Documentário brasileiro mais premiado do ano chega aos cinemas

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
Documentário brasileiro mais premiado do ano chega aos cinemas
Documentário “A Queda do Céu” estreia no país e leva a voz Yanomami às telonas. Foto: Divulgação/ Carlos Sanfer

Em meio ao encerramento da COP30, o documentário brasileiro mais celebrados do cinema recente finalmente chega às salas do país. “A Queda do Céu”, dirigido por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, entrou em cartaz nesta quinta-feira (20/11) após uma trajetória internacional marcada por prêmios, debates e longas sessões de aplausos em festivais ao redor do mundo.

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Foram mais de 80 festivais em diferentes continentes. Além disso, o filme conquistou 25 prêmios, incluindo o Grande Prêmio do Júri na Competição Kaleidoscope, em Nova York, um dos principais reconhecimentos do cinema documental internacional. No entanto, mais do que números, o que chama atenção é o impacto simbólico e político que a obra provoca.

Baseado no livro homônimo do líder Yanomami Davi Kopenawa, o documentário mergulha na cosmologia indígena a partir do ritual Reahu, uma das cerimônias mais importantes do povo Yanomami. Ou seja, não se trata apenas de um filme sobre uma comunidade, mas de uma experiência sensorial e espiritual que propõe uma outra forma de enxergar o mundo.

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Documentário percorreu mais de 80 festivais e conquistou 25 prêmios internacionais. Divulgação/ Carlos Sanfer

A floresta como voz e não como cenário

Diferente de produções tradicionais, “A Queda do Céu” não transforma a floresta em pano de fundo. Pelo contrário. A floresta fala. Ela respira. Ela ocupa a tela como território vivo. A câmera acompanha o cotidiano da comunidade de Watorikɨ e dá centralidade à palavra de Davi Kopenawa, que conduz a narrativa com a sabedoria de quem carrega, há décadas, uma luta pela vida e pelo futuro do planeta.

Após varrer festivais, documentário sobre os Yanomami finalmente estreia no Brasil. Foto: Divulgação/ Carlos Sanfer

A direção evita o tom didático. Ao invés disso, aposta em imagens longas, silenciosas e contemplativas. Assim, o espectador não apenas assiste, mas é convidado a desacelerar. A ouvir com calma. A sentir. E, principalmente, a refletir sobre o modo como a sociedade se relaciona com a terra, com os povos originários e com o próprio conceito de progresso.

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Documentário

Documentário estreia durante a COP30 e amplia debate sobre povos originários. Foto: Divulgação/ Carlos Sanfer

Um documentário que dialoga com o agora

O lançamento no Brasil às vésperas do encerramento da COP30 não é apenas uma coincidência. Ele amplia o sentido do filme. Em um momento em que o mundo discute mudanças climáticas, desmatamento e crise ambiental, a voz dos Yanomami chega não como denúncia isolada, mas como um chamado profundo à escuta.

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Além disso, o documentário se insere em uma onda crescente de valorização do cinema indígena e de narrativas feitas a partir dos próprios territórios, e não apenas sobre eles. Isso reforça sua relevância cultural e histórica.

Serviço – Estreia nos cinemas

O filme “A Queda do Céu” está em cartaz nos principais cinemas do Brasil a partir de 20 de novembro.
Sessões variam conforme a rede e a cidade.

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