FDA aprova novo remédio contra enjoo de viagem após 40 anos

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
FDA aprova novo remédio contra enjoo de viagem após 40 anos
Novo remédio contra enjoo. Foto: Divulgação

Viajar de carro, avião ou barco pode ser um desafio real para milhões de pessoas que não conhecem o novo remédio. Para quem sofre com enjoo de movimento, o simples deslocamento pode virar sinônimo de náusea, tontura e desconforto. Agora, uma novidade aprovada nos Estados Unidos reacende a esperança de viagens mais tranquilas.

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A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou um novo remédio para o tratamento da cinetose, popularmente conhecida como enjoo de movimento. O medicamento, chamado tradipitante e comercializado sob o nome Nereus, é o primeiro específico para essa condição a receber aprovação da agência em mais de 40 anos.

O lançamento do remédio está previsto para os próximos meses no mercado americano. Ainda não há previsão de chegada ao Brasil.

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A cinetose ocorre quando há um conflito entre o que os olhos enxergam e o que o ouvido interno, responsável pelo equilíbrio, percebe. Esse descompasso pode acontecer durante viagens de carro, avião, barco, trem ou até em atividades com movimento, como simuladores e alguns jogos tecnológicos.

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Novo remédio aprovado nos EUA traz esperança para quem sofre com enjoo. Foto: Divulgação

Segundo a médica otorrinolaringologista Juliana Caixeta, os sintomas vão além do simples enjoo. “Náuseas, vômitos, tontura, vertigem, suor frio, palidez e sonolência são comuns. Em casos mais intensos, pode haver impacto significativo na qualidade de vida”, explica.

Estudos apontam que o enjoo de movimento afeta entre 25% e 30% da população adulta. Em escala global, até um terço das pessoas é altamente suscetível. Embora a maioria apresente quadros leves, cerca de 5% a 15% enfrentam sintomas graves e recorrentes, muitas vezes resistentes aos tratamentos disponíveis.

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Um avanço aguardado há décadas

O remédio Nereus atua como um antagonista oral do receptor de neurocinina-1 (NK-1), mecanismo já estudado em outros contextos relacionados a náuseas e vômitos. De acordo com os ensaios clínicos, o medicamento pode reduzir os sintomas em mais de 50%, tanto de forma preventiva quanto durante o episódio de enjoo.

“A grande diferença é que, até hoje, usávamos medicamentos criados para outras finalidades. A melhora do enjoo era um efeito secundário. Agora, temos um remédio pensado especificamente para a cinetose”, destaca a médica.

A farmacêutica responsável também avalia o uso do medicamento para outros quadros, como náuseas induzidas por medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro.

Fim do mal-estar? Novo medicamento promete aliviar enjoo de movimento. Foto: Divulgação

Impacto direto na vida das pessoas

A recorrência dos sintomas leva muitas pessoas a evitarem viagens longas, passeios de barco e até experiências tecnológicas imersivas. Os grupos mais afetados incluem mulheres, crianças entre 7 e 12 anos e pessoas com enxaqueca ou histórico familiar de cinetose.

Foto: Divulgação

Além do tratamento medicamentoso, especialistas recomendam estratégias simples para aliviar o desconforto. Focar no horizonte, evitar leitura durante o trajeto, manter boa ventilação, fazer refeições leves e respirar profundamente ajudam a reduzir os sintomas. Em alguns casos, exercícios específicos para o labirinto e terapia também são indicados.

Apesar do avanço, o acompanhamento médico continua essencial para diagnóstico e escolha do tratamento mais adequado.

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