A participação da Itaipu na COP30: energia limpa, justiça social e inovação da fronteira à Amazônia

Depois de se destacar na primeira semana da COP30, Itaipu Binacional encerra sua participação em Belém mostrando que, para além de uma grande hidrelétrica, atua hoje como um laboratório de soluções climáticas que conectam energia limpa, combate à fome, agricultura familiar, bioeconomia, educação ambiental e cidadania na Amazônia.
Da cozinha comunitária que gera o próprio gás de cozinha ao combustível sintético feito de biogás e hidrogênio verde, a empresa levou para a conferência exemplos concretos de como a transição energética pode ser também social, territorial e inclusiva.
Cozinhas comunitárias, combate à fome e transição energética
Um dos momentos mais simbólicos da agenda foi a entrega da Cozinha Comunitária Sustentável Mãos de Mulheres, em Ananindeua, na região metropolitana de Belém. O espaço passou por reforma completa, ganhou equipamentos industriais, horta, placas solares e um biodigestor que transforma resíduos em biogás e biofertilizante.
A iniciativa integra o programa de Cozinhas Comunitárias Sustentáveis do Governo do Brasil, com apoio da Itaipu na reforma do espaço e na doação de um veículo elétrico. A ideia é simples e poderosa: ao mesmo tempo em que combate a fome, a cozinha substitui combustíveis fósseis por energia limpa, reduz custos e fortalece o trabalho coletivo de mulheres periféricas.
A primeira-dama Janja Lula da Silva, idealizadora do projeto, resumiu o espírito da ação ao afirmar que as cozinhas não servem apenas alimento, mas também cuidado: “Além do alimento, elas entregam cuidado, solidariedade e sustentabilidade”. Já o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, destacou que a iniciativa está no centro da missão institucional da empresa, ao conectar desenvolvimento, justiça social e transição energética.
O tema voltou a aparecer no side event “Avançando Cozinhas Comunitárias Sustentáveis no Brasil”, promovido pela Itaipu na COP30, que defendeu essas experiências como resposta concreta à insegurança alimentar, à pobreza energética e às desigualdades de gênero.
Governança participativa, ODS e novo acordo com o Ministério do Meio Ambiente
Outra frente importante foi a discussão sobre governança, participação social e Agenda 2030. Em um painel no Pavilhão Brasil, Itaipu apresentou o programa de Governança Participativa, que articula mais de 1.500 organizações em 21 núcleos de cooperação socioambiental em 434 municípios do Paraná e do Mato Grosso do Sul.
Em meio ao debate, Janja reforçou que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável precisam sair do papel e virar política pública local: “Os ODS precisam aterrissar nos territórios. Por isso, é necessária a participação das lideranças locais e de prefeitos”. O ministro Guilherme Boulos destacou que a Agenda 2030 só terá força se for construída com participação da sociedade, e citou a Itaipu como referência nesse modelo.
Na mesma linha, a empresa assinou um Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério do Meio Ambiente para ampliar ações de educação ambiental e apoiar centros de educação em diferentes regiões do País. O acordo também fortalece a rede de núcleos de cooperação socioambiental criada por Itaipu, atualizada na estratégia “Itaipu Mais que Energia”.
Biogás, bio-syncrude e transição energética em escala
Se por um lado a empresa mostrou projetos de base comunitária, por outro levou para a COP30 tecnologias de ponta em energia renovável. A apresentação da primeira amostra de bio-syncrude produzido em Foz do Iguaçu foi um marco: trata-se da base para combustíveis sintéticos, como diesel verde e querosene sustentável de aviação, feito a partir da combinação entre biogás e hidrogênio verde.

