Série inesquecível na Netflix mistura investigação com humor ácido e possui nota 8,6 no IMDb
Crime, investigação e humor ácido se misturam em uma série lendária, perfeita para maratonar sem pausa

A série Dexter, lançada em 2006 e baseada nos romances de Jeff Lindsay, introduz uma narrativa singular na televisão: Dexter Morgan (interpretação icônica de Michael C. Hall) é um especialista forense em manchas de sangue que esconde um segredo sombrio à noite, ele se torna um assassino em série. Mas ao contrário dos vilões convencionais, seu código moral o impede de matar inocentes, seu destino está reservado apenas para criminosos que escaparam da justiça uma vingança envolta de uma dissonância moral inquietante e saciada com uma precisão clínica.
Ao som das gotas de sangue

(foto: reprodução/ Netflix)
Esse dualismo entre o analista calmo e o predador noturno (que Dexter chama de “Passageiro Sombrio”) se desdobra desde o início com uma voz em off intrincada que nos faz habitar sua mente um recurso narrativo que concede profundidade ao anti-herói e nos faz questionar as fronteiras entre justiça e psicopatia.
Ao longo das oito temporadas originais, Dexter escalou à crítica com elogios escalonados por Metacritic e Rotten Tomatoes: a segunda temporada chegou a 96% de aprovação, e a quarta marcou como uma das mais memoráveis, impulsionada pela presença aterradora do Trinity Killer, vivido magistralmente por John Lithgow.
No entanto, a série não escapou das armadilhas do sucesso prolongado. Algumas temporadas posteriores, principalmente a sexta e a oitava, foram marcadas por roteiros menos inspirados, vilões menos simbólicos e um desgaste da narrativa que muitos espectadores sentiram como um distanciamento do que fazia Dexter tão único.
Se algo ainda ressoa após o final controverso da série original que muitos consideraram equivocado e absurdo é o impacto que Dexter causou, mudando expectativas sobre anti-heróis na TV.
A busca por redenção (ou fechamento) chegou em 2021 com o revival Dexter: New Blood, que ambienta Dexter como Jim Lindsay em uma pequena cidade de Nova York, tentando sufocar seu instinto assassino até ser confrontado pelo retorno persistente do “Passageiro Sombrio” e pelo reencontro com seu filho, Harrison.
A crítica brasileira acolheu New Blood como um resgate necessário da dignidade da franquia, amenizando o legado de um final original que fermentou controvérsias. O monólogo final, emotivo e final, foi identificado como um desfecho doloroso, mas finalmente coerente com a complexidade emocional do protagonista.
E a saga não para. No fim de 2024 estreou Dexter: Original Sin, prequel ambientado nos anos 1990 que revisita a origem de Dexter com um jovem Patrick Gibson no papel principal, tendo Christian Slater como Harry. Apesar do elenco promissor, críticos apontaram falta de inovação, o passado já havia sido contado, e essa repetição narrativa soa supérflua diante de um personagem tão delineado.
A série não para e a saga do Passegeiro Sombrio segue em 2025

10º e último episódio de ‘Dexter: Ressurreição’ chega ao streaming (foto: divulgação/ Netflix)
No meio de 2025, chega Dexter: Resurrection, uma continuação direta de New Blood, com Dexter ressuscitado após ser baleado por Harrison, retornando em Nova York. As primeiras impressões ressalvam o tom sombrio, a fotografia impactante e o retorno de pesos-pesados como Uma Thurman, Neil Patrick Harris e James Remar, sinalizando um equilíbrio entre nostalgia e inovação.
Com críticas altamente positivas, os episódios mais recentes de Dexter vêm alcançando notas impressionantes no IMDb. O último lançado, de número 10, recebeu avaliação de 9,6/10, enquanto o anterior marcou 9,8/10. Os números demonstram que a série reencontrou sua essência e segue firme, conquistando tanto os críticos quanto o público.
Em síntese, a série Dexter permanece como um marco televisivo por sua ousadia ao transformar um assassino em série em protagonista simpático, evoluindo com forças e fragilidades narrativas. Após uma jornada original controversa, New Blood fez justiça ao personagem com um desfecho digno. Ainda que os spin-offs explorem território já visitado, a reverberação da presença de Dexter, seu duelo moral e psicológico continua pulsante, como o gotejar de uma lâmina cruzando o silêncio.
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