Gastronomia em Foz do Iguaçu ganha 255 novos negócios em 6 meses e cresce nos bairros

Mauricio Freire
Por Mauricio Freire
Gastronomia em Foz do Iguaçu ganha 255 novos negócios em 6 meses e cresce nos bairros
Foto: Curta Mais Foz

 O setor de gastronomia em Foz do Iguaçu ganhou 255 novos estabelecimentos entre setembro de 2025 e o início de março de 2026.O número chama atenção pelo volume, mas o dado mais revelador é que a maior parte desse crescimento não aconteceu nos corredores turísticos, e sim nos bairros da cidade.

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Segundo levantamento feito pelo Curta Mais Foz com base em registros da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Agricultura, os novos negócios incluem restaurantes, lanchonetes, bares e operações similares. Desse total, 61 empresas foram abertas apenas nos primeiros meses de 2026, enquanto outras 194 surgiram entre setembro e dezembro do ano passado.

Mais da metade dessas novas operações são lanchonetes ou estabelecimentos de alimentação rápida. Ao todo, são 138 registros desse tipo, o equivalente a 54,1% das aberturas. Entre os novos restaurantes em Foz do Iguaçu, são 92 registros (36,1%), enquanto bares somam 25 registros, cerca de 9,8%.

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Mas é a distribuição geográfica que muda a leitura do cenário. Embora o Centro lidere individualmente com 31 novos estabelecimentos, ele representa apenas 12% do total. A expansão da gastronomia em Foz está espalhada pelos bairros, com destaque para regiões como Morumbi (27 aberturas), Porto Meira (24), Panorama (20) e Campos do Iguaçu (18).

Juntos, esses bairros concentram uma parcela significativa dos novos negócios e ajudam a explicar um movimento mais amplo: o crescimento do setor acompanha a expansão urbana e o aumento do consumo local, fora dos polos tradicionais.

A leitura dos dados mostra que comer fora deixou de ser uma experiência concentrada em áreas específicas e passou a fazer parte do cotidiano em diferentes regiões da cidade.

Crescimento com novos perfis de negócio

O avanço das aberturas não pode ser interpretado apenas como expansão do setor. Para especialistas, parte desse movimento também está ligada ao aumento da formalização e à facilidade de entrada no mercado.

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“Esses dados indicam tanto um crescimento do setor quanto um avanço da formalização. Quando esses negócios passam a operar com CNPJ, eles passam a gerar emprego, pagar impostos e movimentar a economia de forma estruturada”, explica Felipe Fernandes, consultor de negócios do Sebrae em Foz do Iguaçu.

Segundo ele, a gastronomia reúne características que atraem novos empreendedores, especialmente os de pequeno porte.

“No caso da gastronomia, a gente vê uma mistura de necessidade e oportunidade. Muitas pessoas começam porque têm habilidade com algum tipo de alimento, e ao mesmo tempo encontram nesse setor uma forma mais rápida de gerar renda, já que o giro é maior do que em outros tipos de negócio”, afirma.

Por que lanchonetes lideram as aberturas

O predomínio das lanchonetes entre os novos negócios também tem explicação prática. De acordo com o presidente da Abrasel Oeste Paraná, Márcio Oliveira, o modelo exige menos investimento inicial e permite uma operação mais simples.

“Para começar uma operação de lanches, é possível investir valores a partir de cerca de R$ 7 mil, especialmente utilizando equipamentos usados. Já um restaurante estruturado para atender cerca de 80 pessoas pode exigir entre R$ 100 mil e R$ 120 mil, sem considerar reformas”, explica.

Além disso, muitas dessas operações nascem já adaptadas ao modelo de delivery. “Muitas empresas abrem já focadas no delivery. É uma operação mais prática para quem está começando e permite ajustar o negócio conforme a demanda”, afirma.

Delivery e mudança no comportamento de consumo

O crescimento do delivery aparece como um dos principais motores desse novo cenário. Segundo o Sebrae, a digitalização facilitou a entrada de pequenos empreendedores no setor, permitindo operar com estruturas mais enxutas e alcançar um público maior.

“Hoje você consegue, por exemplo, operar uma cozinha até mesmo dentro de casa e vender por meio de plataformas. Isso aumenta a escala do negócio sem a necessidade de um espaço físico grande”, explica Fernandes.

A tendência também acompanha mudanças no comportamento do consumidor, que passou a valorizar não apenas o produto, mas a experiência como um todo.

“O mercado de alimentação segue exigindo o básico em termos de estrutura e regulamentação, mas a forma de oferecer o produto mudou. Existe hoje uma tendência de experiências mais elaboradas, o que a gente chama de gourmetização”, completa Márcio Oliveira.

Cresce, mas com mais pressão

Apesar do alto número de aberturas, os dados indicam que o cenário não é de crescimento ilimitado. Dados fornecidos pelo Sebrae indicam que, embora o número de empresas abertas ainda seja maior do que o de encerramentos, o ritmo de crescimento vem desacelerando, enquanto a taxa de fechamento aumenta ao longo do tempo.

“Não dá para dizer que é um crescimento expressivo. Existe abertura de novas empresas, mas também há um número relevante de negócios encerrando. O saldo é positivo, mas o mercado está mais competitivo”, afirma Fernandes.

Entre os fatores que impactam a sobrevivência dos negócios estão custos operacionais, carga tributária e dificuldades com mão de obra.

Experiência e diferenciação

No meio desse cenário, novos empreendedores apostam na diferenciação como estratégia para se manter no mercado. É o caso da Vassoura Voadora, empreendimento inaugurado no fim de fevereiro em Foz do Iguaçu.

Felipe e Luiza no Vassoura Voadora Foto: divulgação

À frente do negócio estão o advogado Felipe Silveira e a esposa, Luize Ferreira, que já havia empreendido no setor com uma cafeteria por mais de cinco anos. A decisão de abrir o espaço partiu da proposta de criar uma experiência que fosse além do produto.

“O setor gastronômico da região precisa acompanhar o momento turístico, se reinventando e proporcionando experiências únicas, não só aos turistas, mas principalmente à população”, afirma. O projeto foi planejado por cerca de sete meses e contou com financiamento por meio do Pronampe.

Uma nova geografia da gastronomia

O conjunto dos dados aponta para uma mudança mais profunda na cidade. Foz do Iguaçu continua abrindo novos negócios de alimentação, mas esse crescimento já não está concentrado em um único polo, nem segue um único modelo. A gastronomia avança pelos bairros, se adapta ao digital e passa a operar com estruturas mais flexíveis, acompanhando o comportamento do consumidor e a dinâmica urbana.

O movimento já é perceptível no dia a dia. Em diferentes regiões da cidade, surgem operações que vão além do básico: espaços menores, mas bem estruturados, com identidade própria, ambientes pensados e, muitas vezes, voltados também à experiência. Hoje, comer bem em Foz do Iguaçu deixou de ser algo restrito a áreas específicas e passou a fazer parte da rotina em praticamente qualquer região da cidade.

 

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