Foto: William Brisida/Itaipu Binacional
O material, desenvolvido em parceria com CIBiogás, Itaipu Parquetec e instituições brasileiras e alemãs, foi mostrado no estande da empresa como exemplo da bioeconomia aplicada à descarbonização de setores de difícil transição, como o transporte aéreo.
Em outro painel, sobre aplicações do biogás na agroindústria, o superintendente de Energias Renováveis, Rogério Meneghetti, lembrou que Itaipu investe no tema há 20 anos e ajudou a transformar o biogás em pilar estratégico da matriz energética. Nas palavras dele, “o biogás é uma solução de triplo impacto: ambiental, social e econômico. Ele transforma um passivo ambiental em um ativo energético”.
Ao lado dessas iniciativas, a empresa apresentou ainda projetos como usina solar flutuante, barco movido a hidrogênio verde e pesquisas em combustíveis de baixo carbono, reforçando a visão de que inovação não é custo, mas condição para o País liderar a transição energética.
Hidrelétrica, eficiência energética e justiça climática
Diretores de Itaipu também participaram de debates sobre o papel das hidrelétricas na transição energética, a digitalização do setor elétrico e a necessidade de uma transição justa. O diretor técnico executivo, Renato Sacramento, defendeu que a mudança da matriz precisa alcançar a maioria da população: “Não adianta fazer uma transição energética que só quem consegue colocar o painel solar se beneficie dessa transição”.
Ele lembrou que Itaipu investe pesado em atualização tecnológica, com o Programa de Atualização Tecnológica (PAT) em curso até 2036, e mantém altos índices de eficiência e disponibilidade, o que garante a longevidade da usina e sua importância para a segurança do sistema elétrico brasileiro e paraguaio.
O diretor financeiro, André Pepitone, reforçou que Itaipu precisa ir além da geração de megawatts: “Desenvolvimento não se faz apenas com megawatts, se faz também com cidadania, com inclusão e com respeito às realidades locais”. Em outro painel, ele apontou que o legado da COP30 deve ser uma transição energética que una descarbonização, financiamento verde e fortalecimento institucional.
Florestas, bioeconomia e agricultura familiar
A proteção dos biomas brasileiros e o fortalecimento de economias locais também estiveram na pauta. No evento “Floresta, Água e Bioeconomia”, Itaipu apresentou sua experiência na proteção de mais de 100 mil hectares de Mata Atlântica em torno do reservatório e no apoio a cadeias produtivas sustentáveis, como mel de abelhas nativas sem ferrão, plantas medicinais, agroecologia e sistemas agroflorestais.
Em outro painel, sobre agricultura familiar e vulnerabilidade climática, a empresa mostrou o trabalho de assistência técnica rural que desenvolve há mais de 20 anos com produtores do Paraná e do sul do Mato Grosso do Sul, conectando aumento de renda, conservação de solo e água, e acesso a crédito rural. A estratégia é clara: cuidar do reservatório passa por fortalecer quem vive e produz no território.
Cidadania no Marajó e economia de baixo carbono
A presença da Itaipu na Amazônia também se materializou em ações concretas na região. Em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a empresa oficializou a doação de cinco lanchas para municípios do arquipélago do Marajó, dentro do Programa Cidadania Marajó, que atua em proteção de crianças, adolescentes, mulheres e populações vulneráveis.

Foto: Gustavo de Souza/Itaipu Binacional
As embarcações, antes usadas no reservatório da usina, ganham novo sentido ao reduzir distâncias e facilitar o acesso a serviços públicos em áreas ribeirinhas. O gesto simboliza a ideia de que tecnologia e infraestrutura também são ferramentas de direitos humanos.
Em painel promovido pelo Ministério do Turismo, o diretor jurídico Luiz Fernando Delazari reforçou esse caráter de “laboratório” da Itaipu, ao destacar planta de hidrogênio verde, usina de biogás e outros projetos que não têm apenas objetivo econômico, mas de servir como modelos de política pública para uma economia de baixo carbono.
Estande imersivo: resíduos, água, energia e histórias
Na Zona Verde da COP30, o estande de Itaipu recebeu um fluxo constante de visitantes, de estudantes a gestores públicos. Em 200 metros quadrados, a empresa traduziu temas técnicos em experiências acessíveis: maquete de unidade de valorização de resíduos, jogos, realidade aumentada, exposição fotográfica sobre catadores, trilha sobre o programa Itaipu Mais que Energia e óculos de realidade virtual que levam o público para dentro da usina.

Foto: Ruan de Souza/Itaipu Binacional
Os cartões-postais distribuídos no espaço, com imagens de Belém e selos exclusivos, amarram a proposta de forma poética: em meio à discussão sobre grandes números e metas globais, a sustentabilidade também pode ser escrita à mão, com nome, rosto e endereço.
Ao fim da COP30, a participação da Itaipu Binacional deixa uma mensagem clara: a transição climática não se faz apenas com novas tecnologias, mas com pessoas, territórios e políticas públicas que conectam energia, água, floresta, comida na mesa e direitos. Da fronteira trinacional ao coração da Amazônia, a usina se apresenta não só como geradora de eletricidade, mas como parceira na construção de um futuro de baixo carbono, com mais justiça social.
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