Obra de Siron Franco em homenagem à cidade de Goiás é apresentada em Goiânia

A obra de Siron Franco celebra a história de Goiás com recursos naturais do cerrado

João César Almeida
Por João César Almeida
Obra de Siron Franco em homenagem à cidade de Goiás é apresentada em Goiânia
Foto: Divulgação/ Adalberto Ruchelle

Uma maquete da fundação da cidade de Goiás feita com 16.700 pedras preciosas e semipreciosas retiradas da própria região é a nova obra do artista plástico Siron Franco. Intitulada “Solo Goiano”, a peça foi apresentada no Palácio das Esmeraldas, na última quarta-feira (07/05), em Goiânia, pelo governador Ronaldo Caiado, que idealizou a iniciativa como parte das homenagens aos 300 anos da antiga capital do Estado. As pedras utilizadas estavam abandonadas em construções históricas e foram resgatadas durante restaurações recentes. Agora, integram a criação de Siron, que levou cerca de um ano para finalizar a obra de 1,70m por 2,40m, inspirada em um mapa da fundação da antiga Vila Boa.

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A primeira-dama Gracinha Caiado, coordenadora do Goiás Social, descreveu a obra como “um sonho realizado”, destacando sua importância simbólica e cultural. A peça será transferida em julho para o Palácio Conde dos Arcos, na cidade de Goiás, onde ficará em exposição permanente. Para o prefeito da cidade de Goiás, Anderson Gouveia, a intervenção artística homenageia a resistência histórica da cidade e estabelece uma conexão poética com Cora Coralina, que imortalizou as pedras como símbolo da memória e da força do povo goiano.

Reconhecido por seu trabalho engajado e sua forte ligação com o Cerrado, Siron foi escolhido para traduzir a essência da terra-mãe de Goiás em uma linguagem sensível e profunda. A obra une arte, história e identidade regional, exaltando o valor do solo goiano e marcando o início simbólico dos festejos do tricentenário da antiga capital, que será celebrado oficialmente em 2027.

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Quem é Siron Franco?

Siron Franco, nascido em 1947 na cidade de Goiás, é um dos artistas plásticos mais expressivos do Brasil contemporâneo. Com uma trajetória que abrange pintura, escultura, desenho, gravura e direção de arte, sua obra transita entre o surrealismo, a abstração e a crítica social, sempre permeada por referências à cultura do Cerrado e ao cotidiano goiano. Ainda jovem, começou sua formação artística em Goiânia, onde frequentou aulas de D.J. Oliveira e Cleber Gouveia e teve contato com nomes que marcaram sua formação estética.

Ao longo da carreira, participou de bienais importantes, sendo premiado na 12⁠ª. Bienal Nacional de São Paulo, em 1974, onde foi premiado como o melhor pintor nacional. No ano seguinte, em 1975, Siron Franco ganha o prêmio internacional na 13ª. Bienal Internacional de São Paulo.

Um marco decisivo em sua produção foi o desastre do Césio-137 em Goiânia, que o levou a um caminho ainda mais político e engajado. A partir desse evento, suas obras passaram a incorporar elementos diretamente ligados à tragédia, com materiais do próprio local e um vocabulário visual mais sóbrio e simbólico. Após esse momento, Siron expandiu seu campo de atuação para obras públicas, como o Monumento às Nações Indígenas, abordando temas como direitos civis, ecologia e a memória das populações originárias. Seu trabalho, mesmo ao tratar de temas universais, mantém raízes profundas no solo goiano, e traduz com força poética as dores, histórias e identidades do Brasil Central.

Nascido na cidade de Goiás

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