Plano da Embratur projeta crescimento do turismo em Foz do Iguaçu e aumento da permanência de turistas

Foz do Iguaçu já é um dos destinos mais desejados do Brasil. Os números comprovam: só em 2025, os principais atrativos turísticos da cidade somaram mais de 5,8 milhões de visitas, com recordes históricos no Parque Nacional do Iguaçu e presença de visitantes de mais de 200 nacionalidades.
Mas, apesar do volume expressivo, muitos turistas ainda passam pouco tempo na cidade. Agora, uma estratégia nacional quer mudar esse cenário e reposicionar o turismo da cidade, com impacto direto na economia local.
Plano Brasis define estratégia internacional e mercados prioritários
Durante evento realizado em Foz do Iguaçu nesta sexta-feira, 20, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) apresentou ao trade turístico do Paraná o Plano Brasis, feito em parceria com o Sebrae, que orienta a promoção internacional do país até 2027. Além da mudança de foco, o plano funciona como base para definir onde o Paraná deve concentrar seus esforços no exterior. A estratégia prioriza mercados já consolidados na região, como Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai, e mira expansão em países como Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e Espanha.

Foto: Viaje Paraná
Há ainda mercados em crescimento, como Canadá, México, Itália, Colômbia e Peru, além de oportunidades em países como Japão, China e Austrália, que exigem ações mais específicas de posicionamento. Para isso, o Plano Brasis combina diferentes frentes de atuação, que vão desde campanhas internacionais e participação em feiras até press trips, famtours e ações de capacitação. A proposta é atuar em toda a jornada do turista, da inspiração até a decisão de viagem.
Os dados reforçam o potencial desse movimento. Em 2025, o Paraná recebeu mais de 1 milhão de turistas internacionais, crescimento de 16,7% em relação ao ano anterior, consolidando o estado como um dos principais portões de entrada de visitantes estrangeiros no Brasil. A maior parte desse fluxo ainda vem da América do Sul, especialmente de Paraguai e Argentina. Mais do que ampliar o número de visitantes estrangeiros, o foco também passa a ser aumentar o tempo de permanência e o valor gerado por cada turista.
Ampliar a experiência do turista e reduzir visitas rápidas
Segundo o diretor de Marketing Internacional, Negócios e Sustentabilidade da Embratur, Foz foi a única cidade do interior do país a receber o lançamento do plano e foi escolhida como ponto estratégico justamente por já ter forte presença no cenário global. De acordo com ele, o desafio agora é aprofundar essa relação com o visitante.

Bruno Reis/Embratur Foto: Jean Pavão/AEN
“Foz do Iguaçu, apesar de ser muito conhecida, tem alguns perfis que estão fazendo bate e volta. E o que a gente quer é que ele fique três, quatro, cinco, sete dias. Não só tirar foto nas Cataratas e ir embora”, afirmou.
A mudança de lógica é significativa. Em vez de focar apenas no aumento de fluxo, a estratégia passa a priorizar a experiência completa do turista. Isso inclui explorar melhor a gastronomia, a cultura local e os novos atrativos que vêm sendo estruturados na cidade. Nos últimos anos, o próprio Parque Nacional do Iguaçu ampliou sua oferta com experiências como passeios de bicicleta, trilhas alternativas e atividades noturnas, enquanto outros atrativos e complexos turísticos também cresceram e diversificaram a experiência do visitante. Para a Embratur, o momento global favorece esse reposicionamento.
Em um cenário internacional instável, o Brasil aparece como destino competitivo, e Foz do Iguaçu pode se beneficiar desse movimento. “A gente está na melhor janela de oportunidade. O Brasil nunca tinha recebido 7 milhões de turistas internacionais e agora chegou a 9 milhões. O desafio é entender se estamos preparados para receber esse volume com qualidade”, destacou Bruno Reis.

Foto: Viaje Paraná
Qualificação e articulação do setor serão decisivas
Essa mudança não depende apenas da promoção internacional. Ela exige uma transformação interna no destino. É nesse ponto que entra o trabalho de qualificação e organização do setor turístico local. Segundo o diretor técnico do Sebrae Paraná, César Rissetti, o uso de dados será fundamental para direcionar esse novo momento.
“A gente vai trabalhar a partir desses dados para entender quais são os nichos com maior potencial, como bem-estar, natureza e observação de aves. Ao mesmo tempo, precisamos preparar as empresas e o destino para receber esse turista melhor”, explicou.
O objetivo é atuar em duas frentes: atrair mais visitantes qualificados e, ao mesmo tempo, melhorar a oferta de produtos e serviços na cidade. Isso inclui desde atendimento e gestão até o desenvolvimento de novas experiências.
“Se a gente trabalhar só a empresa e o destino não estiver preparado, não funciona. E se trabalhar só o destino, mas a empresa não estiver pronta, também não. É um trabalho conjunto”, reforçou.
No nível estadual, o Paraná já vem ampliando sua presença no exterior com ações em feiras internacionais, campanhas e parcerias com operadoras. A ideia agora é usar os dados do Plano Brasis como um guia mais preciso para esses investimentos.
“O turismo está na mão do setor privado e a gente precisa gerar negócios. O que estamos fazendo é promover, divulgar e vender o Paraná, sempre com Foz do Iguaçu puxando esse movimento”, afirmou Marcelo Martini, diretor do Viaje Paraná.
O desafio agora é transformar permanência em valor para a cidade
Mais dias de permanência significam mais consumo em restaurantes, hotéis, passeios e comércio. Significam também maior circulação de renda e mais oportunidades para quem vive na região.
“O meu convite para os empresários é que eles se capacitem, se qualifiquem e entendam como podem atender melhor esse turista. Se ele tiver uma jornada e uma experiência positiva, a tendência é que volte depois”, concluiu Bruno Reis.
O Plano Brasis funciona como uma base estratégica para orientar o setor turístico na conquista de novos visitantes internacionais. Foz do Iguaçu, que já é referência nacional em organização e governança, entra nesse novo momento com vantagem, mas também com um desafio claro de avançar além do que já entrega. A cidade tem nas Cataratas seu principal cartão-postal, mas está longe de se resumir a isso. Ainda é comum que o visitante estrangeiro chegue, conheça o principal atrativo e vá embora sem explorar outras experiências que ajudam a definir o destino, como Itaipu, a gastronomia local ou espaços tradicionais como a feirinha da JK.
O próximo passo, portanto, não é apenas atrair mais turistas, mas fazer com que eles descubram a cidade em sua totalidade. Transformar permanência em experiência, e experiência em valor para a cidade. As ferramentas para isso estão colocadas. O que vai definir o próximo patamar do turismo em Foz do Iguaçu é a capacidade de organizar, qualificar e, principalmente, contar melhor essa cidade para quem chega.
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