Paraplégico volta à academia 15 dias após tratamento experimental no Brasil

Paciente paraplégico com lesão medular apresenta movimentos voluntários após aplicação de polilaminina, substância ainda em fase de estudos clínicos.

Felipe Fernandes
Por Felipe Fernandes
Paraplégico volta à academia 15 dias após tratamento experimental no Brasil
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Em um relato que vem ganhando repercussão nas redes sociais e nos veículos de saúde, um homem diagnosticado com paraplegia completa após uma lesão medular apresentou evolução funcional apenas 15 dias depois de receber um tratamento experimental com polilaminina — uma substância que está sendo estudada por pesquisadores brasileiros como possível terapia para lesões na medula espinhal.

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O caso foi documentado em vídeos publicados por perfis nas redes sociais, incluindo imagens que mostram o paciente realizando exercícios em aparelhos de musculação, como abdutora e extensora, com movimentos voluntários das pernas, acompanhado por profissionais de saúde. Segundo relatos, antes do tratamento não havia qualquer resposta motora ou sensitiva abaixo do nível da lesão.

O que aconteceu

O homem, identificado em vídeos como Pedro Rolim, sofreu uma lesão medular na altura da vértebra T12, que resultou em paraplegia e perda de sensibilidade e movimento abaixo do local da lesão. No dia 2 de fevereiro, ele recebeu a aplicação de polilaminina, um composto derivado de uma forma polimerizada da proteína laminina.

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Quinze dias após a aplicação, vídeos e posts nas redes sociais mostram Pedro exercitando as pernas e recuperando movimentos que, em casos clínicos semelhantes, são considerados raros em um período tão curto.

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O que é polilaminina

A polilaminina é um composto investigado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e liderado pela bióloga Tatiana Sampaio, com o objetivo de estimular a regeneração de conexões nervosas em lesões na medula espinhal. A substância é uma versão produzida em laboratório da laminina, uma proteína presente no desenvolvimento embrionário que participa da formação e organização das conexões neurais.

Pesquisas com polilaminina em humanos estão em fases iniciais, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estudos de fase 1, que visam avaliar principalmente a segurança da substância em voluntários. A aplicação do tratamento em pacientes fora desses ensaios acontece em caráter experimental, muitas vezes com autorização judicial.

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Reabilitação do paciente paraplégico e contexto científico

Especialistas e equipes envolvidas no acompanhamento clínico ressaltam que cada caso é avaliado individualmente, considerando fatores como tempo de lesão, nível da lesão e resposta biológica do paciente. A simples observação de movimentos não substitui um estudo clínico controlado, mas é vista como um possível sinal de avanço na compreensão de como essa tecnologia pode ser aplicada em reabilitação.

A comunidade científica continua monitorando os resultados desses tratamentos com cautela, lembrando que evidências sólidas de eficácia ainda dependem de estudos maiores e bem controlados.

Este não é o único relato de evolução funcional associada ao uso de polilaminina. Outros pacientes que receberam o tratamento em diferentes estados brasileiros também têm mostrado sinais de recuperação parcial de movimentos e sensibilidade após procedimentos semelhantes, ainda que em diferentes tempos e condições clínicas

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