Maior procissão de Goiás acontece hoje à meia-noite; veja origem e curiosidades

Quando a meia-noite chega e as luzes se apagam na Cidade de Goiás, uma cena incomum toma conta das ruas de pedra. Homens encapuzados surgem carregando tochas acesas. O som de tambores ecoa. E a cidade, por alguns instantes, parece voltar ao século XVIII. É assim que começa a Procissão do Fogaréu, considerada a maior manifestação religiosa de Goiás e uma das mais impressionantes do Brasil.
Realizada tradicionalmente na Semana Santa, a procissão não é apenas um espetáculo visual. Ela carrega séculos de história, fé e memória coletiva. E, justamente por isso, continua atraindo milhares de pessoas todos os anos.

Foto: Divulgação
Uma tradição que nasceu no período colonial
A origem da Procissão do Fogaréu remonta a 1745, ainda no Brasil colonial. A celebração foi inspirada em rituais religiosos da Espanha, especialmente da cidade de Sevilha. Na época, a antiga Vila Boa de Goiás — hoje Cidade de Goiás — era um dos principais centros do interior do país.
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A proposta da encenação sempre foi simbólica. O cortejo representa a perseguição e prisão de Jesus Cristo pelos soldados romanos, momentos antes da crucificação. Sendo assim, cada elemento da procissão tem um significado específico.

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Os chamados farricocos, por exemplo, são personagens centrais. Vestidos com túnicas coloridas e capuzes pontiagudos, eles caminham descalços pelas ruas carregando tochas — os “fogaréus”. A imagem impacta. E, ao mesmo tempo, reforça o caráter penitencial da tradição.

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Do desaparecimento à retomada
Apesar da força cultural, a procissão chegou a desaparecer no início do século XX. Mudanças sociais e culturais contribuíram para o enfraquecimento da tradição. No entanto, décadas depois, um movimento local decidiu resgatar essa memória.
Em 1965, a Organização Vilaboense de Artes e Tradições (OVAT) foi criada com o objetivo de reconstruir o ritual com base em registros históricos e na lembrança dos moradores mais antigos. A partir daí, a Procissão do Fogaréu voltou a acontecer de forma contínua.

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Desde então, a celebração se consolidou. E passou a ocupar um lugar central no calendário religioso e turístico do estado.
Encenação transforma a cidade em um grande palco
O percurso da procissão começa no Museu de Arte Sacra da Boa Morte. Em seguida, o cortejo percorre ruas estreitas e históricas até pontos simbólicos, como o Santuário de Nossa Senhora do Rosário e a Igreja de São Francisco de Paula, que representa o Monte das Oliveiras.
Durante o trajeto, a cidade permanece às escuras. Apenas as tochas iluminam o caminho. Esse detalhe não é por acaso. Ele reforça a dramaticidade da cena e cria uma atmosfera única, que mistura silêncio, expectativa e emoção.

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O ponto alto acontece com a captura simbólica de Cristo, representado por um estandarte. Nesse momento, o público acompanha atento. Muitos se emocionam. Outros observam em silêncio. Mas dificilmente alguém sai indiferente.
Patrimônio e identidade cultural
Atualmente, a Procissão do Fogaréu é reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial de Goiás. O título, concedido por lei estadual em 2023, reforça a importância da manifestação para a identidade goiana.
Além disso, o evento impulsiona o turismo religioso. A cada edição, milhares de visitantes chegam à cidade. Hotéis lotam. Restaurantes ficam cheios. O comércio local se fortalece. Ou seja, tradição e economia caminham lado a lado.

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Por fim, mais do que uma encenação, o Fogaréu representa um elo entre passado e presente. Uma tradição que resiste ao tempo. E que continua sendo transmitida de geração em geração.

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Serviço
Evento: Procissão do Fogaréu
Data: 1º de abril
Horário: 00h (meia-noite)
Local: Centro histórico da Cidade de Goiás
Início: Museu de Arte Sacra da Boa Morte