Descoberta chinesa no lado oculto da Lua pode mudar o que sabemos sobre o satélite
Amostras trazidas pela sonda Chang’e‑6 revelam evidências que podem reescrever o entendimento sobre o satélite

O lado que a Terra nunca vê agora começa a revelar seus mistérios. Pesquisadores chineses identificaram materiais nunca antes encontrados no satélite natural da Terra: nanotubos de carbono de parede única e grafite formados naturalmente. As amostras vieram da missão Chang’e‑6, da Administração Espacial Nacional da China (CNSA), que pousou na Bacia do Pólo Sul‑Aitken em junho de 2024 e trouxe à Terra cerca de 1,9 kg de solo e rochas lunares — a primeira remessa desse lado oculto analisada em laboratório.
Os nanotubos de carbono são estruturas microscópicas cilíndricas, milhares de vezes mais finas que um fio de cabelo, mas com resistência mecânica extrema, leveza, condução elétrica e térmica eficientes e alta estabilidade química. Segundo cientistas da Jilin University e instituições ligadas à CNSA, esses materiais provavelmente se formaram devido a impactos de micrometeoritos, antigas erupções vulcânicas e exposição intensa ao vento solar e à radiação, sem qualquer intervenção humana.

Além dos nanotubos, as análises revelaram evidências de impactos colossais que moldaram profundamente a bacia lunar. A composição isotópica do potássio nos basaltos da Chang’e‑6 mostrou valores de δ41K entre 0,001 ± 0,028 ‰ e 0,093 ± 0,014 ‰, significativamente mais elevados do que qualquer amostra trazida pelas missões Apollo. Isso indica que colisões massivas aqueceram o interior lunar, vaporizando elementos voláteis e alterando quimicamente a crosta e possivelmente o manto da Lua.
Esses impactos também ajudaram a explicar por que a atividade vulcânica do lado oculto é diferente da superfície visível. Simulações computacionais confirmam que o calor gerado pelos impactos provocou convecção interna, remodelando a geologia lunar de forma profunda e duradoura.
Divulgada em janeiro e fevereiro de 2026, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a geologia e química lunar, mostrando que a Lua é mais dinâmica do que se imaginava. Ela oferece pistas sobre a evolução de outros corpos rochosos do Sistema Solar e reforça a importância de missões como a Chang’e‑6 para desvendar os segredos do lado oculto do satélite.
