Até onde dá para ir no Carnaval sem colocar o corpo em risco, segundo médicos

Excessos comuns da folia acendem alerta entre especialistas e exigem atenção ao corpo

Thiago Alonso
Por Redação Curta Mais
Até onde dá para ir no Carnaval sem colocar o corpo em risco, segundo médicos
Foto: Divulgação

O Carnaval é marcado por alegria, multidões e longas horas de festa, mas também por um aumento consistente nos atendimentos de emergência. Durante o período de folia, médicos observam crescimento nos casos de complicações cardíacas associadas a excessos comuns dessa época do ano, como consumo elevado de álcool, desidratação, privação de sono e esforço físico prolongado.

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Segundo o cardiologista Lucas Nolêto, do Hospital Encore, os dias de Carnaval costumam acender um alerta nos serviços de saúde. Ele explica que, nesse período, há aumento de atendimentos relacionados a crises hipertensivas, arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, e casos de infarto agudo do miocárdio. Essas ocorrências, segundo o médico, não se restringem a pessoas com doenças cardíacas já conhecidas.

“Essas emergências podem atingir tanto pessoas com doenças cardíacas quanto indivíduos jovens e aparentemente saudáveis”, afirma Nolêto. De acordo com ele, a falsa sensação de resistência do corpo, aliada ao clima de festa, faz com que muitos ultrapassem limites físicos sem perceber.

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O consumo abusivo de álcool aparece como um dos principais fatores associados a esses quadros. O cardiologista explica que a bebida alcoólica pode desencadear arritmias, elevar o risco de infarto e provocar lesões no músculo cardíaco. Em alguns casos, essas lesões evoluem para insuficiência cardíaca, especialmente quando o consumo ocorre de forma repetida e intensa.

Quando o álcool se soma a outros fatores comuns do Carnaval, como calor intenso, desidratação e longos períodos em pé, o impacto sobre o coração se torna ainda mais preocupante. Segundo Nolêto, essa combinação sobrecarrega o sistema cardiovascular e reduz a capacidade do organismo de se autorregular durante o esforço prolongado.

Outro risco frequente durante a folia é o uso de drogas estimulantes, muitas vezes associado à privação de sono. Essas substâncias elevam a frequência cardíaca e a pressão arterial, criando um cenário propício para arritmias graves, infarto provocado por espasmo das artérias coronárias, miocardite e até parada cardiorrespiratória. O médico alerta que, mesmo em pessoas sem histórico de doença cardíaca, esses eventos podem ocorrer.

“Mesmo pessoas sem histórico de doença cardíaca podem sofrer eventos graves nesse contexto”, reforça o cardiologista, ao destacar que o organismo não consegue compensar tantos estímulos nocivos ao mesmo tempo.

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Alguns sinais exigem atenção imediata e não devem ser ignorados durante o Carnaval. Dor no peito, falta de ar, palpitações, tontura, sensação de desmaio ou o desmaio propriamente dito são sintomas que indicam a necessidade de interromper a festa e buscar atendimento médico com urgência. Ignorar esses sinais pode atrasar o diagnóstico e agravar o quadro clínico.

Para quem já convive com hipertensão, arritmias ou histórico de infarto, os cuidados devem ser ainda mais rigorosos. Manter o uso correto das medicações, dormir adequadamente, evitar desidratação, não utilizar drogas estimulantes e moderar o consumo de álcool são medidas fundamentais para atravessar o período de festas com mais segurança.

A recomendação final dos especialistas é clara e direta. É possível aproveitar o Carnaval sem abrir mão da saúde, desde que o corpo seja respeitado. Hidratação adequada, pausas para descanso, sono em dia e moderação nos excessos ajudam a reduzir riscos e evitar emergências. Como resume Lucas Nolêto, “o Carnaval passa, mas a saúde precisa ficar”.

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