Tempestade de ontem (14/6) em Goiânia foi a maior desde 1988; novos alertas estão no radar

Junho costuma marcar o início do período mais seco do ano em Goiás. Céu limpo, baixa umidade e semanas sem chuva fazem parte da paisagem tradicional desta época. Por isso, a tempestade que atingiu Goiânia na noite de domingo (15) chamou tanta atenção. Além dos transtornos provocados em diferentes regiões da cidade, o fenômeno entrou para a história ao quebrar um recorde que permanecia intacto há quase quatro décadas.
Dados do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) mostram que Goiânia registrou o maior volume de chuva para um mês de junho desde o início da série histórica, em 1961. O recorde anterior havia sido registrado em 4 de junho de 1988, quando foram contabilizados 47,1 milímetros de precipitação.

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Desta vez, os números foram ainda mais expressivos. A estação meteorológica do Jardim Guanabara, na Região Norte da capital, registrou 64 milímetros de chuva em poucas horas. O índice superou com folga a marca histórica observada há 38 anos. O Setor Sul também ultrapassou o antigo recorde, acumulando 50,4 milímetros. Já os bairros Vera Cruz e Leste Universitário registraram 44,6 milímetros cada, ficando muito próximos do antigo topo da série histórica.
Chuva intensa transformou a noite de domingo em Goiânia
O volume de água concentrado em um curto espaço de tempo provocou uma série de transtornos. Em diferentes regiões da cidade, moradores registraram alagamentos, enxurradas e ruas completamente tomadas pela água.
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Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram motocicletas em Goiânia sendo arrastadas pela correnteza, veículos ilhados em pontos críticos e dificuldades para motoristas e pedestres. Além disso, a combinação entre chuva intensa e rajadas de vento provocou queda de árvores em diversos bairros da capital.

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Outras estações monitoradas pelo Cimehgo também registraram volumes expressivos para um período que normalmente é marcado pela estiagem. A ETA Mauro Borges contabilizou 40,8 milímetros. O Centro de Goiânia registrou 40,4 milímetros. O Parque Amazônia chegou a 35,4 milímetros. Já os bairros Eldorado e Jardim América anotaram 30,8 milímetros e 28,4 milímetros, respectivamente.
Fenômeno raro interrompe padrão típico da estiagem
Segundo especialistas, o cenário observado neste mês é incomum para Goiás. O gerente do Cimehgo, André Amorim, explica que a quebra do padrão climático ocorreu devido à combinação de fatores atmosféricos que favoreceram a formação das tempestades.
Entre eles estão a atuação sucessiva de frentes frias, o enfraquecimento do bloqueio atmosférico que normalmente mantém o tempo seco sobre a região e o transporte de umidade vindo da Amazônia.
Essa combinação permitiu que áreas de instabilidade se formassem sobre o estado em pleno mês de junho, algo considerado atípico para o período.
Enquanto isso, a atmosfera continua apresentando níveis de umidade acima do esperado para esta época do ano. Por isso, os meteorologistas seguem acompanhando a evolução dos sistemas climáticos nos próximos dias.

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Nova frente fria pode trazer mais chuva para Goiás
O monitoramento do Cimehgo indica que uma nova frente fria pode avançar sobre o Centro-Oeste entre os dias 20 e 21 de junho. Caso os modelos meteorológicos atuais se confirmem, o sistema poderá favorecer o retorno das chuvas em diversas regiões goianas, incluindo a Região Metropolitana de Goiânia.
Embora ainda seja cedo para prever volumes e intensidade, os especialistas alertam que o cenário merece atenção. Isso porque a combinação entre calor e umidade remanescente pode continuar favorecendo pancadas isoladas e áreas de instabilidade.
Para esta segunda-feira, a previsão aponta predomínio de sol entre nuvens na capital. No entanto, pancadas rápidas e localizadas não estão completamente descartadas.
A recomendação é que a população acompanhe os boletins meteorológicos atualizados ao longo da semana, especialmente diante da possibilidade de novas mudanças nas condições atmosféricas.
Depois de registrar a maior chuva para junho em mais de três décadas, Goiânia volta a olhar para o céu com atenção. Afinal, um mês que deveria ser marcado pela seca já mostrou que ainda pode reservar surpresas.
