Robert De Niro brilha em novo filme de mafia, mas crítica aponta excesso de nostalgia

Robert De Niro volta aos holofotes com dois papéis em drama mafioso, mas crítica aponta falhas e nostalgia em excesso no novo filme.

Fernanda Cappellesso
Por Fernanda Cappellesso
Robert De Niro brilha em novo filme de mafia, mas crítica aponta excesso de nostalgia
Robert De Niro vive dois chefes da máfia em novo filme e reacende debate sobre a nostalgia no cinema de Hollywood.

Em “The Alto Knights: Máfia e Poder”, Robert De Niro retorna ao centro do palco com a ousada missão de interpretar dois dos maiores nomes da máfia ítalo-americana: Frank Costello e Vito Genovese. O longa, dirigido por Barry Levinson, tenta resgatar a era dourada do cinema de crime, mas enfrenta a difícil tarefa de equilibrar reverência e originalidade.

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Robert De Niro e os dois lados da máfia: diplomacia x violência

De um lado, Robert De Niro encarna o mafioso político Frank Costello. Do outro, dá vida ao explosivo Vito Genovese, numa performance que evoca antigos sucessos como “Os Intocáveis”. O duelo entre esses dois perfis personificados por um só ator é o cerne da produção, marcada por nostalgia e reverência ao passado.

O lado positivo do novo filme com Robert De Niro

Entre os acertos da obra está a atuação refinada de Robert De Niro, que sustenta a narrativa mesmo diante de um roteiro previsível. A ambientação de época e a fotografia ajudam a transportar o espectador para os anos 1950, além da construção cuidadosa da relação entre Costello e sua esposa Bobbie, dando novo protagonismo às mulheres no gênero mafioso.

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Robert De Niro e os tropeços da narrativa passiva

Apesar do prestígio do elenco e da direção experiente, o filme falha em entregar tensão dramática. A narração em off domina a ação, e a escolha de colocar Robert De Niro nos dois papéis principais é vista por parte da crítica como uma decisão que sacrifica o dinamismo em nome da homenagem. A narrativa, passiva e arrastada, se perde no excesso de didatismo.

Robert De Niro como símbolo da decadência criativa de Hollywood?

“The Alto Knights” carrega um peso simbólico: é um retrato do próprio momento da indústria hollywoodiana, que se apega ao passado para sobreviver. A performance de Robert De Niro se mistura com sua própria história no cinema, mas falta ao filme a coragem de romper com fórmulas antigas.

Robert De Niro, o box office e o termômetro do público

Com uma estreia modesta de US$ 43 milhões nos EUA, o desempenho do filme protagonizado por Robert De Niro revela um cenário desafiador para produções não-franquias. O público reconhece o talento, mas não perdoa a lentidão e falta de surpresa. Em tempos de TikTok e inteligência artificial, a memória não basta.

A máfia sob o olhar de Robert De Niro: entre Scorsese e nostalgia

O roteiro de Nicholas Pileggi — responsável por “Cassino” e “Os Bons Companheiros” — tenta resgatar a força dos clássicos. Mas, mesmo com a bagagem de Scorsese pairando sobre cada cena, “The Alto Knights” não alcança o impacto emocional de obras anteriores. Fica o exercício de estilo, ancorado na imagem de Robert De Niro como o eterno rosto da máfia cinematográfica.

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Robert De Niro não falha, mas o cinema sim

A crítica reconhece que Robert De Niro entrega o que dele se espera: carisma, intensidade e domínio de cena. O que falta é uma direção com pulso firme para dar à narrativa o mesmo fôlego das atuações. O filme é bonito, mas cansado — e talvez o maior elogio que se pode fazer é: ainda é um prazer ver Robert De Niro na tela.

Biografia de Robert De Niro: 8 pontos essenciais

  1. Robert De Niro nasceu em Nova York, em 1943, e desde jovem demonstrou vocação para o teatro. Filho de artistas plásticos, cresceu entre galerias e cinemas. Abandonou a escola aos 16 anos para estudar atuação com mestres como Stella Adler e Lee Strasberg.

  2. A estreia no cinema veio nos anos 1960, mas foi em 1973, com “Caminhos Perigosos”, que Robert De Niro chamou a atenção de Hollywood. A parceria com Martin Scorsese começava ali, marcando o início de uma das duplas mais influentes do cinema moderno.

  3. Em 1974, Robert De Niro ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua interpretação de Vito Corleone jovem em “O Poderoso Chefão: Parte II”. A escolha do papel reforçou sua ligação com histórias da máfia e solidificou sua imagem de ator intenso e imersivo.

  4. Ao longo das décadas, Robert De Niro diversificou sua carreira, transitando com habilidade entre o drama (“Touro Indomável”, “Taxi Driver”) e a comédia (“Entrando Numa Fria”, “Máfia no Divã”). Sempre meticuloso, é conhecido por mergulhar profundamente em cada personagem.

  5. Robert De Niro também se tornou um empreendedor cultural, fundando o Festival de Tribeca em 2002, como resposta ao impacto dos atentados de 11 de setembro. O evento ajudou a revitalizar a cena artística de Lower Manhattan.

  6. Em sua vida pessoal, De Niro mantém discrição, mas é pai de sete filhos e se posiciona politicamente quando necessário. Foi crítico de Donald Trump e defensor da arte como instrumento de transformação social.

  7. Mesmo aos 81 anos, Robert De Niro segue atuando com vigor. Recentemente esteve em “Assassinos da Lua das Flores”, de Scorsese, e agora lidera “The Alto Knights”, reafirmando sua disposição em encarar papéis desafiadores.

  8. Robert De Niro é mais que um ator: é uma instituição. Sua trajetória cruza a história do cinema americano do pós-guerra até o streaming. E, ainda que seus filmes mais recentes reflitam o cansaço de uma era, seu nome continua a ser sinônimo de excelência.

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