Foz começa a discutir o turismo do futuro e avança para se tornar um Destino Turístico Inteligente

Mauricio Freire
Por Mauricio Freire
Foz começa a discutir o turismo do futuro e avança para se tornar um Destino Turístico Inteligente
Foto: Urbia+Cataratas/ Eagle Eye Company

Foz do Iguaçu sempre foi um destino forte. Cataratas, Itaipu, tríplice fronteira. A base está consolidada há décadas. Mas há algum tempo o setor se pergunta: o que vem depois?

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Um movimento já se organiza para olhar além de novos atrativos ou eventos. A cidade quer se posicionar como um Destino Turístico Inteligente, um conceito que envolve tecnologia, sustentabilidade, experiência do visitante e qualidade de vida para quem mora aqui. Na prática, isso significa integrar áreas que sempre funcionaram separadas, como mobilidade, segurança, cultura, inovação e até a forma como o visitante percebe a cidade.

Um movimento que reúne diferentes setores

O Movimento Foz do Iguaçu – Turismo Inteligente, Sustentável e Inovador reúne organizações como o Sebrae, o Conselho Municipal de Turismo, universidades, município, representantes do trade e empresas locais. A proposta é articular ações e projetos que conectem diferentes áreas que impactam diretamente o turismo e a comunidade local.

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Entre os temas discutidos estão a criação de uma agenda cultural integrada, o mapeamento de artistas e produtores locais, o desenvolvimento de trilhas e novas experiências, o alinhamento da segurança na tríplice fronteira e o uso de tecnologia e dados para qualificar a gestão do turismo.

Ações que já começaram a sair do papel

Embora o conceito ainda não seja tão claro para o público, algumas iniciativas já mostram como esse modelo começa a se materializar em Foz do Iguaçu.

Desde 2022, o destino passou por diagnósticos técnicos que avaliaram o nível de maturidade da cidade dentro do conceito de turismo inteligente, com destaque para a melhor pontuação nacional na avaliação do Sebrae. A cidade também estruturou um plano de transformação com apoio do Ministério do Turismo, que reconheceu Foz como um destino turístico inteligente em processo de evolução.

Esse avanço também já aparece em reconhecimento e articulação fora da cidade. Em 2024, Foz foi premiada em duas categorias do Prêmio Ibero-Americano de Destinos Turísticos, durante a Feira Internacional de Destinos Inteligentes (FIDI), em Curitiba, com projetos ligados à inovação e à qualificação de experiências, além de ter sido o destino com maior número de iniciativas inscritas. No mesmo período, o município passou a integrar tanto a Rede Brasileira de Destinos Turísticos Inteligentes quanto a Rede Iberoamericana, ampliando sua conexão com outras cidades e modelos internacionais.

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FIT Cataratas 2025 Foto: Jean Pavão

Outro exemplo é o próprio Festival Internacional das Cataratas, que há mais de duas décadas reúne atores do turismo nacional e internacional e, junto ao Hackatour, aproxima universidades, tecnologia e mercado na criação de soluções e novas ideias para o setor.

O que muda na prática

Na prática, a ideia de um destino turístico inteligente começa a aparecer em situações simples do dia a dia. É quando a cidade consegue organizar melhor o fluxo de visitantes nos atrativos, indicar os melhores horários para visitação, integrar eventos culturais à experiência do turista ou usar dados para entender o comportamento de quem chega. Em vez de cada setor funcionar isolado, tudo passa a se conectar, criando uma experiência mais fluida para quem visita e mais organizada para quem vive do turismo.

Jornada de Desenvolvimento de Produtos Turísticos de Experiência Foto: divulgação

Um exemplo concreto de um destino turístico inteligente está em iniciativas que conectam turismo e economia criativa. Desde 2024, projetos como a jornada de desenvolvimento de souvenirs e produtos de experiência no Oeste do Paraná vêm trabalhando diretamente com artesãos e empreendedores para transformar cultura e identidade em produtos turísticos. Esse processo ganhou reconhecimento nacional com o Selo Sesi ODS por dois anos consecutivos, reforçando seu impacto na geração de renda, valorização cultural e desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, a experiência do visitante não termina no passeio, mas se materializa em produtos e vivências que carregam a identidade do território, ao mesmo tempo em que fortalecem a economia local.

Um planejamento de longo prazo

A cidade também estruturou um plano estratégico com visão para os próximos anos, com o objetivo de alcançar certificações e se consolidar como referência na América Latina em destino turístico inteligente. A proposta é que o turismo continue sendo um dos motores da economia local, mas com mais inovação, sustentabilidade e integração entre os diferentes atores do território.

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