itália continental e o norte da África, é uma das ilhas mais preservadas e multifacetadas da Europa. Sua geografia mistura montanhas de granito, penhascos que desaguam no mar e longas faixas de areia branca com águas cristalinas — cenário que tem encantado especialmente os turistas goianos em busca de autenticidade.
Entre os principais pontos turísticos que têm conquistado esse público, destacam-se:
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Cala Mariolu e Cala Goloritzè: acessíveis apenas por trilha ou barco, essas praias são consideradas das mais belas do Mediterrâneo. Têm limite de visitantes por dia, o que garante exclusividade e silêncio.
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Arquipélago de La Maddalena: formado por ilhas quase selvagens, com mar turquesa, trilhas e vilas de pescadores, é ideal para passeios privados e contemplativos.
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Costa Esmeralda (Costa Smeralda): região nobre da ilha, com marinas, campos de golfe e resorts de alto padrão. Frequentada por celebridades e pela elite europeia.
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Orgosolo e os murais urbanos: cidade nas montanhas do interior, famosa pelos murais políticos pintados nas casas, que narram a história da ilha e do mundo.
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Cagliari e Alghero: duas cidades costeiras com forte influência espanhola, ruas de pedra, mercados e igrejas centenárias. Alghero é conhecida por seu coral vermelho e por suas vielas que remetem à Catalunha.
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Sítios nurágicos como Su Nuraxi: monumentos megalíticos únicos da Sardenha, construídos há mais de 3 mil anos, considerados Patrimônio Mundial pela Unesco.
Além dos atrativos naturais e históricos, a gastronomia local, com pratos como o porceddu (leitão assado) e o culurgiones (massa recheada com batata e hortelã), tem sido um ponto alto para os goianos. Restaurantes familiares, atendimento próximo e ingredientes orgânicos criam uma experiência de afeto e memória — algo que dialoga diretamente com o imaginário interiorano de Goiás.
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