Hospital Araújo Jorge busca apoio para adquirir novo acelerador linear em Goiás
Captação de recursos depende de empresas do Lucro Real que podem destinar parte do Imposto de Renda ao projeto

O Hospital de Câncer Araújo Jorge, em Goiânia, iniciou uma campanha de captação de recursos para a compra e instalação de um novo acelerador linear em 2026. O equipamento é fundamental para ampliar o número de atendimentos de radioterapia e reduzir o tempo de espera de pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, o Serviço de Radioterapia do hospital realiza cerca de 320 sessões por dia, funcionando de segunda a sexta-feira, das 6h da manhã às 2h da madrugada. Mesmo com essa rotina intensa, pacientes como Raimundo José da Silva aguardam semanas para iniciar o tratamento.
A aquisição de um novo acelerador linear poderá aumentar em até 30% a capacidade de atendimento, beneficiando pacientes de todos os 246 municípios de Goiás e também de outros estados.
Empresas podem destinar parte do imposto devido
O projeto do Araújo Jorge já foi aprovado pelo Ministério da Saúde por meio do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon 2025). A meta é captar R$ 9.945.568,00 até novembro de 2025. Essa mobilização depende exclusivamente de empresas tributadas pelo Lucro Real, que podem destinar até 4% do Imposto de Renda devido diretamente ao projeto, sem custo adicional.
Caso o valor não seja arrecadado dentro do prazo, a instalação do novo equipamento ficará inviabilizada em 2026, prolongando a fila de espera por radioterapia no Estado.
“Apoiar esse projeto é apoiar a luta pela vida. É também uma forma de o empresariado goiano e nacional demonstrar, na prática, sua responsabilidade social. Cada real destinado via Imposto de Renda representa mais pacientes tratados, menos filas e mais esperança”, afirmou Kleber Rosa, diretor executivo do hospital.
Com o novo equipamento, a instituição prevê ampliar em 30% a oferta de sessões, abrindo novas vagas e atendendo milhares de pessoas a mais por ano.
Alta demanda e risco de colapso
O Araújo Jorge possui atualmente três aceleradores lineares em operação, todos utilizados em ritmo intenso. Em abril deste ano, um dos aparelhos – instalado em 1999 – apresentou falhas graves, o que obrigou a suspensão temporária de novos atendimentos e o redirecionamento de pacientes para a unidade de Anápolis.
“Se esse equipamento parar definitivamente, será um verdadeiro colapso. Não há outra instituição pública em Goiás habilitada pelo SUS para absorver essa demanda”, alertou Paulo Moacir Campoli, vice-presidente do Conselho de Administração da Associação de Combate ao Câncer em Goiás, mantenedora do hospital.
Referência nacional em oncologia, o Araújo Jorge é o único Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) em Goiás. A instituição reforça que a captação de recursos é essencial para que o serviço de radioterapia continue funcionando sem interrupções.

