Vinícola de Goiás é destaque em guia de vinhos mais respeitado da América Latina

Produção no interior do estado conquista especialistas e coloca o Cerrado no mapa dos grandes vinhos

Felipe Fernandes
Por Felipe Fernandes
Vinícola de Goiás é destaque em guia de vinhos mais respeitado da América Latina
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No imaginário popular, os grandes vinhos brasileiros costumam nascer em regiões mais frias, como o Sul do país. Mas uma vinícola instalada no coração do Cerrado goiano está mudando essa lógica — e chamando a atenção de especialistas internacionais.

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Localizada em Rianápolis, a Vinícola São Patrício conquistou espaço na edição 2026 do Guia Descorchados, considerado o mais respeitado da América Latina. O feito é ainda mais simbólico por um detalhe: a vinícola é a única representante do Centro-Oeste na publicação deste ano.

Entre os rótulos avaliados, o Talha Mar Blend 2023 alcançou 90 pontos e ainda garantiu medalha de ouro em um concurso internacional na França. Outros dois vinhos da casa — ambos da uva Syrah — também receberam notas expressivas, reforçando a consistência da produção goiana.

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Produção fora do padrão

Um dos fatores que mais despertam curiosidade é o método utilizado na plantação. Em vez de seguir o calendário tradicional, a vinícola aposta na técnica da dupla poda, que permite colher as uvas no inverno — período mais seco e favorável para a maturação.

A estratégia tem se mostrado eficiente. Segundo o próprio Guia Descorchados, regiões que utilizam esse modelo vêm revelando um novo potencial para o vinho brasileiro, com identidade própria e qualidade crescente.

Instalada a mais de 600 metros de altitude, a vinícola cultiva variedades clássicas como Syrah, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Marselan e Chenin Blanc em um solo típico do Cerrado, o que contribui para características únicas nos vinhos produzidos.

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Do interior para o cenário internacional

Fundada em 2019, a São Patrício teve sua primeira safra comercial em 2021 e, desde então, vem ampliando sua produção, chegando a cerca de 23 mil garrafas por ano. Em pouco tempo, acumulou reconhecimentos e passou a figurar entre nomes relevantes do setor.

Além da produção, o espaço também investe no enoturismo, com visitas guiadas pelos vinhedos e degustações que incluem produtos artesanais feitos na própria propriedade.

A estrutura chama atenção: o projeto arquitetônico tem um telhado em formato de “V”, inspirado em asas — conceito que deu origem aos nomes dos vinhos, batizados com referências a aves da região.

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Um novo capítulo do vinho brasileiro

A presença de uma vinícola goiana em um guia que reúne cerca de 600 produtores da América Latina indica uma mudança silenciosa no mapa do vinho.

Longe das regiões tradicionais, o Cerrado começa a mostrar que também pode produzir rótulos de destaque — e, mais do que isso, com identidade própria.

Para quem ainda associa vinho brasileiro apenas ao Sul, Goiás surge agora como uma nova e inesperada rota no universo das taças.

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