Diagnóstico de autismo na vida adulta levanta debate sobre inclusão no mercado de trabalho

Ccresce o número de profissionais que descobrem o TEA mais tarde e enfrentam desafios no ambiente corporativo

Thiago Alonso
Por Redação Curta Mais
Diagnóstico de autismo na vida adulta levanta debate sobre inclusão no mercado de trabalho
Imagem ilustrativa de pessoa adulta com autismo. - Foto: Divulgação

Com o avanço das discussões sobre saúde mental e inclusão, um movimento tem ganhado força: adultos que passam anos se sentindo “fora do padrão” e, só mais tarde, descobrem que fazem parte do Transtorno do Espectro Autista. O diagnóstico tardio do autismo tem mudado a forma como esses profissionais enxergam a própria trajetória, principalmente dentro do mercado de trabalho.

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Em ambientes corporativos, onde comunicação e interação social costumam ser valorizadas, o tema levanta um questionamento cada vez mais presente: as empresas estão preparadas para lidar com diferentes formas de pensar e se comunicar?

Segundo Larissa de Oliveira e Ferreira, doutora e professora do curso de Psicologia da Estácio, o diagnóstico na vida adulta funciona como uma peça que faltava.

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“Muitos adultos chegam ao consultório com quadros de burnout ou depressão, sem saber que a causa base é o esforço hercúleo que fazem para ‘parecerem normais’, o que chamamos de masking. O diagnóstico traz alívio, mas também a necessidade de renegociar o espaço no mundo profissional”, explica.

Esse processo de “masking”, comum entre pessoas no espectro, envolve a tentativa constante de se adaptar a padrões sociais, o que pode gerar desgaste emocional ao longo dos anos.

Comunicação e ambiente ainda são barreiras

Mesmo com mais informação disponível, muitos ambientes de trabalho ainda são estruturados para perfis neurotípicos. Situações comuns, como reuniões, conversas informais e ambientes barulhentos, podem ser desafiadoras.

Dificuldades na leitura de linguagem não verbal, interpretação literal de mensagens e sensibilidade a estímulos como luz e som estão entre os principais pontos de atenção.

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“As conexões no trabalho exigem uma leitura de entrelinhas que o autista pode não ter de forma intuitiva. Muitas vezes, o que se interpreta como desinteresse ou grosseria é apenas uma forma direta de processar a informação. Falta às empresas o que chamamos de letramento em neurodiversidade”, afirma a especialista.

Pequenas mudanças fazem diferença no dia a dia

A adaptação do ambiente corporativo nem sempre exige grandes investimentos. Em muitos casos, ajustes simples já ajudam a melhorar a experiência desses profissionais.

Entre as estratégias estão:

  • uso de fones de ouvido para reduzir ruídos
  • instruções claras e objetivas, preferencialmente por escrito
  • redução de estímulos sensoriais no ambiente
  • possibilidade de trabalho remoto

“Quando o ambiente é seguro, o profissional autista entrega um foco e uma capacidade analítica acima da média”, pontua Larissa.

Inclusão vai além da contratação

O debate também se conecta às práticas de diversidade e inclusão dentro das empresas. Para especialistas, contratar não é suficiente. É preciso adaptar a cultura organizacional.

A recomendação é investir em diálogo aberto, treinamento de lideranças e flexibilização de modelos de trabalho, como o home office.

“Quando a empresa aprende a lidar com o diferente, ela se torna mais humana e eficiente para todos”, finaliza a psicóloga.

Em meio ao Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo, o tema ganha ainda mais relevância ao trazer à tona histórias que, por muito tempo, passaram despercebidas no ambiente profissional.

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