Lago de Itaipu avança para entrar no roteiro de turistas na região

O Lago de Itaipu tem um potencial muito maior para o turismo do que apenas receber banhistas e pessoas que buscam a tranquilidade criada pelas prainhas artificiais dos municípios lindeiros. Esse potencial sempre foi limitado por questões técnicas e até por falta de planejamento , e não por falta de vontade, mas porque o lago, um dos maiores do Brasil, surgiu com uma única função: sustentar a geração de energia de Itaipu.
A Itaipu Binacional, junto com os municípios lindeiros, deu início à construção de um plano estruturado de turismo náutico. A proposta envolve os 16 municípios da região e já tem roteiro desenhado, cronograma de visitas técnicas e participação de especialistas internacionais.
“O turismo é algo que pode mudar a vida de muita gente. Isso aumenta muito a renda das pessoas, permite que aquele agricultor que vive da sua produção agregue uma renda que ele não tinha, com muito menos trabalho”, afirmou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri.
O projeto parte de um olhar diferente do que vinha sendo feito até aqui. Em vez de planejar o lago a partir da terra, o estudo foi desenvolvido com foco na experiência de quem está navegando. O estudo foi desenvolvido em parceria com o Itaipu Parquetec e consultores internacionais da Ocean Eyes Productions, especializados em turismo náutico sustentável. “Eles ficaram 15 dias no lago e apresentaram alguns pontos de vista que a gente que olha para o lago todo dia, muitas vezes, nem consegue ter”, explicou Aline Teigão, gerente da Divisão de Iniciativas de Turismo da Itaipu.
Os primeiros roteiros já começaram a ser propostos. Um deles, já considerado pronto para operação, percorre a região de Guaíra, Terra Roxa e Mundo Novo, com foco em pesca esportiva e na paisagem marcada pelo antigo leito das Sete Quedas. Outro, em estágio avançado, conecta navegação pelo Rio Ocoy, gastronomia rural e pôr do sol no Morro da Salete.
Há ainda trajetos em desenvolvimento que passam por cidades como Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, ampliando o potencial turístico de toda a região. Mas o reservatório criado para abastecer a hidrelétrica de Itaipu tem um desafio: a navegação segura.
Hoje, grande parte do lago ainda depende de conhecimento local e navegação intuitiva, exigidas pela grande quantidade de materiais como troncos de árvores, que representam risco para as embarcações. Por isso, a criação de uma carta náutica oficial é tratada como prioridade. “A autoridade competente da carta náutica é a Marinha. Já faz mais de um ano que estamos em conversa para efetivar esses dados, principalmente para a região dos paliteiros, que é a mais complexa”, explicou Aline Teigão.

Lago de Itaipu. Foto: Edino Krug/Itaipu Binacional
Além da segurança, o projeto de turismo no lago também esbarra em desafios ambientais. Estudos identificaram áreas com assoreamento e contaminação, o que exigirá ações de saneamento e recuperação. “Temos um compromisso ambiental que se impõe sobre qualquer outra coisa”, destacou Enio Verri.
Mesmo com os desafios, esse plano para o turismo avança com uma lógica diferente das tentativas anteriores, baseada na construção conjunta entre municípios, Itaipu, Estado e iniciativa privada. “É o começo de algo grandioso para o turismo náutico da região”, afirmou o diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni.
Nos próximos dias, equipes técnicas vão percorrer os municípios lindeiros para mapear potencialidades e demandas. Na sequência, acontecem oficinas locais para alinhar os projetos e definir os próximos passos. Ainda não é um produto pronto para o turista, mas o planejamento estruturado e estratégico é um passo importante para que o Lago de Itaipu começe a ganhar espaço para se tornar, de fato, um atrativo para o turismo da região.
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