Mito ou Verdade: Os espinhos do pequi podem mesmo aleijar?
Fruto símbolo do Cerrado, o pequi carrega fama de perigoso, mas será que o alerta é mito ou verdade? Especialistas explicam riscos e curiosidades do ouro goiano

Com aroma forte, sabor marcante e presença garantida na culinária do Centro-Oeste, o pequi é amado por muitos e temido por outros tantos. O motivo do receio? Seus espinhos internos, que costumam gerar um dos conselhos mais populares da região: “não morda o pequi!”.
Mas afinal: é verdade que os espinhos podem aleijar?

(foto: reprodução/ Garden Oficina da Terra)
A resposta é “não exatamente”, embora o alerta tenha fundamento. Os espinhos do caroço, que são na verdade prolongamentos rígidos da semente, podem causar ferimentos graves na boca e na garganta, caso a pessoa morda o caroço de forma imprudente. Mas o risco de “ficar aleijado”, no sentido literal, é um exagero popular, segundo especialistas.
O “perigo” é real mas tem limite

(foto: reprodução)
De acordo com o pequi (Caryocar brasiliense) é um dos frutos mais consumidos no Cerrado brasileiro, sendo parte essencial da culinária goiana, mineira e tocantinense. Seu caroço espinhoso exige preparo e consumo cuidadosos.
Engolir espinhos de pequi pode causar perfurações na mucosa oral, no esôfago ou no intestino, sendo raros os casos que exigem cirurgia para a remoção. Esses espinhos, extremamente finos e pontiagudos, podem se alojar facilmente nos tecidos da boca ou da garganta quando o caroço é mordido, provocando dor intensa, infecções e dificuldade para engolir.
De onde vem o mito do “aleijamento”?
A crença de que os espinhos do pequi podem aleijar provavelmente se originou de casos graves de infecção ou dor que limitaram movimentos temporariamente, especialmente em crianças e idosos. Em comunidades rurais, há registros orais de pessoas que, após se ferirem com o caroço do pequi, passaram dias com a boca inchada ou sem conseguir se alimentar direito, o que pode ter dado origem à expressão “pequi que aleija”.
Como comer o fruto com segurança?
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Não morda o caroço! Ele deve ser saboreado com cuidado, raspando a polpa com os dentes da frente;
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Evite dar o fruto com caroço a crianças pequenas;
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Em receitas como arroz com pequi, a polpa pode ser extraída para reduzir riscos;
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Ao mastigar, vá devagar — se sentir a textura mudando, pare.
Fruto com valor nutricional
Além da polêmica dos espinhos, o pequi é rico em carotenoides, vitamina A e antioxidantes naturais, segundo estudo da Universidade Federal de Goiás (UFG). É conhecido por fortalecer o sistema imunológico, melhorar a saúde da pele e combater processos inflamatórios.
Um símbolo cultural e biológico
O pequi não é só um alimento, é símbolo da identidade regional e da biodiversidade do Cerrado. Proteger o seu cultivo e consumo responsável é também valorizar a cultura popular e o meio ambiente.
Embora os espinhos do pequi possam, sim, machucar e até exigir cuidados médicos em casos graves, a ideia de que podem “aleijar” é mais mito do que verdade. Com respeito ao modo de preparo e consumo tradicional, o pequi continua sendo um tesouro do Cerrado, saboroso, nutritivo e (com atenção) seguro.
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