Quem será o novo técnico da Seleção Brasileira de Futebol?

Escolha do sucessor de Dorival vai além do futebol: envolve crise de imagem, interesses comerciais e embate entre alas políticas da Confederação

Fernanda Cappellesso
Por Fernanda Cappellesso
Quem será o novo técnico da Seleção Brasileira de Futebol?
Brasão da Seleção Brasileira simboliza o peso histórico da camisa pentacampeã, agora em busca de um novo comando técnico após a saída de Dorival Júnior.

Agora é oficial: Dorival Júnior não é mais técnico da Seleção Brasileira. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou nesta sexta-feira (28) o desligamento do treinador, após sequência de resultados negativos nas Eliminatórias e pressão interna crescente. A saída ocorre em meio a uma das maiores crises institucionais da entidade e abre uma disputa acirrada pela sucessão no comando técnico da equipe nacional.

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Com a Seleção em quinto lugar nas Eliminatórias da Copa do Mundo e fragilizada em termos de desempenho e identidade, a escolha do novo técnico da Seleção Brasileira se tornou prioridade absoluta na CBF. Os principais nomes cotados — Carlo Ancelotti, Jorge Jesus, Filipe Luís e Fernando Diniz — representam visões distintas de futuro e também interesses divergentes dentro da confederação.

Mais do que um substituto para Dorival, a CBF busca um nome capaz de reconstruir a relação entre a Seleção Brasileira, a torcida e o mercado. Internamente, a escolha é tratada como estratégica, não apenas esportiva. Com queda na audiência, perda de engajamento nas redes e pressão dos patrocinadores, o novo técnico será também responsável por reerguer a imagem da Seleção como ativo comercial e simbólico.

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Ala internacional quer técnico estrangeiro de renome

Setores da CBF ligados ao marketing e às relações internacionais defendem a contratação de um nome com projeção global, capaz de devolver à Seleção o protagonismo midiático perdido nos últimos anos. Nesse cenário, Carlo Ancelotticontinua sendo o mais desejado, embora enfrente entraves contratuais com o Real Madrid.

Jorge Jesus, hoje à frente do Al Hilal, da Arábia Saudita, voltou a ganhar força nos corredores da CBF. Campeão da Libertadores e do Brasileirão pelo Flamengo em 2019, o técnico português é visto como uma solução intermediária: tem bagagem internacional, fala a língua dos jogadores e é popular entre a torcida brasileira.

A favor de Jesus, pesa ainda o fato de estar em fim de contrato e ter demonstrado interesse em trabalhar em seleções. Sua passagem vitoriosa pelo futebol brasileiro deixou legado tático e identificação com o elenco local.

 Corrente nacionalista defende renovação com Filipe Luís

De outro lado, uma ala da CBF prega uma reconstrução com identidade brasileira, focada em renovação e conexão com o torcedor. Nesse projeto, o nome de Filipe Luís, atualmente no Flamengo, desponta como símbolo de modernidade e renovação.

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Técnico desde 2024, Filipe conquistou o Campeonato Carioca e tem sido elogiado pelo trabalho tático, postura ética e liderança natural. Sua juventude é vista como uma vantagem por quem defende um ciclo a longo prazo, inspirado no modelo argentino com Lionel Scaloni.

 Diniz e Abel seguem no radar, mas com menos força

Fernando Diniz, que já comandou a Seleção de forma interina em 2023, também figura na lista. Seu estilo ofensivo e relação próxima com jogadores como André e Martinelli ainda contam a seu favor, embora o desempenho inconsistente em sua passagem anterior tenha reduzido seu capital político.

Outro nome lembrado é o de Abel Ferreira, técnico do Palmeiras. O português é considerado o treinador mais vencedor em atividade no Brasil, mas sua postura distante da CBF e seu contrato longo com o clube paulista dificultam uma investida concreta.

Técnico da Seleção vira peça estratégica em crise institucional

Mais do que uma escolha esportiva, a definição do novo técnico da Seleção Brasileira tornou-se peça central em uma disputa de poder interna na CBF. De um lado, dirigentes pressionados por patrocinadores exigem um nome que resgate a imagem da Seleção. De outro, há preocupação com a viabilidade prática, os custos e a construção de um projeto duradouro.

Ao mesmo tempo, a Seleção sofre com desgaste perante a opinião pública. Pesquisas encomendadas por parceiros comerciais da CBF mostram queda na adesão popular à equipe nacional, especialmente entre jovens de 18 a 30 anos. A imagem de um time desconectado da realidade nacional tem afetado audiência, engajamento digital e licenciamento de produtos.

 Resultados e pressão pública exigem ação rápida

Com apenas seis vitórias em 14 jogos sob o comando de Dorival, o time ocupa a quinta colocação nas Eliminatórias. A pressão por mudanças aumentou após o vexame contra a Argentina, mas a diretoria hesita em fazer a troca antes do Super Mundial de Clubes da Fifa, em julho.

Fontes da CBF indicam que a decisão sobre o novo técnico deve ser anunciada até maio, para garantir tempo hábil para convocação e estruturação da equipe. A escolha também deve considerar a Copa América de 2026, que será disputada nos Estados Unidos.

 Veja os nomes mais cotados para comandar a Seleção Brasileira

Nome Situação atual Pontos fortes
Carlo Ancelotti Técnico do Real Madrid Prestígio mundial, respaldo do elenco
Jorge Jesus Técnico do Al Hilal Experiência no Brasil, liderança, fim de contrato
Filipe Luís Técnico do Flamengo Jovem, moderno, popular entre atletas
Fernando Diniz Sem clube Estilo ofensivo, experiência recente na Seleção
Abel Ferreira Técnico do Palmeiras Altamente vitorioso, disciplinador
Cuca Livre no mercado Experiência, mas enfrenta resistência interna

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