Relembre a história de Attilio Corrêa Lima, criador do plano urbanístico de Goiânia

Attilio foi o primeiro urbanista brasileiro formado, em Paris.

Mariane Faz
Por Mariane Faz
Relembre a história de Attilio Corrêa Lima, criador do plano urbanístico de Goiânia

Attilio Corrêa Lima foi engenheiro-arquiteto, urbanista e paisagista brasileiro e seu projeto mais conhecido foi o plano urbanístico de Goiânia.

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Attilio graduou-se como engenheiro-arquiteto na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), no Rio de Janeiro, em 1925 . Foi professor de planejamento urbano nessa mesma escola, a convite de Lúcio Costa, após graduar-se urbanista em Paris no ano de 1930 pela Sorbonne no Instituto de Urbanismo da Universidade de Paris (IUUP), sendo o primeiro urbanista formado do Brasil.

Como dito, o trabalho mais conhecido de Corrêa Lima foi, sem dúvida, o plano urbanístico de Goiânia. A cidade teve origem no Plano Diretor elaborado pelo arquiteto, que em 1932, a convite de Pedro Ludovico, se inspirou, em concepções avançadas para criar uma cidade moderna e planejada. Localizada no Centro-Oeste brasileiro, funcionou como uma espécie de ponta de lança da interiorização do Brasil, precursora da mudança da capital brasileira para o Planalto Central.

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Foto: reprodução/UNC

Além de urbanista, Attilio Corrêa Lima foi também paisagista. Neste campo, foi destaque por ter sido um dos pioneiros da integração de plantas tropicais e sub-tropicais em jardins públicos e privados. São projetos de sua autoria nesta área: Jardim da casa da família Matarazzo em São Paulo, jardim da família Marinho e parte do jardim da Granja Comary em Teresópolis, estado do Rio de Janeiro.

Outro dos seus principais projetos, foi o da estação de hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont (1937), atualmente sede do INCAER, com dois andares conectados por uma escada espiral, e que traz consigo todos os cinco pontos da nova arquitetura, preconizados por Le Corbusier, sendo este um dos primeiros edifícios modernistas.

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Attilio, em suas obras, buscou integrar arquitetura e planejamento urbano, baseando-se em estudos sobre a origem e o desenvolvimento das cidades brasileiras. Infelizmente, teve sua carreira drasticamente interrompida ao falecer com 42 anos em um acidente de avião no Aeroporto Santos Dummont do Rio de Janeiro vindo de São Paulo, em 27 de agosto de 1943, após uma desastrosa tentativa de pouso por parte do piloto, deixando esposa e um filho. O acidente com o avião Junkers JU 52 da VASP prefixo PP-PSD vitimou também o jornalista Cásper Líbero e o arcebispo de São Paulo Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva.

 

Plano Urbanístico de Goiânia

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Foto: reprodução/UNC

Quando Attilio aceitou o convite de Pedro Ludovico para elaborar os projetos e supervisionar as obras de implantação da nova capital do Estado de Goiás, o contrato previa a organização do traçado da cidade, projetos de infraestrutura, plano diretor, projetos arquitetônicos dos principais edifícios públicos e casas para funcionários, além da estruturação administrativa.

Após a execução de relatórios e da escolha do sítio, Attilio C. Lima não questionou a região escolhida pela comissão técnica, que foi outra, porém discordava do local indicado para implantar a área central da nova capital. O arquiteto projetou o núcleo inicial mais próximo da rodovia (atual Avenida Anhanguera) que então fazia a ligação entre Campinas – cidade que deu apoio à construção de Goiânia – e a cidade de Leopoldo de Bulhões, onde chegava a ferrovia. 

Nos planos de Attilio C. Lima, as vias de circulação projetadas são hierarquizadas seguindo uma lógica numérica, como no plano de Nova York. São previstas ligações da nova capital por via férrea, a Avenida Pedro Ludovico (atual Avenida Goiás) – avenida monumental da cidade – ligando a estação ferroviária, como um portal da cidade, à Praça Cívica.

O urbanista projetou um aeródromo com duas pistas de pouso muito próximo ao centro urbano. Na época era a única ligação de Goiânia com o resto do Brasil. Ainda idealizou uma estação de hidroaviões para o Lago Jaó, onde haveria a represa para geração de energia elétrica para a cidade e importante meio de ligação com outras regiões do país.

Após a entrega do Plano Diretor de 1935 de Goiânia, elaborado por Corrêa Lima, os engenheiros Coimbra Bueno realizaram alterações nos planos originais, de modo que poucos registros da efetiva participação do arquiteto-urbanista ficaram na história.

Planejada para 50 mil habitantes e consolidada como uma capital moderna que, “satisfazendo as exigências do urbanismo, fosse um centro de irradiação em todas as esferas da evolução econômico social” (Decreto nº 2337, de 20/12/1932, primeiro ato oficial visando a criação de Goiânia), a cidade, pouco antes de completar três décadas desde sua formação, já abrigava o triplo desta população. Fazendo com que o plano criado por Attilio nunca fosse totalmente implantado.

 

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*com informações de Universidade do Contestado e Universidade Federal de Goiás

Foto de capa: Reprodução/Jornal Opção

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