Terapia brasileira criada contra o câncer tem 87,5% de eficácia e deve chegar ao SUS

Tratamento inovador contra o câncer desenvolvido por pesquisadores brasileiros apresentou resultados promissores contra leucemias e linfomas e pode ampliar o acesso à tecnologia de ponta na rede pública de saúde.

Felipe Fernandes
Por Felipe Fernandes
Terapia brasileira criada contra o câncer tem 87,5% de eficácia e deve chegar ao SUS
Apresentação dos resultados do estudo clínico do CAR-T Cell no Hemocentro de Ribeirão Preto. — Foto: Rafael Nascimento/Ministério da Saúde
Uma versão brasileira da terapia celular CAR-T Cell, considerada uma das maiores revoluções da medicina no combate ao câncer, apresentou taxa de eficácia de 87,5% em pacientes com cânceres hematológicos. Desenvolvida por pesquisadores do Hemocentro de Ribeirão Preto, em parceria com instituições públicas de pesquisa, a tecnologia poderá futuramente ser disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso a um tratamento que atualmente possui alto custo.

Os resultados foram apresentados durante o Congresso da Sociedade Americana de Terapia Gênica e Celular, nos Estados Unidos, e envolvem pacientes com leucemias e linfomas que já haviam esgotado outras opções terapêuticas. Segundo os pesquisadores, 87,5% dos participantes responderam ao tratamento, índice considerado altamente promissor para casos avançados da doença.

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A terapia CAR-T funciona a partir da coleta de células de defesa do próprio paciente, conhecidas como linfócitos T. Em laboratório, essas células passam por uma modificação genética para que consigam identificar e destruir células cancerígenas com maior eficiência. Após o processo, elas são reinfundidas no organismo e passam a atuar diretamente no combate ao tumor.

Atualmente, os testes clínicos envolvem dezenas de pacientes em hospitais de referência no Brasil. O objetivo é avaliar a segurança e a eficácia do tratamento em larga escala antes da solicitação de registro junto às autoridades regulatórias.

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Terapia avançada é desenvolvida em parceria entre Instituto Butantan, USP e Ministério da Saúde. (Instituto Butantan/Divulgação)

Projeto contra o câncer brasileiro

Além dos resultados clínicos, o projeto brasileiro chama atenção pelo potencial de reduzir significativamente os custos da terapia. Em outros países, tratamentos semelhantes podem ultrapassar a marca de milhões de reais por paciente, o que limita o acesso. Com a produção nacional, a expectativa é tornar a tecnologia mais acessível e viabilizar sua incorporação ao SUS.

Especialistas avaliam que o desenvolvimento representa um marco para a oncologia brasileira e pode colocar o país entre os protagonistas mundiais na produção de terapias celulares avançadas. Caso os próximos estudos confirmem os resultados obtidos até agora, milhares de pacientes poderão se beneficiar de uma alternativa inovadora para o tratamento de cânceres do sangue.

Divulgação

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A expectativa dos pesquisadores é concluir as próximas etapas dos estudos nos próximos anos, abrindo caminho para que a terapia esteja disponível de forma mais ampla na rede pública de saúde.

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