Caneta emagrecedora capaz de reduzir até 20% do peso começa a ser testada no SUS

Uma caneta emagrecedora que ganhou destaque mundial no tratamento da obesidade começa a ser analisado em uma iniciativa inédita no Brasil. A farmacêutica Novo Nordisk anunciou um programa que permitirá o uso da chamada “caneta emagrecedora” em unidades da rede pública de saúde.
O projeto vai acompanhar pacientes com obesidade grave atendidos pelo Sistema Único de Saúde. A proposta é observar, durante dois anos, como o medicamento funciona no ambiente real de atendimento do sistema público.
O tratamento de caneta emagrecedora utilizará o Wegovy, versão injetável da substância semaglutida. O remédio já é utilizado em diversos países para auxiliar na perda de peso quando combinado com mudanças no estilo de vida.

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Testes começam em hospitais públicos
A iniciativa será implementada inicialmente em três centros de saúde no país. Um deles ficará em Porto Alegre, no Grupo Hospitalar Conceição, instituição ligada à rede federal.
Outro local será o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione, no Rio de Janeiro. Um terceiro município participante ainda será anunciado pela companhia.
Os pacientes serão selecionados entre aqueles que já recebem acompanhamento nessas instituições. Cada centro terá autonomia para definir critérios clínicos de inclusão, respeitando protocolos médicos e as características da população atendida.

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Durante o período de dois anos, médicos e pesquisadores vão acompanhar indicadores de saúde, evolução do peso e possíveis efeitos do tratamento.
Debate sobre acesso a medicamentos para obesidade
Hoje, o SUS não oferece medicamentos específicos para tratamento da obesidade. Em 2024, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS avaliou terapias com semaglutida e liraglutida.
Na ocasião, a recomendação foi de não incorporar os medicamentos ao sistema público naquele momento. O principal motivo foi o custo estimado do tratamento.
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Estudos do Ministério da Saúde indicaram que a oferta dessas terapias poderia gerar um impacto financeiro de cerca de R$ 4,1 bilhões em cinco anos, podendo chegar a R$ 6 bilhões caso o uso fosse contínuo.

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Mesmo assim, especialistas destacam que o debate sobre o acesso a tratamentos para obesidade vem crescendo. Isso acontece porque o número de casos da doença aumenta de forma significativa no país.
Como funciona a chamada “caneta emagrecedora”
A substância presente no medicamento é a semaglutida, pertencente à classe dos agonistas do receptor GLP-1. Esses compostos atuam em mecanismos hormonais relacionados ao controle do apetite.
Na prática, o medicamento age em áreas do cérebro ligadas à sensação de saciedade. Além disso, ele retarda o esvaziamento do estômago e ajuda a reduzir a ingestão de calorias ao longo do dia.
Inicialmente, a substância foi desenvolvida para tratar Diabetes tipo 2. Com o tempo, estudos clínicos demonstraram que ela também poderia contribuir para o controle da obesidade.
Ensaios científicos de grande escala indicam que pacientes em tratamento com semaglutida podem perder cerca de 15% do peso corporal em aproximadamente 68 semanas. Em alguns estudos, a média chegou a 17%, e parte dos participantes conseguiu reduzir mais de 20% do peso inicial.
Além da perda de peso, pesquisadores também observaram melhorias em indicadores metabólicos, como redução da gordura visceral e possíveis benefícios cardiovasculares.

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Resultados no mundo real
Agora, o objetivo do novo programa é entender como esses resultados observados em estudos clínicos se comportam na rotina do sistema público de saúde.
A iniciativa pode gerar informações importantes para médicos, pesquisadores e gestores do SUS. Ao mesmo tempo, contribui para ampliar o debate sobre tratamentos para obesidade no Brasil.
Mais do que uma simples medicação, o tratamento envolve mudanças de estilo de vida. Alimentação equilibrada, prática de atividade física e acompanhamento médico continuam sendo parte fundamental do processo.
