Mineradora de terras-raras em Goiás será financiada pelos EUA

Aporte de centenas de milhões de dólares para a mineradora mira fortalecer Brasil como fornecedor estratégico de minerais críticos e reduzir dependência global da China.

Felipe Fernandes
Por Felipe Fernandes
Mineradora de terras-raras em Goiás será financiada pelos EUA
Divulgação

Os Estados Unidos anunciaram a liberação de um financiamento de centenas de milhões de dólares para uma mineradora de terras-raras situada no estado de Goiás, no Centro-Oeste do Brasil, em um movimento que mistura geopolítica, economia e tecnologia.

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O dinheiro virá da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), agência americana que concede empréstimos a projetos considerados estratégicos para os interesses de segurança e tecnologia dos EUA. O montante aprovado ultrapassa US$ 465 milhões e será usado para expandir, modernizar e impulsionar a produção da mina Pela Ema, explorada pela empresa brasileira Serra Verde, atualmente o único grande produtor de terras-raras do país em operação.

Os chamados minerais de terras-raras — como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio — são insumos essenciais em dispositivos de alta tecnologia, desde veículos elétricos e turbinas eólicas até eletrônicos avançados e equipamentos militares. Hoje, a maior parte da cadeia de processamento ainda está concentrada na China, que domina a produção global desses elementos, uma dependência que Washington tenta reduzir com parcerias alternativas.

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Foto: Reprodução / site infomoney.com.br

Mineradora de terras-raras em Goiás

O projeto em Goiás também tem um componente de transformação econômica local. A mina, em operação comercial desde 2024, deve ampliar sua produção significativamente até 2027, com crescimento previsto de milhares de toneladas de óxidos de terras-raras por ano — potencialmente elevando o Brasil ao papel de fornecedor confiável para mercados globais diversificados.

Especialistas dizem que o acordo sinaliza uma tentativa dos EUA de antecipar o acesso a minerais estratégicos, mesmo sem um tratado formal de cooperação bilateral, posicionando o Brasil como um eixo central na cadeia de fornecimento além da influência chinesa.

Enquanto isso, autoridades brasileiras exploram outras parcerias e reforçam a importância das reservas nacionais — estimadas entre **20% e 23% das jazidas mundiais de terras-raras — potencial que pode atrair novos investimentos e ampliar o papel do país nesse segmento estratégico.

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