Casarão é demolido ilegalmente em Pirenópolis para construção de pet shop
Confira mais detalhes sobre a demolição de um casarão histórico de Pirenópolis

Um casarão histórico do século XIX, localizado na Rua da Prata, em Pirenópolis, foi demolido sem as autorizações exigidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Prefeitura Municipal. O imóvel, embora não tombado individualmente, integrava o conjunto arquitetônico protegido da cidade, reconhecido como patrimônio nacional desde 1999.
Segundo o proprietário, Jairo Mendonça, a demolição foi executada pela equipe contratada para reformas, sem seu consentimento formal. O proprietário havia solicitado autorização apenas para intervenções preservacionistas. A derrubada completa do casarão foi realizada no último fim de semana de abril, antes que qualquer permissão oficial fosse concedida.
Após tomar conhecimento do ocorrido, o Iphan e a Prefeitura embargaram a obra e autuaram os responsáveis, concedendo um prazo de 15 dias para a apresentação de uma defesa técnica.
O valor histórico da construção
Pirenópolis é conhecida por seu acervo arquitetônico que remonta aos séculos XVIII e XIX. O casarão demolido fazia parte desse cenário, com estrutura de gaiola e paredes de adobe, características típicas da arquitetura colonial local. Mesmo sem tombamento individual, a construção estava sujeita às normas que regulam intervenções em áreas protegidas, conforme o Decreto-Lei nº 25/1937 e a Lei nº 3.924/1961.
Linha do tempo da ocorrência
28 de abril de 2025: proprietário protocola pedido de autorização no Iphan.
Fim de semana de 27-28 de abril: demolição total ocorre sem deferimento.
29 de abril de 2025: Iphan constata a demolição, emite auto de infração e embarga a obra.
7 de maio de 2025: Secretaria de Meio Ambiente confirma ausência de autorização após vistoria.
Consequências e medidas em andamento
Segurança: o imóvel apresentava riscos estruturais por abandono. Um laudo técnico será incluído na defesa.
Responsabilização: o proprietário poderá ser multado, obrigado à reconstrução ou à medidas compensatórias.
Preservação: o Iphan estuda ações alternativas para mitigar a perda, como restauração de imóveis vizinhos.
Fiscalização reforçada: a prefeitura anunciou intensificação na vigilância de áreas protegidas para evitar novos casos de intervenções irregulares.