Metronização de Goiânia: o que é e como funciona o 1º trecho da cidade
Sistema com inteligência artificial já opera entre alguns terminais da cidade e promete viagens mais rápidas para quem usa o BRT; entenda

Quem passa pelo corredor do BRT Leste-Oeste em Goiânia pode não perceber de imediato, mas um novo sistema já está funcionando para mudar a rotina de quem anda de ônibus na capital. Desde a segunda-feira (19), a chamada metronização começou a operar no trecho entre o Terminal Novo Mundo e a Praça da Bíblia. A proposta é simples: usar tecnologia para reduzir paradas nos semáforos e dar prioridade aos ônibus no trânsito.
A iniciativa foi anunciada pelo prefeito Sandro Mabel em janeiro e agora se concretiza com a entrega do primeiro trecho. A tecnologia emprega inteligência artificial para controlar semáforos de forma dinâmica, garantindo maior fluidez para os veículos do transporte coletivo. “Ao sair da estação, o ônibus já conta com um aparelho nele, que já começa a conversar com os semáforos. Os semáforos, por sua vez, começam a saber da proximidade de todos os ônibus e fazem uma programação com inteligência artificial”, explicou Mabel durante o lançamento.
Segundo a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET), com a metronização, a expectativa é de aumento de até 30% na velocidade operacional dos ônibus. Atualmente, os veículos circulam a cerca de 16 km/h nos horários de pico, e a meta é ultrapassar os 21 km/h — patamar considerado ideal para sistemas Bus Rapid Transit (BRT).
Como funciona o sistema da metronização
A metronização opera por meio de sensores instalados nos corredores e nos próprios ônibus. Esses sensores detectam a aproximação dos veículos e enviam sinais a uma central de controle. A partir daí, algoritmos de inteligência artificial determinam o melhor momento para abrir e fechar os semáforos, mantendo o sinal verde por mais tempo para os ônibus e reduzindo o número de paradas.
De acordo com Murilo Ulhôa, presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), os primeiros resultados já mostram mudanças no trajeto. “Normalmente, os ônibus que circulam nesse trecho faziam quatro paradas por conta dos semáforos fechados. Com a metronização, esse número caiu para apenas uma”, informou. Segundo ele, o objetivo é claro: reduzir o tempo dentro do ônibus e tornar o transporte mais atrativo para a população.
O secretário de Engenharia de Trânsito, Tarcísio Abreu, afirmou que o sistema está em operação há mais de três semanas em fase de testes. “A performance do sistema continua. O resultado agora é realmente beneficiar o transporte público. O transporte público é prioridade”, disse. A próxima etapa da metronização está prevista para o mês de junho e deve contemplar o trecho entre a Praça Cívica e o Terminal Isidória, no corredor Norte-Sul.

O prefeito Sandro Mabel (União Brasil) inaugurou o primeiro trecho no processo de ´metronização´ do transporte coletivo de Goiânia. Aconteceu no BRT Leste-Oeste, entre o Terminal Novo Mundo e a Praça da Bíblia
Expansão e integração com outros modais
A metronização é fruto de um Termo de Cooperação entre a SET, a RMTC (Rede Metropolitana de Transporte Coletivo), a CMTC e o RedeMob Consórcio. Mesmo com os corredores exclusivos, os BRTs Leste-Oeste e Norte-Sul ainda não atingem a velocidade ideal para um sistema de trânsito rápido. A expectativa é que, com o avanço da metronização, esses corredores finalmente operem de forma mais eficiente.
Durante o anúncio, o prefeito também mencionou a intenção de retomar o uso de ônibus menores para trajetos sob demanda — os antigos “citybus”. “Vamos voltar àqueles ônibus menores, para que eles possam fazer sob demanda. Então, nós iremos fazer para que cada vez mais a pessoa deixe o carro em casa e saia de transporte coletivo”, disse Mabel. Ele acrescentou que o objetivo é tornar o transporte público mais funcional e incentivar a migração do transporte individual para o coletivo.
A proposta faz parte de uma estratégia contínua de investimentos, segundo a gestão municipal. Outros corredores também devem passar por metronização no futuro, à medida que o sistema for ampliado. A ideia é que a tecnologia seja aplicada em diferentes eixos da cidade.
