Brasília recebe espetáculo teatral de Silvero Pereira

Espetáculo 'Pequeno Monstro' traz à cena memórias, dores e resistências com direção de Andréia Pires; ingressos já estão à venda

Jefter Guerra
Por Jefter Guerra
Brasília recebe espetáculo teatral de Silvero Pereira
Foto: Reprodução / John Ramatis

Se você curte teatro com alma, intensidade e uma pitada de provocação, anota aí: Silvero Pereira está de volta aos palcos com o solo teatral Pequeno Monstro. Depois de passar por palcos importantes no Rio, São Paulo e Fortaleza, a montagem desembarca na capital para uma curta temporada no Teatro da Caixa.

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O espetáculo estará em cartaz na Caixa Cultural Brasília a partir desta quinta-feira (26) até o dia 6 de julho. As apresentações acontecem em dois períodos: de 26 a 29 de junho, com sessões de quinta a sábado às 20h e domingo às 19h; e de 1º a 6 de julho, com sessões de terça a quinta às 20h, sábado em dois horários — às 8h e às 20h — e domingo novamente às 19h.
Atenção: no dia 4 de julho (sexta-feira) não haverá espetáculo. Haverá uma sessão com acessibilidade em Libras no dia 3 de julho (quinta-feira). As apresentações ocorrem no Teatro da Caixa Cultural Brasília, localizado no Setor Bancário Sul, Quadra 4, Asa Sul. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), disponíveis na bilheteria física e no site bilheteriacultural.com.br.
O espetáculo nasceu há sete anos, quando Silvero começou a acompanhar relatos de crianças LGBTQIA+ e se reconheceu em muitas dessas histórias. Inspirado por essas vivências e também pelas suas memórias da infância no interior do Ceará, ele decidiu dar corpo à narrativa. E foi ao lado da diretora Andréia Pires — sua colega na Faculdade de Artes Cênicas — que o projeto ganhou forma.

Com ensaios abertos ao público em Fortaleza, o espetáculo foi se moldando em um processo coletivo e intenso. “O Silvero já chegou com um texto bem estruturado, mas fomos afinando juntos. Criamos uma dramaturgia fragmentada, viva, que mistura a minha linguagem cênica com a dele”, conta Andréia.

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No palco, Silvero se entrega. Mistura jornalismo, literatura, música, memórias pessoais e histórias de terceiros para compor uma obra que é, ao mesmo tempo, poética e política. “Uso minha história como escudo e espelho. Mostrar que essas dores não são exceção é fundamental”, afirma o ator. O espetáculo se torna, assim, um espaço de acolhimento, denúncia e reflexão.

A montagem ironiza o machismo estrutural e escancara as violências normalizadas contra pessoas LGBTQIA+. “Não é um manifesto, é arte. Mas a arte também precisa se posicionar”, destaca Silvero. O processo foi tão profundo que mexeu com tudo: corpo, mente, voz e até a relação com a própria história. “Foi quase uma cura. Uma reconexão com minhas raízes, com o menino que fui”, diz.

A diretora sintetiza com emoção: “Na sala de ensaio, vimos nascer um espetáculo que fala de dor, mas também de amor. Fala de infância, descobertas, traumas — mas sempre com beleza e humanidade.”

Com estrutura dramatúrgica parecida à do elogiado BR-Trans, o espetáculo entrelaça diversas vozes e convida o público a refletir sobre o número alarmante de assassinatos LGBTQIA+ no Brasil. “É estrutural. Precisamos falar sobre isso. Precisamos reagir”, pontua Silvero.

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Este espetáculo marca o retorno do artista ao teatro, após uma década brilhando em outras mídias. Desde o sucesso com BR-Trans, Silvero se tornou um nome forte na TV e no cinema: brilhou em A Força do Querer, Pantanal, Bacurau e venceu o The Masked Singer Brasil. Também protagonizou o filme Maníaco do Parque e interpretou os personagens Érico e Verônica Queen na novela Garota do Momento.

“Fiquei com medo de não me reconhecer mais como ator de palco. Mas voltei. E entendi que talento não basta. É preciso entrega, estudo, treino. Recusei trabalhos no audiovisual pra me dedicar de corpo e alma ao espetáculo”, confessa.

A produção do espetáculo é assinada pela Quintal Produções, das experientes Valencia Losada e Verônica Prates, que há mais de 15 anos desenvolvem projetos ligados ao teatro, dança e cultura. Entre os espetáculos anteriores da produtora estão Lady Tempestade, Teoria King Kong, Cérebro_Coração e BR-Trans.

Sinopse

O espetáculo Pequeno Monstro mergulha nas violências — físicas, simbólicas e emocionais — vividas por pessoas LGBTQIA+ desde a infância. Inspirado em um conto de Caio Fernando Abreu, o título já indica o estranhamento. Mas também aponta caminhos possíveis: superação, amor, liberdade. Silvero nos entrega um espetáculo íntimo e urgente, em que a arte serve de espelho e cura.

Então se você busca um espetáculo com alma, coragem e muito talento, já sabe: Pequeno Monstro é aquele tipo de encontro que você leva pra vida.

 

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