Inteligência artificial criada em Goiás começa a ser usada por tribunais de todo o Brasil

Ferramenta desenvolvida pelo TJGO e já analisou cerca de 2,5 milhões de processos

Thiago Alonso
Por Thiago Alonso
Inteligência artificial criada em Goiás começa a ser usada por tribunais de todo o Brasil
Inteligência artificial Berna foi criada em Goiás. - Foto: Divulgação

Uma ferramenta de inteligência artificial criada pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) começou a ser utilizada por tribunais de todo o país. A tecnologia, chamada Berna, foi integrada à Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ-Br) pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e agora pode ser acessada por magistrados de diferentes regiões do Brasil.

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A solução foi desenvolvida em Goiás para ajudar o Judiciário a identificar ações repetitivas e possíveis casos de litigância predatória. Esse tipo de prática ocorre quando processos semelhantes são apresentados em grande quantidade, muitas vezes com pedidos e argumentos praticamente idênticos.

Desde 2020, a ferramenta já vinha sendo utilizada internamente pelo Tribunal de Justiça goiano. Agora, com a integração ao sistema nacional do Judiciário, a tecnologia passa a fazer parte de uma rede que conecta tribunais de todo o país e compartilha soluções digitais desenvolvidas localmente.

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A Berna funciona a partir de técnicas de processamento de linguagem natural, capazes de interpretar textos jurídicos e identificar semelhanças entre documentos. O sistema lê petições iniciais, compara conteúdos e organiza os processos em grupos que apresentam padrões semelhantes.

Segundo o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, Leandro Crispim, a tecnologia permite transformar grandes volumes de informação em apoio para decisões judiciais.

“Fundamentada em técnicas avançadas de processamento de linguagem natural, a ferramenta Berna lê e interpreta os documentos processuais e identifica similaridades de teses jurídicas. Isso permite ao Judiciário transformar grandes volumes de dados em inteligência para a tomada de decisões”, afirmou.

De acordo com o diretor de Inteligência Artificial, Ciência de Dados e Estatística do tribunal, Antônio Pires de Castro, o sistema consegue identificar padrões que muitas vezes passariam despercebidos no meio de milhares de processos.

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“A Berna identifica, por meio de critérios matemáticos objetivos, padrões de semelhanças, destacando ações que tratam do mesmo tema, apresentam pedidos padronizados ou seguem um modelo repetitivo de argumentação”, explicou.

Mais de 2,5 milhões de processos analisados

Com a nacionalização da ferramenta, o sistema já analisou cerca de 2,5 milhões de processos ajuizados entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026 em 88 tribunais brasileiros. Esse volume foi organizado em mais de 353 mil grupos de ações semelhantes, o que permite aos magistrados visualizar rapidamente casos com características parecidas.

A tecnologia passou a integrar o Conecta, iniciativa do programa Justiça 4.0 que reúne soluções digitais criadas por tribunais brasileiros e as compartilha em uma rede de inovação envolvendo mais de 90 tribunais.

Segundo o juiz auxiliar da presidência do CNJ, Henrique Dada Paiva, o sistema ajuda a transformar grandes volumes de dados em informação estratégica para o Judiciário.

“Ao organizar milhões de petições iniciais por similaridade, a ferramenta transforma volume em inteligência. Isso permite aos tribunais atuar de maneira mais estratégica e identificar padrões com maior rapidez”, disse.

Para o juiz auxiliar da presidência do TJGO, Gustavo Assis Garcia, o agrupamento de processos semelhantes pode ajudar na análise conjunta de casos e na organização de julgamentos em lote, respeitando as particularidades de cada processo.

Apresentação nacional da ferramenta

A tecnologia já havia sido apresentada nacionalmente em dezembro de 2025, durante o evento “Inteligência Artificial no Poder Judiciário e o Projeto Conecta”, realizado na sede do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília.

Para apresentar o funcionamento da ferramenta aos tribunais brasileiros, o CNJ também programou um webinário no dia 19 de março, às 15h, com transmissão pelo Microsoft Teams e pelo canal do órgão no YouTube.

As inscrições para participar do encontro virtual ficam abertas até 17 de março e devem ser feitas pela página do CNJ.

O evento vai explicar como a inteligência artificial pode ser usada para identificar padrões em ações judiciais e ajudar tribunais a lidar com grandes volumes de processos semelhantes.

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