Anvisa aprova medicamento que pode atrasar o desenvolvimento do diabetes tipo 1 em até dois anos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o teplizumabe, primeiro tratamento com potencial de modificar o curso do diabetes tipo 1

Suzana Goncalves
Por Redação Curta Mais
Anvisa aprova medicamento que pode atrasar o desenvolvimento do diabetes tipo 1 em até dois anos
Foto: Pixabay

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o teplizumabe, primeiro tratamento com potencial de modificar o curso do diabetes tipo 1. Comercializado com o nome Tzield, o medicamento da Sanofi é indicado para retardar o início da doença em pacientes adultos e pediátricos a partir de 8 anos que estejam no estágio 2 do diabetes, fase em que os sintomas clínicos ainda não se manifestaram.

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O medicamento atua preservando as células beta, responsáveis pela produção de insulina, o que ajuda a atrasar a progressão para o diabetes tipo 1 clínico — etapa em que surgem os sintomas e o uso diário de insulina se torna necessário. O tratamento é administrado por infusão intravenosa, uma vez ao dia, durante 14 dias consecutivos.

Detalhes

“Com a possibilidade de atrasar o desenvolvimento do diabetes tipo 1 clínico, podemos oferecer às famílias um tempo para preparação, educação e adaptação à essa condição. Isso permite evitar quadros graves e traumáticos ao diagnóstico, o que pode ter um importante impacto na saúde mental e no estresse emocional das famílias. Tzield é o primeiro imunomodulador aprovado para diabetes tipo 1 e isso representa uma importante mudança de paradigma no tratamento dessa doença. Passamos a modificar a história natural da doença e não apenas a repor insulina”, afirmou Melanie Rodacki, endocrinologista e professora de Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em comunicado.

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Pessoas que convivem com a condição enfrentam mais de 40 fatores que influenciam os níveis de açúcar no sangue e precisam tomar cerca de 180 decisões conscientes e inconscientes por dia relacionadas ao controle da doença — um peso que vai além do aspecto físico, afetando também o lado emocional e prático da rotina dos pacientes e de suas famílias.

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, progressiva e crônica, marcada pela destruição das células beta pancreáticas pelo próprio organismo. Essas células são responsáveis pela produção de insulina e sua perda leva à deficiência desse hormônio essencial. A maioria dos diagnósticos ainda ocorre de forma tardia, muitas vezes após um episódio de cetoacidose diabética, uma complicação grave que exige hospitalização de emergência.

Apesar disso, é possível identificar a doença antes do aparecimento dos sintomas clínicos por meio de exames de sangue simples, capazes de detectar autoanticorpos específicos e alterações nos níveis de glicose. A progressão ocorre em quatro estágios: nos estágios 1 e 2, ainda pré-sintomáticos, esses marcadores já podem ser identificados; o estágio 3 é caracterizado pela hiperglicemia de início recente, que pode ou não vir acompanhada de sintomas como sede excessiva, perda de peso, fadiga e visão turva; já o estágio 4 corresponde ao diabetes tipo 1 de longa duração.

“Por ser uma doença autoimune, o diabetes tipo 1 pode ser identificado antes mesmo do surgimento dos sintomas clínicos por meio de testes simples de sangue que detectam autoanticorpos específicos do diabetes. Quando identificamos a presença de dois ou mais autoanticorpos, sabemos que o processo de ataque do organismo às células beta já começou e que a progressão para o estágio clínico é praticamente certa. Com essa detecção precoce e a disponibilidade de Tzield, podemos finalmente intervir antes de um episódio de emergência, potencialmente retardando a progressão natural da doença e dando às famílias o tempo necessário para se prepararem”, explicou Rodacki.

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Pessoas diagnosticadas com diabetes tipo 1 apresentam níveis elevados de glicose e precisam aplicar insulina — ou utilizar uma bomba de insulina — para sobreviver, além de monitorar regularmente o açúcar no sangue ao longo do dia. O Tzield atua desativando células do sistema imunológico que atacam as células produtoras de insulina, ao mesmo tempo em que aumenta a proporção de células responsáveis por moderar essa resposta imune.

A aprovação do medicamento se baseia em um estudo clínico que mostrou que o Tzield foi capaz de retardar a progressão para o diabetes tipo 1 clínico por uma mediana de dois anos em comparação ao placebo. O estudo também indicou uma redução de 59% no risco de os pacientes passarem a precisar de insulina.

Efeitos colaterais

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão a diminuição de certos glóbulos brancos, erupções cutâneas e dor de cabeça. O tratamento também exige atenção a advertências e precauções, incluindo pré-medicação e monitoramento de sintomas da síndrome de liberação de citocinas, risco de infecções graves e reações de hipersensibilidade. Também é necessário garantir a vacinação adequada à idade antes de iniciar o tratamento, além de evitar o uso simultâneo de vacinas vivas, inativadas e de mRNA durante o uso do medicamento.

Fonte: O Globo

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Foto: Pixabay

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