Ferrovia gigante vai ligar Brasília ao litoral do Espírito Santo; rota inédita para turistas e cargas

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
Ferrovia gigante vai ligar Brasília ao litoral do Espírito Santo; rota inédita para turistas e cargas
Novo trem Brasília–litoral do ES promete transformar viagens e já estuda levar passageiros. Foto: Divulgação

A possibilidade de viajar de trem do coração do Brasil, em Brasília,  até o litoral do Espírito Santo começa a ganhar forma. A Estrada de Ferro Juscelino Kubitschek, prevista para iniciar as obras a partir de 2027, avança em estudos ambientais e projeta mudar a lógica de transporte entre Centro-Oeste e Sudeste. Além disso, a ferrovia surge como uma aposta de desenvolvimento que pode redefinir rotas logísticas e abrir uma alternativa inédita de mobilidade.

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A linha ligará Brasília a São Mateus por mais de 1.300 quilômetros. O traçado atravessará 38 municípios em Goiás e Minas Gerais e integrará o Corredor Centro-Leste, que pode superar dois mil quilômetros no futuro. Assim, a ferrovia nasce com a promessa de impulsionar a economia e aproximar regiões que, até hoje, dependem majoritariamente das rodovias.

O trem que pode mudar o Centro-Oeste: rota de Brasília até o Espírito Santo ganha novo capítulo. Foto: Divulgação

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Investimento bilionário e novas perspectivas para o setor ferroviário

A Estrada de Ferro JK integra o programa federal Pró Trilhos e está sob concessão da Petrocity Ferrovias. A empresa estima mais de 14 bilhões de reais em investimentos. Além disso, planeja construir unidades de transbordo e apoio à carga ao longo do trajeto, formando novos polos logísticos.

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O projeto está em análise no Ibama, que avalia o estudo de impacto ambiental já apresentado. A Agência Nacional de Transportes Terrestres reconheceu a obra como de utilidade pública em 2024. Sendo assim, o processo de desapropriação avança enquanto a empresa aguarda o desfecho do licenciamento. Caso o calendário se cumpra, a construção deve começar em 2027 e o novo corredor ficará pronto entre 2030 e 2031.

Corredor ferroviário promete reduzir custos, gerar empregos e conectar Brasília ao litoral. Foto: Divulgação

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Corredor Centro-Leste pode gerar empregos e reduzir custos

As projeções apontam mais de 200 mil empregos diretos e indiretos durante as fases de implantação e operação da ferrovia. Especialistas afirmam que o corredor pode ajudar a reequilibrar a matriz de transporte brasileira, hoje concentrada nas rodovias.

Segundo a Petrocity, um comboio com cem vagões pode substituir até 300 carretas. Além disso, a empresa defende que o custo logístico será menor e que haverá redução significativa de emissões de carbono. A promessa de ganhos econômicos tem atraído produtores agrícolas, empresas de mineração e indústrias que buscam novas saídas para o porto capixaba.

Ligação entre Brasília e o mar pode incluir passageiros

Embora o foco inicial seja o transporte de cargas, a empresa admite que estuda, para o futuro, a possibilidade de viagens de passageiros. Seria uma alternativa inédita de mobilidade, ligando o Centro-Oeste ao litoral do Espírito Santo sobre trilhos.

No cenário atual, a operação não se sustenta economicamente. Mesmo assim, a ideia permanece no horizonte. A expectativa alimenta a imaginação de quem sonha com um trajeto confortável, sustentável e direto até a praia.

Brasília

Ferrovia terá mais de 1.300 km e avalia incluir passageiros no futuro. Foto: Divulgação

Pró Trilhos abre caminho para ferrovias privadas no país

A ferrovia também simboliza um novo momento do setor. O Pró Trilhos, criado pela Medida Provisória nº 1.065/2021, autorizou empresas privadas a construir e operar ferrovias sem depender do modelo tradicional de concessão.

Assim, transportadores, indústrias e operadores logísticos passaram a solicitar autorizações para erguer seus próprios trechos. O Ministério da Infraestrutura já recebeu 76 pedidos, que somam dezenove mil quilômetros de novas linhas privadas. Os investimentos superam 224 bilhões de reais e a estimativa é gerar 2,6 milhões de empregos. Além disso, o programa deve reduzir custos, diminuir emissões e modernizar a malha ferroviária nacional.

Memória e futuro sobre trilhos

A ferrovia recebeu o nome de Juscelino Kubitschek como homenagem ao espírito desenvolvimentista que marcou a criação de Brasília. A EFJK desponta como símbolo de uma nova fase ferroviária no país. Se o cronograma for cumprido, a linha será a maior ferrovia privada do Brasil.

Além disso, o corredor poderá abrir um novo eixo de integração econômica e social. A expectativa é grande. O sonho de viajar de trem até o mar reacende a relação afetiva dos brasileiros com os trilhos.

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