O raro registro que mostra Cora Coralina em sua casa aos 84 anos

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
O raro registro que mostra Cora Coralina em sua casa aos 84 anos
Foto: Divulgação

Muito antes de se tornar um dos maiores símbolos da literatura brasileira, Cora Coralina levava uma vida simples às margens do Rio Vermelho, na Cidade de Goiás. Em 1973, quando já tinha 84 anos, ela abriu as portas da histórica Casa Velha da Ponte para uma equipe da TV Tupi. O resultado foi uma reportagem que, mais de cinco décadas depois, permanece como um dos registros audiovisuais mais importantes sobre a escritora goiana.

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As imagens mostram muito mais do que a residência onde Cora viveu por décadas. Elas revelam a rotina, os hábitos e a personalidade de uma mulher que transformou experiências do cotidiano em versos capazes de atravessar gerações. Enquanto caminhava pelos cômodos da casa, recebia visitantes e falava sobre sua vida, a poetisa seguia em plena atividade literária.

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Na época da gravação, Cora Coralina já havia conquistado reconhecimento nacional. No entanto, sua trajetória até esse momento foi marcada pela perseverança. Embora escrevesse poemas desde a adolescência, ela publicou seu primeiro livro apenas em 1965, quando estava prestes a completar 75 anos.

A obra “Poemas dos becos de Goiás e estórias mais” chamou a atenção da crítica e ganhou ainda mais projeção graças ao apoio de Carlos Drummond de Andrade, que escreveu o prefácio da publicação. A partir dali, o nome de Cora passou a ocupar um lugar definitivo entre os grandes escritores brasileiros.

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O reconhecimento que mudou sua história

A admiração de Carlos Drummond de Andrade ultrapassou o lançamento do primeiro livro. Os dois mantiveram correspondência durante anos. Após ler “Vintém de Cobre”, publicado em 1983, o poeta enviou uma carta que se tornou histórica.

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Nela, Drummond definiu a obra como “moeda de ouro” e destacou a força da poesia de Cora Coralina. Em outro trecho, afirmou que Aninha — como era chamada pela família — já não pertencia apenas a Goiás, mas a todo o Brasil que ama a literatura.

Cora

Foto: Divulgação

O reconhecimento tardio transformou sua trajetória em exemplo de que talento, dedicação e sensibilidade não têm idade para florescer.

A casa virou um dos lugares mais visitados de Goiás

Cora Coralina morreu em 10 de abril de 1985. Poucos anos depois, a casa onde viveu foi transformada em museu. Desde 1989, o imóvel funciona como o Museu Casa de Cora Coralina, preservando móveis, manuscritos, objetos pessoais e documentos que ajudam a contar a história da escritora.

Localizada às margens do Rio Vermelho, a Casa Velha da Ponte também inspirou uma de suas obras mais conhecidas, “Histórias da Casa Velha da Ponte”. Atualmente, o espaço recebe visitantes de todo o Brasil e integra os principais roteiros culturais da Cidade de Goiás, patrimônio mundial reconhecido por sua riqueza histórica.

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Mais do que um museu, o local permite que o público conheça de perto o ambiente onde nasceram poemas e histórias que marcaram a literatura brasileira.

Um documento que atravessa gerações

A reportagem produzida pela TV Tupi permanece como um verdadeiro documento histórico. Além de preservar a imagem e a voz de Cora Coralina, ela registra um momento em que a escritora já era admirada pelo país, mas continuava levando uma vida simples, fiel às suas raízes e ao cotidiano da antiga capital goiana.

Foto: Divulgação

Décadas depois, esse registro continua despertando emoção em leitores, estudantes e admiradores da literatura. Afinal, oferece uma oportunidade rara de conhecer Cora não apenas como escritora, mas como a mulher que fez da simplicidade a matéria-prima de uma obra que permanece atual.

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