Mudanças no financiamento podem impactar o sonho da casa própria no Brasil; entenda

Cenário de transição no sistema financeiro levanta dúvidas sobre acesso ao crédito habitacional

Thiago Alonso
Por Thiago Alonso
Mudanças no financiamento podem impactar o sonho da casa própria no Brasil; entenda
Chaves da casa própria. - Foto: Ilustração/Canva

O sonho da casa própria no Brasil pode entrar em uma fase de atenção com as mudanças em curso no sistema de crédito imobiliário. A combinação entre novas alternativas de investimento atreladas à taxa Selic e a redução da participação da poupança no financiamento habitacional acende um alerta no setor.

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Entre os fatores recentes que chamam atenção está o lançamento de um novo título público do Tesouro Direto, o Tesouro Reserva, com rentabilidade atrelada à taxa Selic e liquidez diária. O produto, com aplicação inicial a partir de R$ 1, registrou forte adesão nos primeiros dias e ampliou a competição com a poupança, tradicional fonte de recursos do crédito imobiliário.

Historicamente, a poupança é a principal base do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), responsável por financiar parte relevante do crédito imobiliário no país. No entanto, esse modelo vem perdendo força ao longo dos anos.

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Dados do setor indicam que a participação da poupança no funding imobiliário caiu para cerca de 28%, enquanto instrumentos do mercado de capitais já respondem por aproximadamente 39% das operações.

Além disso, o sistema registra saídas líquidas recorrentes da caderneta, o que reduz a disponibilidade de recursos considerados mais baratos para financiamento de longo prazo.

Com a taxa Selic em patamar elevado, investimentos indexados aos juros básicos se tornaram mais atrativos. Isso inclui títulos públicos e produtos do Tesouro Direto, que passaram a competir diretamente com a poupança.

Na prática, essa migração reduz a base de funding tradicional dos bancos para o crédito imobiliário. Quando isso acontece, as instituições financeiras tendem a recorrer a fontes alternativas, como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), que possuem custo maior de captação.

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Esse movimento pode pressionar o custo final dos financiamentos.

Financiamento pode ficar mais sensível a juros

Com menos recursos baratos vindos da poupança, o crédito imobiliário tende a ficar mais dependente do mercado financeiro. Isso aumenta a sensibilidade do setor às variações da Selic e às condições de liquidez da economia.

Especialistas avaliam que, nesse cenário, o custo do financiamento pode oscilar mais, impactando diretamente o valor das parcelas para o consumidor final.

Apesar das mudanças estruturais, o mercado imobiliário mantém projeções positivas. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) estima crescimento de cerca de 16% no crédito imobiliário em 2026, impulsionado pela demanda por moradia e ajustes no modelo de financiamento.

O avanço, porém, ocorre em paralelo à transição do sistema, que busca reduzir a dependência da poupança e ampliar o uso de instrumentos de mercado.

O crédito imobiliário brasileiro passa por uma reconfiguração. O modelo baseado na poupança perde espaço para um sistema mais diversificado, sustentado por investimentos de mercado e títulos financeiros.

Essa mudança tende a tornar o financiamento mais moderno e dinâmico, mas também mais exposto ao custo do dinheiro na economia — o que pode impactar diretamente o sonho da casa própria no país nos próximos anos.

*Com informações: The News

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