Série sucesso da HBO aprofunda o submundo do crime de Gotham e tem nota 8,6 no IMDb

The Penguin é uma das séries mais ambiciosas do mundo de Gotham

Kamilly Carvalho
Por Kamilly Carvalho
Série sucesso da HBO aprofunda o submundo do crime de Gotham e tem nota 8,6 no IMDb
(Foto: divulgação/ HBO Max)

série The Penguin, derivada diretamente do universo de The Batman (2022), se firma como uma obra que expande, com maturidade e ambição  a mitologia criminal de Gotham. Com foco em Oswald Cobblepot, a produção assume um tom mais sombrio e intimista do que o tradicional encontrado em adaptações da DC, colocando o personagem no centro de uma trama sobre poder, sobrevivência e ascensão criminosa.

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Uma Gotham pós-caos, pronta para ser reconstruída (ou tomada)

A história se passa após os eventos de The Batman, quando Gotham ainda lida com as consequências da enchente que devastou a cidade. Nesse cenário vulnerável, gangues disputam território, políticos tentam controlar narrativas e o crime organizado encontra espaço para se reorganizar. É nesse vácuo de poder que The Penguin se estabelece.

Oswald Cobblepot (Colin James Farrell), que sempre transitou como um capanga subestimado, percebe que finalmente existe uma brecha para conquistar algo maior. O roteiro trabalha bem essa transição, Oswald não é um gênio estrategista desde o primeiro episódio, mas um sobrevivente persistente, moldado por anos de humilhação e violência. Desde o começo da sua vida no mundo do crime, ele se estabelece como uma pessoa persistente e inteligente, além de um tanto fria, ele preza por sua vida e a coloca acima de qualquer coisa.

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Colin Farrell entrega a melhor versão de Pinguim já feita

(Foto: divulgação/ HBO Max)

A atuação de Colin Farrell  que fica totalmente irreconhecível sob a maquiagem, é um dos pilares da série. Sua performance dá profundidade a Cobblepot, mais conhecido como Ozz, equilibrando brutalidade, vulnerabilidade e um senso de humor ácido que nunca desumaniza o personagem. Não é um vilão caricatural; é um homem que aprendeu a prosperar nos escombros.

Cada cena evidencia a construção cuidadosa de um personagem movido não apenas pela ambição, mas por uma espécie de carência afetiva que se traduz em obsessão pelo poder e pelo respeito que sempre lhe foi negado.

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A atuação e toda a vida que Colin dá ao personagem transporta o telespectador a um universo mafioso, onde as cicatrizes de Ozz demonstram que ele também sofreu e agora carrega isso com ele, o andando do “Pinguim” e o olhar vazio e ao mesmo tempo cheio de medos dá ainda mais entonação para esse personagem tão cativante, mesmo não sendo um herói.

Ator Colin Farrell sem maquiagem (foto: divulgação/ Nocional Today)

Trama criminal que remete a grandes clássicos do gênero

Embora pertença ao universo dos super-heróis, The Penguin flerta menos com o fantástico e mais com o drama criminal. A atmosfera remete a produções como Os Sopranos e O Poderoso Chefão, com disputas familiares, alianças frágeis e violência seca sempre suficiente para sustentar a tensão, mas nunca gratuita.

A série explora:

  • conflitos entre facções rivais;

  • jogos de influência dentro e fora da máfia;

  • a corrupção política profundamente enraizada em Gotham;

  • a difícil construção de uma reputação no submundo.

O resultado é uma narrativa que se mantém coesa, com ritmo firme e momentos de explosão emocional cuidadosamente calculados.

Direção e estética reforçam o clima de decadência

Visualmente, The Penguin mantém o estilo estabelecido em The Batman, com paleta escura, ruas molhadas, fumaça constante e um desenho de produção que transforma Gotham em um personagem vivo. A cidade é suja, trêmula e imprevisível, perfeita para abrigar uma história de ascensão criminosa. Essa cidade deixa uma sensação de estar o tempo todo vigilante e com as roupas meio úmidas ao coloca-lás para lavar, porque a atmosfera é cinza e molhada.

A direção investe em planos fechados, reforçando a sensação de pressão e vigilância, enquanto as cenas de violência são rápidas e diretas, mais realistas do que estilizadas.

Um spin-off que se justifica e amplia o universo

Se muitos derivativos de franquias surgem apenas para preencher catálogos, The Penguin se justifica com força própria. A série aprofunda a psicologia de um dos vilões mais tradicionais da DC, ao mesmo tempo em que expande o universo do filme de forma orgânica.

Não é necessário ser fã de quadrinhos para acompanhar; a série funciona como um drama criminal por si só. Mas, para quem acompanha o universo de Gotham, ela enriquece ainda mais o panorama da cidade que sempre serviu de palco para histórias sobre moralidade, poder e decadência.

The Penguin se destaca como um dos projetos televisivos mais sólidos da nova fase da DC. Com narrativa madura, performances arrebatadoras e ambientação impecável, a série oferece ao público uma experiência densa, violenta e humana,, mostrando que Oswald Cobblepot não é apenas uma figura excêntrica do crime, mas um protagonista complexo à altura das grandes narrativas do gênero.

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