Romance ou terror? Filme de comédia romântica excêntrica continua dividindo o público

Filme foge do romance tradicional e propõe uma reflexão honesta sobre expectativas, desencontros e amadurecimento emocional

Kamilly Carvalho
Por Kamilly Carvalho
Romance ou terror? Filme de comédia romântica excêntrica continua dividindo o público
500 Dias com Ela (foto: divulgação/ Disney+)

Lançado em 2009, 500 Dias com Ela (500 Days of Summer), dirigido por Marc Webb e estrelado por Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel, é uma indicação certeira para quem busca um filme romântico fora dos padrões convencionais de Hollywood. A obra não se propõe a contar uma história de amor idealizada, mas sim a desconstruí-la e é justamente aí que reside sua força.

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500 Dias com Ela: uma história de amor sem idealizações

A narrativa acompanha Tom, um jovem que acredita fielmente no amor romântico, e Summer, uma mulher que não acredita em relacionamentos duradouros. O filme deixa claro desde o início que não se trata de uma história de amor, mas de uma história sobre o amor. A relação entre os dois é contada de forma não linear, alternando momentos felizes e frustrantes ao longo dos 500 dias em que eles passaram (e não passaram) juntos, o que reforça a subjetividade das memórias e das emoções do protagonista.

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Um dos maiores méritos do longa está no roteiro, que explora como expectativas irreais podem distorcer a percepção da realidade. Tom projeta em Summer tudo aquilo que deseja, ignorando de fato todos os sinais claros de incompatibilidade. Já Summer, frequentemente mal interpretada pelo público, se mantém coerente com o que afirma desde o começo: ela não promete aquilo que não pode entregar.

Claro, Summer teve recaídas com Tom, mas sempre afirmando que queria apenas se divertir e ter algo casual, ele por outro lado idealizou diversas vezes o futoro com ela e acabou se enganando e projetando a sua a frustação nela.

Visualmente, o filme se destaca pelo uso criativo de recursos narrativos, como divisões de tela, animações e trilha sonora marcante, que ajudam a traduzir o estado emocional do protagonista. A trilha é envolvente e faz com que a imersão do público seja ainda maior com o que está acontecendo no filme, mexendo com as emoções e explorando o envolvimento entre o filme e o telespectador.

A atuação de Joseph Gordon-Levitt é sensível e convincente. O ator constrói um protagonista frágil e introspectivo, marcado por um semblante melancólico e um sorriso fácil, que ajuda a gerar empatia imediata com o público. Tom é apresentado como alguém comum, vulnerável, que se entrega às próprias idealizações e acaba se frustrando ao confundir expectativas com realidade — um retrato honesto de quem acredita demais no amor romântico.

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Já Zooey Deschanel dá vida a uma Summer carismática e cheia de personalidade, distante da imagem de “vilã” que muitas vezes lhe é atribuída. Leve, espontânea e cativante, a personagem conquista pela sinceridade e pela forma clara com que expõe suas escolhas e limites. Com charme e naturalidade, a atriz faz o público se encantar por Summer do mesmo modo que Tom se encanta, reforçando a complexidade da relação e mostrando que nem toda história de amor precisa de culpados.

Uma breve sinopse 

500 Dias com Ela (foto: divulgação/ Disney+)

Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) está em uma reunião com seu chefe, Vance (Clark Gregg), quando ele apresenta sua nova assistente, Summer Finn (Zooey Deschanel). Tom logo fica impressionado com sua beleza, o que faz com que tente, nas duas semanas seguintes, realizar algum tipo de contato. Sua grande chance surge quando seu melhor amigo o convida a ir em um karaokê, onde os colegas de trabalho costumam ir. Lá Tom encontra Summer. Eles também cantam e conversam sobre o amor, dando início a um “relacionamento” que se tornaria um pesadelo para Tom.

500 Dias com Ela é uma indicação especialmente interessante para quem aprecia filmes que provocam reflexão. Mais do que falar sobre términos, o longa aborda amadurecimento, autoconhecimento e a necessidade de encarar o outro como ele realmente é, e não como gostaríamos que fosse. Um filme atual, mesmo anos após seu lançamento, e que continua gerando debates justamente por sua honestidade emocional.

Muitas pessoas costumam definir 500 Dias com Ela como um “filme de terror emocional”. Mas será mesmo? Talvez o desconforto venha do fato de que a história não apresenta vilões claros, apenas pessoas reais, com sentimentos reais, tentando fazer sentido do que sentem. Tom e Summer não são arquétipos distantes, eles apenas refletem vivências que muita gente já teve ou ainda terá.

As discussões em torno do filme revelam isso. Há quem enxergue Summer como alguém sem responsabilidade afetiva; outros veem Tom como carente, excessivamente dependente. Também existe a leitura de que Tom nunca amou Summer de fato, mas a imagem que criou dela. Quando tudo ia bem, ela era idealizada; quando tudo desmoronava, tornava-se alvo de frustrações, críticas e julgamentos, muitas vezes direcionados à sua aparência. O amor, nesse caso, se confunde com posse, expectativa e projeção.

Muitos homens, como Tom, encontram uma Summer ao longo da vida e acabam se perdendo nesse encontro. Porque a paixão não é algo estável ou racional, não é uma escolha consciente sobre o que sentir. Ela invade, desorganiza, cria promessas que nem sempre foram feitas. E é justamente aí que mora o perigo! Esperar do outro aquilo que ele nunca disse que poderia oferecer.

Desde o início, Summer deixa claras suas intenções. O que ela oferece é presença, desejo e leveza, não promessas. Tom, por outro lado, insiste em enxergar um futuro que só existe na sua IMAGINAÇÃO e no seu eu narcisico, ignorando alertas que sempre estiveram ali. No fim, fica a pergunta que ecoa mesmo após os créditos. Será que Tom aprendeu algo com essa história ou apenas seguirá repetindo o mesmo roteiro, transformando a próxima garota em mais uma Summer?

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